<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713</id><updated>2011-11-08T01:42:50.583-02:00</updated><title type='text'>Contos Noturnos</title><subtitle type='html'>Um blog de textos escritos de madrugada, ou mesmo pensados durante a noite, de coisas que provavelmente não aconteceram e outras idéias que andam pela cabeça.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>106</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-7009222348600398017</id><published>2011-11-08T01:40:00.001-02:00</published><updated>2011-11-08T01:42:50.607-02:00</updated><title type='text'>O Quarto de Despejo</title><content type='html'>Antes havia ali uma porta, que foi fechada com tijolos e cimento antes de nascermos, de porta mesmo ficou só o contorno, a madeira pintada do portal.&lt;br /&gt;Vovó falava de um quarto de despejo, que funcionava como despensa e que não existe mais, pelas indicações deve ser o tal quarto emparedado. Imagino as paredes desbotadas, as prateleiras vazias, teias por toda parte, os ossos arrumados no chão,...&lt;br /&gt;A casa antiga tem muitas histórias, dizem que atrás daquela parede tem um quarto, e lá dentro mora a Dona Viterba. Nós conseguimos furar um buraquinho nos tijolos, junto ao chão e à madeira, e de lá sai um vento gelado e rescindindo a umidade e mofo. Tentei iluminar pelo furo, mas mal cabe a lanterna, ou seja, se ilumino, cubro, se descubro, apago.&lt;br /&gt;Pelo furo a escuridão parece ainda mais densa, dessas de cortar com faca, como se fosse cremosa e opaca. Se Dona Viterba estiver mesmo lá, deve ter aqueles brotamentos fosforescentes dos peixes abissais.&lt;br /&gt;A tal senhora era esposa do espanhol que construiu a casa. Viveram aqui com seus dez filhos, envelheceram, criaram os netos e então Viterba desapareceu sem deixar vestígios e nunca mais voltou. Na mesma época, a porta foi lacrada por algum pretexto sanitário e assim tem permanecido por mais curiosos que sejam seus donos.&lt;br /&gt;À noite é possível perceber pequenos ruídos vindos lá de dentro, saem pelo furo. Ninguém gosta de ficar por perto. &lt;br /&gt;Dorinha, que é paranormal, sempre vê uma senhora sentada na escada, a senhora veste preto e tem cerca de dez gatos ao seu redor. A senhora da escada suspira, ela desce flutuando seguida por seus gatos e atravessa a porta inexistente - isso tem acontecido quase todos os dias, pelo menos para a prima Dorinha.&lt;br /&gt;O certo é que, se Dona Viterba houver, e lá estiver, não me interessa conhecer. Sabê-la de verdade estragaria a dúvida e os mistérios por trás do furo escuro. &lt;br /&gt;O que é um fantasma real perante todo o vazio do medo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-7009222348600398017?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/7009222348600398017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=7009222348600398017' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7009222348600398017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7009222348600398017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/11/o-quarto-de-despejo.html' title='O Quarto de Despejo'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3930799663146490986</id><published>2011-10-28T22:53:00.001-02:00</published><updated>2011-10-28T22:57:24.091-02:00</updated><title type='text'>Trinta por dois</title><content type='html'>Os alunos não tinham canetas.&lt;br /&gt;Nem lápis, nem papel.&lt;br /&gt;Nem braços, só olhos, bocas e dedos, bem elementares assim.&lt;br /&gt;Perguntei sobre as caixas, eles não tinham caixas.&lt;br /&gt;Perguntei sobre as latas, nada de latas, nem ideias.&lt;br /&gt;Só artefatos digitais touchscreen, espelhos e contas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3930799663146490986?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3930799663146490986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3930799663146490986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3930799663146490986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3930799663146490986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/10/trinta-por-dois.html' title='Trinta por dois'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5344185822331873305</id><published>2011-10-06T20:11:00.002-03:00</published><updated>2011-10-06T20:13:53.212-03:00</updated><title type='text'>a roupa nova do rei</title><content type='html'>- aí está nossa nova marca!&lt;br /&gt;O arquivo estava vazio. Mas não de conteúdo, de significação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5344185822331873305?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5344185822331873305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5344185822331873305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5344185822331873305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5344185822331873305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/10/roupa-nova-do-rei.html' title='a roupa nova do rei'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-832853561857108214</id><published>2011-09-30T08:07:00.000-03:00</published><updated>2011-09-30T08:08:09.936-03:00</updated><title type='text'>Entre sem bater</title><content type='html'>Encontrei esse estranho papel preso por ímã na porta da Frigidaire vermelha do meu irmão, que há vários dias não dá noticias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A geladeira comprei em um brexó na Lapa, estava novinha apesar de ser de um modelo tão antigo. Lembra a geladeira lá da nossa casa de praia. Ela desde o primeiro dia funcionou maravilhosamente bem, apesar de algumas coisas estranhas que fazia, mas aquilo até lhe emprestava um ar de mistério sensacional e mesmo divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira semana, começaram a desaparecer alguns itens. Primeiro foi o açucareiro, logo em seguida a garrafa de groselha, um queijo, o frasco de catchup, salsichas..e as garrafas de água quase sempre amanheciam pela metade.&lt;br /&gt;De vez em quando alguma coisa ressurgia: o pacote de salsichas quase vazio, o queijo despedaçado, uma caixa de pizza sem a pizza, e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incidentes assim aconteceram ao longo do primeiro ano. Então começaram a aparecer os objetos gelados. Esses sim, eram inexplicáveis: um pé de tênis Conga anos 80, novinho,  ursinho de pelúcia antigo, carrinhos Matchbox, um par de luvas de boxe tamanho infantil, uma bola de futebol. Esses eu não tocava, e ainda não tenho certeza se não eram alucinações, pois  quando eu fechava e tornava a abrir a porta da geladeira eles não estavam mais lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada , ao abrir a porta de manhã, escutei uma música dos Rolling Stones, You can’t always get what you want, tocava baixinho, como se a geladeira tentasse me dizer algo. Fechei-abri e a música sumiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem à noite Carol veio buscar um copo de água e não voltou mais. Acordei de madrugada e ela não estava na cama, fui à sala pensando que tinha dormido diante da tv, mas lá não estava, nem na varanda, em parte alguma. As portas e janelas estavam fechadas por dentro, e a bolsa da Carol sobre o sofá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou convencido de que a Frigidaire comeu a Carol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei aqui diante dela, e estou abrindo-fechando sem parar a porta, quem sabe ela aparece? No abre –fecha tenho visto coisas horríveis, animadas como num flipbook, acidentes, crianças machucadas, ferro velho prensando um carro com pedaços de acidentados dentro, o ferro sendo reciclado, a fábrica reutilizando chapas para fazer geladeira. No abr-fecha, a Frigidaire está contando sua história macabra em suspiros gelados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso em entrar ali e fechar a porta. Se alguém encontrar esta carta, eu provavelmente estarei perdido, ou congelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abra a porta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-832853561857108214?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/832853561857108214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=832853561857108214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/832853561857108214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/832853561857108214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/09/entre-sem-bater.html' title='Entre sem bater'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2529440305775641340</id><published>2011-09-16T00:41:00.002-03:00</published><updated>2011-09-16T00:58:30.125-03:00</updated><title type='text'>Erro</title><content type='html'>A assistente gritou um lamento, foi a última vez que dela se ouviu.&lt;br /&gt;O mágico a serrara na caixa errada e o show se fora.&lt;br /&gt;Agora coelhos vermelhos saltitavam na poça de vida escorrida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2529440305775641340?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2529440305775641340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2529440305775641340' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2529440305775641340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2529440305775641340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/09/erro.html' title='Erro'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4287871488532490975</id><published>2011-08-29T00:19:00.001-03:00</published><updated>2011-08-29T00:19:40.385-03:00</updated><title type='text'>do além</title><content type='html'>- Alô?&lt;br /&gt;- Zeca, é você?&lt;br /&gt;- Claro! Euzinho.&lt;br /&gt;- Porra, por onde você andou? Estávamos desesperados atrás de você. Some assim sem dar notícias, diz que vai comprar cerveja no mercado e fica uma semana sumido.&lt;br /&gt;- Uma semana? Sério?&lt;br /&gt;- Qual é? Chega de canalhice, onde você está?&lt;br /&gt;- Desculpa, achei que o lance do Mercado tinha sido hoje, quer dizer, agora há pouco. É que o tempo aqui anda diferente, eu estou no além.&lt;br /&gt;- Além? Ora, vá para o inferno então! Que papo é esse?&lt;br /&gt;- É sério, pode procurar na internet. Já deve ter a noticia. Quando eu estava entrando no supermercado fui assaltado e um dos bandidos acabou disparando um tiro fatal. Procura aí, Mercado Mundial da Haddock Lobo.&lt;br /&gt;- Achei a noticia, ..diz aqui que um homem foi assaltado, e depois de ter descido do carro foi alvejado. Estava sem documentos, não foi identificado.&lt;br /&gt;- Por isso mesmo que eu liguei. Roubaram minha carteira junto do carro. O lance é que meu corpo vai ser enterrado como indigente se não for identificado, e sem isso você não pode receber o seguro. Preciso que você vá ao IML.&lt;br /&gt;- Seguro? &lt;br /&gt;- Fiz um seguro em seu nome , vai dar para você ficar bem confortável. A apólice está na segunda gaveta ali da mesinha do escritório.&lt;br /&gt;- Nossa, que legal! E como é aí?&lt;br /&gt;- Não deu para sentir muito bem, parece que estou aqui há poucas horas, mas no tempo daí já se foi uma semana. Se for assim a eternidade talvez nem seja tão longa. Tem um monte de gente por aqui, parece até aquelas fotos da India, de tanta gente amontoada, só que podemos passar uns por dentro dos outros e não incomoda ser tão cheio. &lt;br /&gt;- Encontrou alguém conhecido?&lt;br /&gt;- Ainda não,  mas não deu para procurar direito. Entrei aqui nessa cabine, tem duas listas telefônicas enormes, a do Além é quase interminável. Mas já achei o telefone do vovô, vou ligar para ele depois.&lt;br /&gt;- Ah! Pergunta então onde ele guardava os documentos do carro? A esta altura já virou antiguidade, mas sem os documentos não podemos vender. O porteiro do prédio da sua avó tem dado umas voltas, semana passada encontramos duas garrafas de Fogo Paulista vazias no banco de trás.&lt;br /&gt;- Pode deixar. Se o vovô souber que estão usando o Opala dele para festinhas vai com certeza vir puxar a perna do porteiro. O carro do general. Haha, quem diria.&lt;br /&gt;- Zeca, estamos com saudade, vê se não some de vez, tá?&lt;br /&gt;- Pode deixar. Prometo que telefono sempre que der. Olha, preciso desligar, estão me chamando ali num lugar ilumidado. Talvez seja algum show.&lt;br /&gt;- Tá legal, mas vai com cuidado! Se tiver um cara de chapéu preto é roubada, lembra do Poltergeist.&lt;br /&gt;- Pode deixar. Beijo, Tchau!&lt;br /&gt;- Beijo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4287871488532490975?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4287871488532490975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4287871488532490975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4287871488532490975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4287871488532490975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/08/do-alem.html' title='do além'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1549795168205538797</id><published>2011-08-11T16:54:00.004-03:00</published><updated>2011-08-11T16:59:37.071-03:00</updated><title type='text'>Entretenimento</title><content type='html'>Luciano enxergava cada vez menos, as manhãs iam ficando cada vez mais turvas e sombrias. Tropeçava, esbarrava, caía. &lt;br /&gt;Precisava de óculos novos, com certeza.  &lt;br /&gt;Os óculos eram sua mais frequente despesa, quase todos os meses precisava trocar as lentes. Elas iam gradativamente perdendo sua eficácia e era preciso substituir antes que não conseguisse ir até a loja. Sem óculos não enxergava nada, sua própria mão virava um borrão alaranjado.  &lt;br /&gt;Na ótica perto de casa era recebido como o melhor cliente, ganhava café e biscoitinhos, ouvia as fofocas do bairro, a todos conhecia pelo nome. Vantagens da idade, todos tratam bem os velhinhos – pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem era questão de grau, as lentes iam simplesmente ficando sujas. E ele não tinha como limpar, a sujeira não via, apenas sentia. &lt;br /&gt;Na ótica lavavam os óculos enquanto ele comia os biscoitinhos e cobravam por lentes novas (isso ele acabou sabendo por um ex-funcionário, mas tudo bem: no final saía enxergando, e com o papo em dia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a ótica fechou e Luciano não conseguiu mais cuidar de seus óculos e passou a enxergar cada vez menos, aos poucos foi se perdendo em seu próprio apartamento, até que um dia descobriu que não precisava mais deles: bastava usar o tato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem óculos, resolveu aventurar-se fora de casa: já há dois dias não tinha o que comer no armário. Lembrava-se da posição do elevador, das escadas, das portas dos vizinhos.&lt;br /&gt;Foi apalpando a parede, abriu a porta. Seguiu apalpando o corredor, encontrou o botão do elevador, abriu a porta, entrou. Respirou fundo: alguém tinha peidado lá dentro, os sentidos aguçados de cego o faziam sentir cheiros em dobro.&lt;br /&gt;No térreo foi andando rumo à portaria, dali seguiu pela calçada para o hortifruti que sabia ao lado de seu prédio, comprou umas frutas e voltou com bastante dificuldade, as distancias pareciam diferentes para quem volta do que eram para quem vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esbaforido, sentindo-se rejuvenescido pela aventura, comeu sofregamente as frutas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha agora um outro problema a resolver: seus remédios. Os comprimidos eram todos redondos, a princípio vinha tomando um de cada, duas vezes ao dia, para não ficar sem medicação.&lt;br /&gt;Sentia, assim, o efeito do descompasso das doses. As posologias eram diferentes,  o calmante era para tomar um por dia, o do coração, 3, o do estômago, 2, o da pressão, 2. O coração vinha recebendo remédio de menos, que o calmante extra compensava em parte, mas tinha de vez em quando palpitações.&lt;br /&gt;E não era só isso. Como saber se as roupas estavam sujas ou limpas? Como encontrar o pão que tinha caído no chão anteontem? Como digitar a senha no banco e como contar o dinheiro?&lt;br /&gt;Luciano deu-se por vencido, telefonou para sua filha e encomendou óculos novos, dois pares, para que ele mesmo pudesse lavar as lentes.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1549795168205538797?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1549795168205538797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1549795168205538797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1549795168205538797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1549795168205538797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/08/entretenimento.html' title='Entretenimento'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-7730457599174723797</id><published>2011-07-29T00:20:00.000-03:00</published><updated>2011-07-29T00:32:57.816-03:00</updated><title type='text'>Algo para os pés</title><content type='html'>A perna da garota espetava as mãos do vendedor, espetos de pelos cortados com barbeador, grossos, de depilação vencida.&lt;br /&gt;Enquanto afivelava mais um sapato, ele sentia os dedos sendo perfurados e sorria pelo prazer de tocá-la.&lt;br /&gt;Ambos estavam excitados, e ela provava mais sandálias, botas, tênis, enquanto ele imaginava sua língua perfurada em mil lugares, e prolongava os gestos deixando o dorso das mãos percorrerem os tornozelos enquanto manuseava os sapatos, chinelos, patins.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-7730457599174723797?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/7730457599174723797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=7730457599174723797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7730457599174723797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7730457599174723797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/07/algo-para-os-pes.html' title='Algo para os pés'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1715039702812323228</id><published>2011-07-12T23:23:00.003-03:00</published><updated>2011-07-13T09:26:29.216-03:00</updated><title type='text'>lugar nenhum</title><content type='html'>Dois barcos navegavam lado a lado sob o céu azul escuro do poente, tingidos de laranja, amarelo e vermelho, cortando águas já pretas da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iam em alto mar, rumo a uma ilha distante, à qual nunca chegariam. Eles tinham pouca potência e lutavam contra as correntes de fundo, que teimavam em reconduzi-los quase ao ponto de partida tão logo conseguiam avançar.&lt;br /&gt;Estavam com pouco combustível, de palamenta desguarnecida de radios e remos (tinham sido trocados por comida há dois dias), sem sinalizadores, bóias ou cones pelos quais pudessem gritar.&lt;br /&gt;Apesar do arrasto, a superfície revelava-se lisa e convidativa e imprudentes marujos atiravam-se ao mar vestidos, atraídos pela música que acompanhava as trilhas de espuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os barcos eram unidos por uma estrutura de madeira,  talvez um antiga escada, e quase todos a bordo tinham se ocultado no cavername quando veio o primeiro impacto.&lt;br /&gt;O barco da direita era agora uma esfera de fogo, pedaços de madeira e latão voavam  em todas as direções e os dois cascos giravam perdidos em torno dos destroços.&lt;br /&gt;A estrutura que os unia foi partida, separado o barco restante, que apinhou-se de gente e rumou ao porto de origem, ao qual nunca chegou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1715039702812323228?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1715039702812323228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1715039702812323228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1715039702812323228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1715039702812323228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/07/lugar-nenhum.html' title='lugar nenhum'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2945728119922023249</id><published>2011-07-12T23:22:00.001-03:00</published><updated>2011-07-12T23:22:56.852-03:00</updated><title type='text'>Algo vemelho e algo branco</title><content type='html'>Derramou o conteúdo intensamente vermelho de um cálice alongado sobre a brancura do corpo elegante de peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tintos não combinam, meu bem. (reclamou o animal, arfando)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignorando o protesto, deitou-se desajeitadamente, esmagando o pobre ser sob seus quase cem quilos.&lt;br /&gt;As pernas, longas e musculosas, ocultas em camadas de roupas, escamas, meias, calças, saias, macacões, vestidos. Os tecidos em tramas fechadas tingiam a pele branca recheada de minúsculas veias azuis e vermelhas, algumas cortadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os músculos contraíam-se em plena atividade, embebidos em sangue morno e vibrante, movimentando firmes ossos um pouco abaixo da superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia inúmeros conjuntos desses no vagão apinhado do metrô, isso foi ontem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2945728119922023249?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2945728119922023249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2945728119922023249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2945728119922023249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2945728119922023249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/07/algo-vemelho-e-algo-branco.html' title='Algo vemelho e algo branco'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5232121638483848826</id><published>2011-06-18T01:38:00.000-03:00</published><updated>2011-06-18T01:39:28.564-03:00</updated><title type='text'>D - os exibidos</title><content type='html'>Os faisões emplumados de amarelo e vermelho berrantes circulavam ao redor da sala, fazendo-se presentes por toda parte, só perdendo em exuberância para os pavões, que espremiam-se exibindo os rabos em leque.&lt;br /&gt;Pousados nos lugares mais altos estavam abutres e urubus, sombrios e solenes, à espera de que tudo desandasse lá em baixo e realmente houvesse vítimas com que se ocupar.&lt;br /&gt;Gordas galinhas cacarejavam em alto volume e aqueciam ovos únicos, postos quando eram jovens e agora já visivelmente decadentes.&lt;br /&gt;Papagaios verdes batiam as asas e gritavam palavrões horríveis.&lt;br /&gt;Em meio a tudo isso, ia forçando passagem uma cinzenta, simples rolinha – mal conseguia ver o chão à frente, mal distinguia o caminho a percorrer.&lt;br /&gt;Mas ainda assim seguia obstinada, enfrentando a todos com determinação. Não importa que não fosse tão espalhafatosa, tão elegante ou tão faladora, estava feliz com a imagem que tinha de si mesma. &lt;br /&gt;Precisava chegar o quanto antes ao banheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5232121638483848826?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5232121638483848826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5232121638483848826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5232121638483848826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5232121638483848826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/06/d-os-exibidos.html' title='D - os exibidos'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-874849754432796317</id><published>2011-06-04T22:16:00.002-03:00</published><updated>2011-06-04T22:17:48.371-03:00</updated><title type='text'>Coisas que acontecem quando nao tem ninguem olhando-XVI</title><content type='html'>Trouxe a vaca ainda bezerro, escondida na minivan de Matilde. Estacionei normalmente, subimos pelo elevador de serviço.&lt;br /&gt;O consumo de leite andava alto demais, três filhos bebendo sem parar, criar uma vaca na varanda parecia uma solução absurda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos em casa e instalei o bicho no banheiro da empregada, ainda precisava preparar alguns detalhes, comprar feno ou ração, desviar algum cano de água, etc.&lt;br /&gt;Esses foram os piores dias, ela mugia sem parar, em alto volume, e precisei dizer aos vizinhos que Matilde estava com cólicas. Depois de instalada na varanda ela mugia baixinho, feliz, quase ronronando. (E Matilde ganhou diversos remédios para cólicas, deixados anonimamente diante da nossa porta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora a Vaca (esse é o nome da vaca) pasta feliz e acorda antes do nascer do sol para ser ordenhada por nossa cozinheira. Fornece muitos litros de leite, que consumimos e usamos na fabricação de queijos.&lt;br /&gt;Os queijos, minas, provolone, mussarela, produzimos no quarto que antes era o escritório. Eles são vendidos aqui no prédio mesmo, numa barraquinha que o filho do porteiro montou junto ao portão. Vem gente de toda parte comprar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos estudando a aquisição de um touro, para começarmos uma criação de verdade. Para isso, compramos o apartamento ao lado, são noventa metros quadrados de grama, com vista para o mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-874849754432796317?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/874849754432796317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=874849754432796317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/874849754432796317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/874849754432796317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/06/coisas-que-acontecem-quando-nao-tem.html' title='Coisas que acontecem quando nao tem ninguem olhando-XVI'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-615272270643729396</id><published>2011-05-30T23:17:00.000-03:00</published><updated>2011-05-30T23:18:38.408-03:00</updated><title type='text'>Anoitece dentro da nuvem</title><content type='html'>A criança puxa o fiozinho que sai da orelha esquerda, ainda curto e colorido, listrado azul e branco.&lt;br /&gt;O puxão é mais vigoroso que prudente e a dor provoca-lhe lágrimas.&lt;br /&gt;Seus pais têm longos fios escuros, todos os adultos são assim, não é justo que os fios das crianças sejam tão curtinhos – pensa.&lt;br /&gt;O pai certa vez disse que os fios não devem ser puxados nem cortados, é muito perigoso fazê-lo. Perigoso por quê?&lt;br /&gt;Mas agora que foi puxado, lá dentro não pára de doer. Será que vou morrer?&lt;br /&gt;Corre a contar aos pais.&lt;br /&gt;- Enxugue essas lágrimas, filho, ninguém more disso. No máximo vira do avesso, por isso que dói, por desgrudar o outro lado. Daqui a pouco a dor passa.&lt;br /&gt;- O que são os fios, pai?&lt;br /&gt;- Ah, os fios são uns sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-615272270643729396?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/615272270643729396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=615272270643729396' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/615272270643729396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/615272270643729396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/05/anoitece-dentro-da-nuvem.html' title='Anoitece dentro da nuvem'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2778798733977377271</id><published>2011-05-18T12:59:00.003-03:00</published><updated>2011-05-18T13:05:49.093-03:00</updated><title type='text'>Booktrailer Contos Noturnos</title><content type='html'>booktrailer do livro do blog com uma das histórias que já não estão mais aqui..&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=n3jraa0R45M"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=n3jraa0R45M&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=n3jraa0R45M"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2778798733977377271?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2778798733977377271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2778798733977377271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2778798733977377271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2778798733977377271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/05/booktrailer-contos-noturnos.html' title='Booktrailer Contos Noturnos'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5906720706141495953</id><published>2011-05-04T23:35:00.000-03:00</published><updated>2011-05-04T23:36:21.107-03:00</updated><title type='text'>Um outro Vôo</title><content type='html'>À esquerda um homem careca de quase 40 anos, porte de lutador, reza um terço branco em voz baixa enquanto o avião não decola.&lt;br /&gt;Atrás, a grávida peruana diz que está enjoada e prestes a vomitar. Diz isso algumas vezes, o que me faz encolher, receoso.&lt;br /&gt;À frente, uma executiva folheia ruidosamente algumas páginas grampeadas.&lt;br /&gt;O avião começa a se mover, manobra de posicionamento na pista, as aeromoças dão instruções de segurança.&lt;br /&gt;Não há ninguém realmente por perto, ainda que os vizinhos invasivamente aproximem-se através de seus sons.&lt;br /&gt;Lá fora a Grande Cidade parece parada, como parece a Lua quando vista de relance na noite, mas que imperceptivelmente evolui a um novo ponto no céu a cada vez que olhamos.&lt;br /&gt;Assim também é a Cidade, os prédios maiores são mais lentos, pesados, virando suas janelas para seguir o Sol poente. As casas mudam de lugar, sobem umas nas outras e ultrapassam os prédios baixos, engarrafando-se em morros e preguiçosamente deslizando contra os viadutos serpenteantes.&lt;br /&gt;Em tudo palpita uma vida própria do concreto, do aço, de janelas piscantes, de luzes dançantes e dos carros coloridos.&lt;br /&gt;E tudo diminui até que de repente some na branca nuvem que se fecha ao nosso redor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5906720706141495953?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5906720706141495953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5906720706141495953' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5906720706141495953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5906720706141495953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/05/um-outro-voo.html' title='Um outro Vôo'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-7783857246442498781</id><published>2011-04-28T12:36:00.001-03:00</published><updated>2011-04-28T12:36:59.954-03:00</updated><title type='text'>Matrioshka</title><content type='html'>Dentro do pastel havia outro pastel, e dentro deste, um terceiro, depois um quarto, um quinto, e todos comíamos pastéis ocos, recheados de outros pasteis, cada vez menores até que chegamos à migalha, que é a menor partícula possível de massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chinês atrás do balcão esfregava as mãos de contentamento:&lt;br /&gt;- “quem achar papelzinho pode ler a sorte, né?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A migalha era o papelzinho frito, estava escrito: “vale um pastel”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-7783857246442498781?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/7783857246442498781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=7783857246442498781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7783857246442498781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7783857246442498781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/04/matrioshka.html' title='Matrioshka'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-7555067291434411214</id><published>2011-03-28T17:46:00.001-03:00</published><updated>2011-03-28T17:46:25.362-03:00</updated><title type='text'>Oferta! Casa em laranjeiras</title><content type='html'>Contra a luz seguro o copo de vidro colorido, movimento o liquido colorido dentro, caleidoscópios fluidos.&lt;br /&gt;Ouço gritos, gemidos, lamentos, choros variados das pessoas que estão amarradas no sótão, enquanto isso o líquido rosa flui pelos cristais amarelos, azuis e verdes iluminando-os de tons avermelhados, roxos e pretos.&lt;br /&gt;Hoje é apenas o quinto dia de veiculação, e lá vou eu coletar mais hóspedes. Está subindo um casal, serão dois de uma só vez. Adorei anunciar o atelier.&lt;br /&gt;Nunca imaginariam serem empalhados, revestidos de gesso e espalhados pela cidade, assim tão vulgares para serem eternizados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-7555067291434411214?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/7555067291434411214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=7555067291434411214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7555067291434411214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7555067291434411214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/03/oferta-casa-em-laranjeiras.html' title='Oferta! Casa em laranjeiras'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-7393908447113587960</id><published>2011-03-20T00:43:00.001-03:00</published><updated>2011-03-20T00:43:58.130-03:00</updated><title type='text'>além da portaria</title><content type='html'>D. Ermelinda conversava com seu cachorro, um collie fêmea, que conversava com um cachorro preto de raça indefinida, que olhava guia acima para a empregada da casa, que falava com D. Ermelinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tal falava sozinha, e bem o percebia, mas falava assim mesmo porque na casa do patrão precisava ficar o dia todo calada.&lt;br /&gt;- A senhora não sabe como são sovinas, blablabla, sabe o que eu vi a patroa fazer? Blablabla, e o porteiro interfonou muitas vezes até que blablabla..&lt;br /&gt;D. Ermelinda, enquanto isto, falava com a cadela Mitzi sobre o jantar daquela noite e sobre as visitas do marido, que sempre deixavam a casa de pernas para o ar.&lt;br /&gt;- Quieto, Rex! Nada de fazer porcaria aí, espere, espere, pronto, pode fazer! (a empregada) colocou um penico atrás do cachorro, enquanto ele se abaixava)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. Ermelinda, interessando-se pela estranheza:&lt;br /&gt;- Isso é mesmo um penico? É tão colorido, azul purpurinado!&lt;br /&gt;- Bom, senhora, penico mesmo não é, é um chapéu que o patrão ganhou no baile de carnaval, mas é bem parecido. Olhe só!&lt;br /&gt;- Que estranho! Só não ponha na cabeça depois!&lt;br /&gt;- A senhora é muito engraçadinha.. ridículo mesmo é esse monte de chaves penduradas no pescoço.&lt;br /&gt;D. Ermelinda traz um cordão pendurado no pescoço, desses de colocar crachás, na ponta uma argola grande e muitas chaves, de tamanhos variados.&lt;br /&gt;- Ora, você não traz consigo as chaves da casa? Essas são as minhas chaves: do portão, da porta, de todos os quartos, dos banheiros, das gavetas, da geladeira, do telefone e da cristaleira. Lá em casa é tudo trancado, para evitar surpresas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem vinte e duas chaves penduradas aqui.&lt;br /&gt;- Aposto que a senhora passa horas penteando seu cachorro.&lt;br /&gt;- O que você faz com os cocôs que recolhe ao chapéu?&lt;br /&gt;- lá em casa usamos para gerar energia. O patrão comprou uma máquina que transforma isso aqui em eletricidade. Por enquanto está em teste, só conseguimos acender uma lâmpada.&lt;br /&gt;- Na minha casa não usamos lâmpadas, só velas. Será que essa máquina funciona com microondas? &lt;br /&gt;- Ah, deve funcionar. Só é fedorenta. Quem gosta mesmo dela é o Rex.&lt;br /&gt;(Rex está olhando para D. Ermelinda, que olha para Mitzi, que cheira o traseiro de Rex, que levanta a perna e carimba o poste, que se acende sozinho, que acaba de anoitecer)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-7393908447113587960?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/7393908447113587960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=7393908447113587960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7393908447113587960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7393908447113587960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/03/alem-da-portaria.html' title='além da portaria'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-9149308839077089943</id><published>2011-03-10T17:01:00.001-03:00</published><updated>2011-03-10T17:06:16.854-03:00</updated><title type='text'>Trade Marketing</title><content type='html'>- Renata, acompanhe por favor este senhor ao setor de tesouras? Ele é fabricante e está fazendo pesquisa em nossas lojas.&lt;br /&gt;- Por favor senhor, por aqui. Vamos subir ao terceiro andar.&lt;br /&gt;- Renata? A Loja não tem elevadores? Sou um pouco preguiçoso para escadas.&lt;br /&gt;- Temos sim senhor, mas só para descer. Na subida o elevador sempre transporta carga para reposição.&lt;br /&gt;- Tudo bem, vamos então. Mas não vai fazer mal a você? Reparei que está grávida.&lt;br /&gt;- Sim! Sim! É verdade! Estou grávida de seis meses. No final a ansiedade é tamanha que a gente quase arrebenta. Mas não me faz mal, subo e desço estas escadas umas vinte vezes por dia.&lt;br /&gt;- É menino ou menina?&lt;br /&gt;- Nenhum dos dois, é um Schnauzer. Sabe aquele cãozinho de barba? Apareceu no ultrassom.&lt;br /&gt;- Veja, chegamos às minhas tesouras. Vou ficar por aqui, obrigado e desculpe o trabalho.&lt;br /&gt;- Não há de quê. O senhor gostaria de água e café?&lt;br /&gt;- Por favor, aceito sim. Vou estender minha esteira aqui, trouxe uns biscoitinhos de arroz para acompanhar, que tal?&lt;br /&gt;- Humm, delicioso, vou trazer para mim também então. Escute, não está tocando aquela música do Morrissey, November-qualquer-coisa?&lt;br /&gt;- November Spawned a Monster! Maravilhosa!&lt;br /&gt;- Volto já! Não sabia que os fabricantes de tesouras escutavam Morrissey.&lt;br /&gt;- Fabricantes de tesouras não existem. Nem eu e nem você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-9149308839077089943?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/9149308839077089943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=9149308839077089943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/9149308839077089943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/9149308839077089943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/03/trade-marketing.html' title='Trade Marketing'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-7640841548607198298</id><published>2011-02-26T21:20:00.003-03:00</published><updated>2011-02-26T21:30:49.621-03:00</updated><title type='text'>História de um suspiro</title><content type='html'>Fui inspirado hoje. &lt;br /&gt;Lentamente passei por um belo e jovem nariz, desci por dutos aquecidos, ocupei dois grandes pulmões de alvéolos macios. &lt;br /&gt;Depois saí por onde tinha vindo, porém eu já não era mais o mesmo.&lt;br /&gt;Trazia em mim algo daquele corpo, na mesma medida do que de mim lá dentro teria ficado, ou talvez fosse eu mesmo, mudado. Expirado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-7640841548607198298?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/7640841548607198298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=7640841548607198298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7640841548607198298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7640841548607198298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/02/historia-de-um-suspiro.html' title='História de um suspiro'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-8166825144576993250</id><published>2011-02-18T01:05:00.002-02:00</published><updated>2011-02-18T01:09:34.837-02:00</updated><title type='text'>Pessoas de Vidro</title><content type='html'>Há pessoas de vidro perfeitamente esmaltadas e cheias de conteúdos coloridos como as garrafinhas de areia, porém lisas, frias e frágeis, a ponto de poderem se quebrar a qualquer movimento em falso, porém pesadas e robustas a ponto de pesarem como pequenos fardos.&lt;br /&gt;Elas parecem de plástico, ou mesmo de borracha, mas a impressão é falsa. Basta tocar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-8166825144576993250?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/8166825144576993250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=8166825144576993250' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8166825144576993250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8166825144576993250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/02/pessoas-de-vidro.html' title='Pessoas de Vidro'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-9187309889561340173</id><published>2011-02-14T17:11:00.000-02:00</published><updated>2011-02-14T17:12:14.305-02:00</updated><title type='text'>estações erradas</title><content type='html'>Passados sete anos, seus sete anos de expiação, o destino voltava a ser-lhe favorável.&lt;br /&gt;Abaixando-se, pegou a nota de 20 e sorriu. Hoje não precisaria voltar à pé pela escuridão, nem comer os restos do restaurante da pensão.&lt;br /&gt;Viajaria de ônibus e compraria seu próprio jantar, depois seria uma latinha de cerveja e um café.&lt;br /&gt;Há sete anos não sentia tamanha esperança. Era hora de procurar um emprego, de dormir sobre lençóis limpos e colchões sem insetos, de repor os dentes que faltavam, de usar roupas do tamanho certo.&lt;br /&gt;Há sete anos quebrara tantos espelhos que sua vida regredira à idade média. No pior de seus dias fáceis não teria sido capaz de conceber a existência de tanta gente rudimentar como as pessoas ao redor.&lt;br /&gt;Tivera família, uma loja, funcionários, casa, carro, dinheiro no banco. Então os espelhos apareceram por toda parte, vindos sabe lá de onde, e começaram a cair sobre sua cabeça, cortando, separando, roubando, destruindo, até que se percebera miserável. &lt;br /&gt;Agora ia jantar e depois do Jornal Nacional planejar o futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-9187309889561340173?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/9187309889561340173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=9187309889561340173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/9187309889561340173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/9187309889561340173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/02/estacoes-erradas.html' title='estações erradas'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3539878693207772569</id><published>2011-02-04T00:23:00.005-02:00</published><updated>2011-06-17T10:38:26.684-03:00</updated><title type='text'>Coisa que acontecem quando não tem ninguém olhando - XV</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-b_h3hEPrZe8/TftYuc1EL9I/AAAAAAAAACs/_YNKgHnQTL0/s1600/dominiqueKronemberger.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 263px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-b_h3hEPrZe8/TftYuc1EL9I/AAAAAAAAACs/_YNKgHnQTL0/s400/dominiqueKronemberger.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5619182515110817746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Azulejos brancos, chão úmido, luz fria e insuficiente, zumbido dos refrigeradores.&lt;br /&gt;Atrás do balcão, uma pessoa repugnante veste roupas brancas completamente encardidas e meladas de sujeiras impensáveis.&lt;br /&gt;Peixes fedem em bandejas de plástico em meio a escamas e gelo, criando uma atmosfera de horror na peixaria sombria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Alberto pediu que embrulhassem uma sereia não muito fresca, que soubesse cantar.&lt;br /&gt;Planejava levá-la em uma viagem a Gdansk, para inspecionar submarinos poloneses, mas a tal sereia revelou-se tão abusada desde o princípio que da banheira não saía para lugar algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era verão e já na segunda semana o cheiro de maresia, que era quase palpável no pequeno apartamento, não era percebido pelo proprietário. &lt;br /&gt;Aos cheiros se acostuma, mas cheirava mal o Alberto, que há dez dias não tomava banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveram aquele estranho romance até que aconteceu o inevitável: pelicanos invadiram o banheiro e a despedaçaram. Dela comeram quase tudo, sobraram só algumas postas dilaceradas que renderam não mais que uma moqueca ao pobre velho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3539878693207772569?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3539878693207772569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3539878693207772569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3539878693207772569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3539878693207772569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/02/coisa-que-acontecem-quando-nao-tem.html' title='Coisa que acontecem quando não tem ninguém olhando - XV'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-b_h3hEPrZe8/TftYuc1EL9I/AAAAAAAAACs/_YNKgHnQTL0/s72-c/dominiqueKronemberger.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1333765299485158390</id><published>2011-01-24T00:02:00.001-02:00</published><updated>2011-01-24T18:36:55.836-02:00</updated><title type='text'>passatempo</title><content type='html'>Esfolei a perna há duas semanas, um ferimento leve porém extenso.&lt;br /&gt;Doeu bastante no início, e depois ainda mais, quando a cicatrização repuxava os pelos tornando quase impossível andar.&lt;br /&gt;Agora formou-se completamente uma crosta amarronzada e repulsiva que divirto-me em arrancar aos poucos.&lt;br /&gt;É algo irresistível, como estourar as bolinhas de ar do plástico bolha. &lt;br /&gt;Só paro quando de algum canto brota um filetinho de sangue que suja as unhas e traz de volta alguma dor. Já estou quase curado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1333765299485158390?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1333765299485158390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1333765299485158390' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1333765299485158390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1333765299485158390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2011/01/passatempo.html' title='passatempo'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4105258618172441742</id><published>2010-11-06T02:48:00.003-02:00</published><updated>2010-11-06T02:51:00.477-02:00</updated><title type='text'>Os Problemas de Leda</title><content type='html'>Leda não podia comer açúcares.&lt;br /&gt;Não podia comer sequer frutas ou comer leguminosas adocicadas, pois nascera com uma rara doença.&lt;br /&gt;Fora até aqui uma vida magra de sabores, salgada.&lt;br /&gt;Leda não sentia falta, como não nos falta do que não conhecemos, mas sempre sentiu desejo, uma incrível vontade de conhecer.&lt;br /&gt;Desse modo, idealizava como deveria ser o gosto, imaginou sabores multicoloridos, suaves, luminosos, inebriantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua doença era tão rara que tinha sido diagnosticada em um punhado de pessoas em todo o mundo desde que fora descoberta, há mais de um século. Não há pesquisas, tratamentos ou especialistas, tudo o que se aprendeu sobre a enfermidade é que ela caminha ao longo dos anos para a cura ou para o agravamento letal.&lt;br /&gt;Leda, aos quase 30, estava curada ou condenada. &lt;br /&gt;Beber um copo de suco de laranja, para ela seria o mesmo que jogar roleta russa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, porém, resolveu descobrir seu destino. Comprou uma irresistível bomba de chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doce passou a noite sobre a mesa de jantar, bem no meio, entre papéis de embrulho rasgados e sob os olhos esbugalhados que passaram a noite em claro.&lt;br /&gt;Às 4 da manhã ousou uma lambida, bem de leve, e correu para a pia para lavar a língua. Chorou, nervosa, imaginando ruídos e contrações dentro de si.&lt;br /&gt;Às 8 arriscou uma nova lambida, dessa vez não foi se lavar, deitou-se à espera da morte.&lt;br /&gt;Alguns minutos depois, trêmula, arriscou morder o cantinho. Sentindo-se muito bem, enfiou o doce inteiro na boca. &lt;br /&gt;Estava curada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora de buscar algo realmente doce!&lt;br /&gt;Leda pegou suas economias e partiu em busca da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(no futuro ela não encontrará o Doce Perfeito &lt;br /&gt;e morrerá obesa e hipertensa)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4105258618172441742?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4105258618172441742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4105258618172441742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4105258618172441742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4105258618172441742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/11/os-problemas-de-leda.html' title='Os Problemas de Leda'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4394879943398583100</id><published>2010-11-06T02:26:00.002-02:00</published><updated>2010-11-30T11:00:39.993-02:00</updated><title type='text'>Férias de Anjo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/TPT1XOIA72I/AAAAAAAAACU/5HLKff95flk/s1600/feriasdeanjo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/TPT1XOIA72I/AAAAAAAAACU/5HLKff95flk/s320/feriasdeanjo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545326820477431650" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dois anjos conversavam sentados no canto de um bar irlandês, bebiam absinto com gotas de limão.&lt;br /&gt;Todas as outras pessoas que estavam por ali eram garçons, assim ninguém os via, o que lhes garantia grande privacidade.&lt;br /&gt;Falavam sobre as últimas novidades em maquiagem, sobre receitas da TV, sobre carros, futebol, mulheres, novelas, vestidos e charutos, papos de anjos bêbados. &lt;br /&gt;Sem sexo, trabalho ou preocupações, beber era o que restava a fazer na megalópole frenética.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4394879943398583100?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4394879943398583100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4394879943398583100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4394879943398583100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4394879943398583100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/11/ferias-de-anjo.html' title='Férias de Anjo'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/TPT1XOIA72I/AAAAAAAAACU/5HLKff95flk/s72-c/feriasdeanjo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-617600536911137043</id><published>2010-11-06T02:17:00.002-02:00</published><updated>2010-11-06T02:17:35.653-02:00</updated><title type='text'>No Front</title><content type='html'>- Ei, Reco, dá uma mão aqui!&lt;br /&gt;- Peraí, estou acabando de serrar. Toma!&lt;br /&gt;- É de alguém conhecido?&lt;br /&gt;- Não, é de um mensageiro do XV que esteve por aqui ontem.&lt;br /&gt;- Por que raios esta tenda precisa balançar tanto?&lt;br /&gt;- Estamos sendo bombardeados.&lt;br /&gt;- Já não consigo distinguir as explosões dos tiros. Aumenta o volume do rádio que está tocando Jimi Hendrix e eu costuro mais rápido.&lt;br /&gt;- É bom mesmo doutor, tem muito trabalho acumulado.&lt;br /&gt;- bom, menos um: o coronel está pronto. Agora é só vestir a farda e mandar para casa. Agora é a vez da enfermeira gostosa, vai ser difícil encontrar uma outra perna para ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-617600536911137043?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/617600536911137043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=617600536911137043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/617600536911137043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/617600536911137043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/11/no-front.html' title='No Front'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4525196730713617583</id><published>2010-09-18T16:50:00.000-03:00</published><updated>2010-09-18T16:53:09.726-03:00</updated><title type='text'>crio-laboratorios</title><content type='html'>A pessoa abre os olhos, 20 anos depois, o primeiro caso bem sucedido de congelamento terapêutico humano.&lt;br /&gt;Estava curada de uma grave enfermidade que era considerada incurável quando se inscreveu como voluntária para pesquisas de criogenia.&lt;br /&gt;Historicamente era agora um marco, passara pela cirurgia e recuperação ainda inconsciente, e fora ressuscitada (ou reanimada, diziam).&lt;br /&gt;O lado ruim: ao longo das duas décadas tinha perdido seus pais, o marido, suas economias, o apartamento, o emprego. Não conseguia lidar com eletrodomésticos modernos, não conhecia computador, suas roupas eram fora de moda e estava careca.&lt;br /&gt;Sua rotina era de testes, comidinhas de bebê, fotos, exames, entrevistas.&lt;br /&gt;Expectativa de vida: mais 60 anos. Aos 40, tinha mesmo 60. Chegaria aos 120 com 100?&lt;br /&gt;Passava por tudo isso com uma certa melancolia e sonhava com geladeiras macias e lençóis molhados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4525196730713617583?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4525196730713617583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4525196730713617583' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4525196730713617583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4525196730713617583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/09/crio-laboratorios.html' title='crio-laboratorios'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4587280446696128996</id><published>2010-09-16T06:36:00.000-03:00</published><updated>2010-09-16T06:39:20.715-03:00</updated><title type='text'>Idéias nada boas e algumas chaves</title><content type='html'>Está bem, vou contar como tudo aconteceu desde o início, para o senhor entender pelo que eu passei hoje. E ver que eu não sou louca, nem agressiva, pode perguntar a qualquer um.&lt;br /&gt;Estava em meu escritório, no alto de uma das torres do Rio Sul, calmamente admirando a vista enquanto aguardava a chegada de um importante cliente.&lt;br /&gt;Foi quando o telefone tocou novamente. Pela décima vez. Nas nove vezes anteriores alguém telefonava insistentemente e ficava em silêncio quando eu atendia. Mas havia alguém lá, eu podia ouvir a respiração. Eu desligava, mas a pessoa ficava ali prendendo a linha até cair a ligação, então a campainha tocava novamente. &lt;br /&gt;Eu estava quase perdendo o controle, quando a Margarete telefonou. Isso mesmo, na décima vez era ela, a diarista nova que meu marido contratou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô? Dona Cecília?&lt;br /&gt;- Oh, finalmente consegui falar com a senhora! Isso aqui está muito complicado. &lt;br /&gt;- Tudo bem, não vou ocupar o tempo da senhora, é só para dizer que os moços já vieram buscar a geladeira. Da próxima vez a senhora precisa me avisar antes, pelo menos para eu descongelar, foi pingando água pelo tapete da sala.&lt;br /&gt;- Era da firma que conserta geladeiras mesmo, deixaram até um cartão deles, tem uma geladeira desenhada. Tem um telefone anotado aqui, mas não dá para ler direito, a caneta está borrada. Também, tanta água que vazou só podia borrar.&lt;br /&gt;- As carnes para o churrasco do seu Mauro? Ah, aqui não tem isopor, eu coloquei as carnes dentro da máquina de lavar. Pelo menos não junta sangue, tem aqueles furinhos e escorre para o ralo se eu ligo para bater. Mas não se preocupe, não vai pegar gosto de sabão, eu embrulhei as carnes com um lençol velho que tinha aqui, um assim bordadinho, sabe qual é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto, senhor delegado, eu comecei a gritar, descontrolada. Sim, xinguei bastante, a família também, a dela e a do ladrão de geladeiras. Ela simplesmente não parecia ser capaz de compreender o que havia acontecido.&lt;br /&gt;Mas isso foi só o início. Ouvi um zumbido distante, depois percebi que era o som do interfone. Começou a segunda parte da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eita! Que estresse! Espera um pouco, o interfone está tocando.&lt;br /&gt;- Mas seu Orlando, dona Cecília disse que não era para ter subido ninguém. Nem era para terem levado a geladeira.&lt;br /&gt;- Não sei, acho que ela não está de mudança. Ela está no escritório trabalhando e está muito nervosa hoje.&lt;br /&gt;- Fala para o caminhão esperar então. O rapaz da geladeira trabalha nessa firma também? Aquele moreno bem fortão? Que coincidência! Espera um pouco, vou passar um pente no cabelo, depois o senhor pode deixar que subam Ai, seu Orlando! É hoje que eu me perco!  &lt;br /&gt;(voz se aproxima)&lt;br /&gt;-Ops! Esqueci o telefone fora do gancho!&lt;br /&gt;(click)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente cancelei a reunião e corri para meu apartamento. Desci os trinta andares de escadas da torre pulando os degraus de quatro em quatro para chegar mais rápido que o elevador. Peguei o primeiro táxi que passou, mas de Botafogo a Vargem Grande demoramos cerca de uma hora e quinze.&lt;br /&gt;Quando chegamos, passei correndo pelo porteiro, só deu tempo de perceber um sorrisinho maroto, imaginei logo tramas e cumplicidades mas fui adiante pois vi Margareth sentada ali na poltrona do hall.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, dona Cecília! Correu tudo bem, o pessoal foi bem rápido. Aqui estão as suas chaves, hoje vou cobrar só a metade porque nem precisei limpar os banheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi o controle, sabe? O primeiro soco foi em cheio no nariz, depois continuei acertando o rosto, a barriga. Usei as mãos, cotovelos, joelhos. Não era eu quem batia, era alguma força primitiva, eu destruí a mulher.&lt;br /&gt;Tirei de suas mãos as chaves, subi e destranquei a porta.&lt;br /&gt;Escuridão.&lt;br /&gt;Acendi as luzes e todos começaram a gritar meu nome e vivas e parabéns, logo fui cercada por uma multidão de amigos. &lt;br /&gt;Claro! É meu aniversário, uma festa surpresa. Eu ali no meio, descabelada, amassada e suja de sangue.&lt;br /&gt;A diarista? É uma atriz que o Mario contratou, foi um plano para me roubar do escritório no final da tarde.&lt;br /&gt;Ela vai ficar bem?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4587280446696128996?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4587280446696128996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4587280446696128996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4587280446696128996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4587280446696128996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/09/ideias-nada-boas-e-algumas-chaves.html' title='Idéias nada boas e algumas chaves'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-9065263400441254596</id><published>2010-08-27T10:10:00.001-03:00</published><updated>2010-08-27T10:10:38.301-03:00</updated><title type='text'>viagens interplanetárias I</title><content type='html'>Aqui em Marte há um vulcão com quilômetros de altura, em cuja cratera quase caberia a França. É bastante estranho estar aqui, tudo assim tão vermelho de longe mas tão morto de perto.&lt;br /&gt;Marte faz a Lua parecer um Lego de gigantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-9065263400441254596?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/9065263400441254596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=9065263400441254596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/9065263400441254596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/9065263400441254596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/08/viagens-interplanetarias-i.html' title='viagens interplanetárias I'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6063354472400827325</id><published>2010-08-09T00:21:00.000-03:00</published><updated>2010-08-09T00:22:35.796-03:00</updated><title type='text'>Bagagem de mão</title><content type='html'>Avião de aspecto surrado, como uma mala gasta de tantas viagens. Cheiro de revestimentos antigos, couros vencidos, plásticos queimados, amarelados e pegajosos, como uma volta ao passado nos meus primeiros vôos.&lt;br /&gt;- O avião tem menos de 30 anos. O senhor aí, está preparado para abrir a saída de emergência, se for preciso? A porta pesa dezessete quilos. Leia as instruções por favor. E o senhor, está preparado? &lt;br /&gt;O pessoal de bordo é parte jovial e alegre, parte velhaco e surrado como a nave, uns em seu primeiro emprego, outros em final de carreira.&lt;br /&gt;O espaço é razoável, cabem as pernas dobradas sem esbarrar os joelhos na poltrona da frente, mas estranhamente os lugares pulam do a-b-c para o j-k-l.&lt;br /&gt;A limpeza é suspeita, tudo tem aspecto muito gasto, alguns pontos ao redor com vestígios de molho de tomate, que não é servido a bordo, partes com pinturas sobrepostas, partes desgastadas.&lt;br /&gt;Os elementos comuns: as pessoas. Essas, ainda mais comuns, populares, praticamente rodoviárias. Exceto pela menina raquítica cheia de piercings no rosto, que é visualmente diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decolagem está atrasada, a todo instante chegam ônibus trazendo pequenos grupos de passageiros, recolhidos aqui e ali pelo aeroporto. Meus fones tocam “as we sleep” de Lou Reed e Laurie Anderson, música que combina com a cor local.&lt;br /&gt;O último grupo chegou, há uma senhora em cadeira de rodas. Como o acesso é por escada, seis carregadores de malas e mecânicos tentaram juntos erguê-la, sem sucesso. Foi preciso utilizar uma empilhadeira, que deixou manchas de óleo e ferrugem na roupa clara da senhora. A cadeira foi amarrada junto à porta e a senhora à cadeira: vão viajar ali mesmo.&lt;br /&gt;O sol vai subindo no céu, aumentando o calor alguns graus acima da capacidade de refrigeração, os passageiros suam, os cheiros pioram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cochilo. Acordo, motores. Enfim vamos decolar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritos no banheiro, gritos femininos e pancadas na porta.&lt;br /&gt;Aeromoça jovem: - Senhora, a porta está trancada, não consigo abrir por fora! Senhora, o que houve? Pode destravar, senhora?&lt;br /&gt;Aeromoça velhaca chuta a parte de baixo da porta enquanto a jovem puxa onde pode. A porta destrava e se abre.&lt;br /&gt;Senhora desdentada, histérica: - Deixei minha dentadura cair na privada, pisei naquela pedal e ela foi sugada, deve ter caído na cidade lá em baixo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em baixo já era Paraná. Chovendo dentaduras.&lt;br /&gt;- Senhora, não se preocupe, ao dar descarga, o material não é lançado sobre as pessoas e sim recolhido ao esgoto químico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheiro de óleo queimado, de táxi velho, de motor gasto. Microfonia no sistema de som, falhas de pressurização da cabine. Um avião feito de muitos aviões, cada pedaço com mil histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrevoamos Curitiba por quase uma hora, em círculos em meio a densas nuvens, vento e turbulência. Enquanto isso, escrevi o relato de uma viagem aérea de terror e colei na bandeja para o próximo passageiro ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Céu nublado, lá ia eu, ansiedades e cores na bagagem de mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6063354472400827325?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6063354472400827325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6063354472400827325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6063354472400827325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6063354472400827325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/08/bagagem-de-mao.html' title='Bagagem de mão'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6826091361141605195</id><published>2010-07-23T10:20:00.000-03:00</published><updated>2010-07-23T10:22:14.145-03:00</updated><title type='text'>Colônia de Férias</title><content type='html'>Tchick! Tchick!&lt;br /&gt;Pronto, lá se vai a última franja.&lt;br /&gt;Agora vamos aos rabos-de-cavalo..ah, a Renata nunca mais vai jogar esses cabelos por cima dos ombros!&lt;br /&gt;Tchik! Tchick! Mais um..Tchik! Ahaha, que delícia!&lt;br /&gt;E elas nem sentem nada, coloquei umas pílulas da mamãe na jarra de suco, todo mundo dormindo desmaiado. E ficando tosquiadas hahaha..&lt;br /&gt;Bom, deixa cortar um pouco do meu também, e esconder a tesoura. Quando acordarmos vai ser desespero total.&lt;br /&gt;E o culpado só poderá ser o Bruninho, dessa vez a Tia enforca ele!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6826091361141605195?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6826091361141605195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6826091361141605195' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6826091361141605195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6826091361141605195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/07/colonia-de-ferias.html' title='Colônia de Férias'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1245076044242735202</id><published>2010-07-05T00:48:00.001-03:00</published><updated>2010-07-05T00:48:48.164-03:00</updated><title type='text'>A Fera de Bom Jesus</title><content type='html'>Compadre, aqui na cidade só tem dois açougues e mesmo assim eles sempre dão conta do recado. Toda sexta-feira um boi é abatido e as pessoas antes disso já reservam para si as melhores partes. Eu tinha encomendado a picanha, até paguei adiantado ao Armando, e onde é que ela foi parar?&lt;br /&gt;Eu sei, encomendei filé, está faltando também. Foi tudo para o papo do leão. O Armando disse que vão matar mais um boi amanhã. &lt;br /&gt;Hoje ainda é segunda! Desse jeito, se não expulsarmos eles da cidade, vai faltar carne na próxima semana.&lt;br /&gt;Não sei como será, o maldito já está urrando de fome, já comeu tudo o que tinha à venda por aí. Não vai dar para esperar até amanhã para matar boi e botar no balcão não.&lt;br /&gt;Esse leão é muito feroz, disseram que já atacou um domador. Arrancou a garganta dele com uma patada, depois comeu o que conseguiu. Fera quando prova a carne de gente não esquece o gosto.&lt;br /&gt;Já reparou como olha para as crianças que vão lá espiar os bichos? Olhos de sangue!&lt;br /&gt;As pessoas estão com medo de sair de casa. Se não tocarmos eles daqui, aposto que o bicho foge da jaula para comer o povo aqui de Bom Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velha, escute os rugidos do leão. O bicho não está mais aguentando de fome. &lt;br /&gt;Ai, Sinhô, ele vai comer todo mundo!&lt;br /&gt;Ah, vai, se escapar, vai. Se não arranjarem um bom pedaço de carne para ele, é melhor trancarmos a porta.&lt;br /&gt;Sinhô, as meninas disseram que vai ter assembléia no clube, o prefeito e o pastor querem expulsar o circo da cidade amanhã cedo. É melhor você ir também, que é homem, as meninas disseram que só podem ir os homens. As mulheres armaram um bingo lá na igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eita, Manuel, cidadezinha de merda, buraco de lugar. Fim de mundo. Não tem comida para vender, nem para a gente e muito menos para os animais. Precisamos recolher a lona e partir para outra cidade.&lt;br /&gt;Eu disse para não entrarmos aqui, olha só no que deu: não vem ninguém há três dias. Só umas crianças remelentas ficam rondando as jaulas. Já experimentou sair à rua? Parece que vão te queimar vivo: se olho soltasse raios como na tv já estaríamos perfurados.&lt;br /&gt;Manuel, avisa a todos que vamos embora. Está muito estranho lá fora, a cidade está deserta desde cedo, os homens foram ali para aquela casa azul, as mulheres para a igreja. Esse silêncio todo me assusta. Mande desmontarem urgente, quero pegar a estrada em duas horas.&lt;br /&gt;E o leão, o que fazemos com ele? Não vai dar para viajar assim. &lt;br /&gt;Quer saber? Vamos deixar o leão. Esse pulguento só arruma confusão e dá despesa. &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Solta num quintal qualquer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1245076044242735202?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1245076044242735202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1245076044242735202' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1245076044242735202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1245076044242735202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/07/fera-de-bom-jesus.html' title='A Fera de Bom Jesus'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1046404543354040523</id><published>2010-05-30T22:58:00.000-03:00</published><updated>2010-05-30T22:59:05.711-03:00</updated><title type='text'>Olhos Azuis</title><content type='html'>A menina fechou a porta do banheiro sem fazer barulho. Delicadamente, estendeu sobre a bancada um lenço branco bordadinho. Abriu um pequeno estojo de porcelana, colocou um pouco de água morna e arrumou bem no centro do lenço.&lt;br /&gt;Levou as mãos ao rosto em meio a um sorriso e experimentou algumas caretas divertidas. Segurou o olho esquerdo, com um gesto suave porém decidido, introduziu o indicador na lateral, perto do nariz, e com um barulhinho úmido – ploc – arrancou o olho.&lt;br /&gt;Colocou o globo no estojo, esfregou um pouco para limpar, o olho bom viu a água tingir-se de um rosa claro, como o do seu vestido, o olho de vidro olhava para ela lá do fundo.&lt;br /&gt;O espelho refletia o rosto adolescente, de pele lisa e sedosa, cabelos curtos tingidos de azul, longos cílios e o vazio onde se encaixava o olho.&lt;br /&gt;Era um buraco escuro, lá dentro escondiam-se o cérebro e todas as conexões que faziam a menina funcionar. &lt;br /&gt;Larissa passou o dedinho bem de leve ao redor do buraco, arrepio, era sensível como a sola dos pés, uma sensibilidade aflitiva. Deslizou o indicador lá para dentro, nunca antes tivera essa coragem. &lt;br /&gt;Sentia a ponta da unha explorando o lado de dentro da cabeça, tocava em partes macias, partes úmidas, partes retesadas, sentia-se invertida, sentia-se por dentro e por fora, conectada. Explorou-se um pouco, inundada de sensações.&lt;br /&gt;Então viu novamente seu reflexo, e viu o que fazia, surpreendida, como se estivesse nua em público. Aflita e culpada, retirou os dedos, introduziu um chumaço de algodão no buraco e recolocou o olho.&lt;br /&gt;Reflexo..escorria uma gotinha de sangue, como uma lágrima, que a menina lambeu com a pontinha da língua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1046404543354040523?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1046404543354040523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1046404543354040523' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1046404543354040523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1046404543354040523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/05/olhos-azuis.html' title='Olhos Azuis'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5186033885536033182</id><published>2010-05-21T21:26:00.000-03:00</published><updated>2010-05-21T21:27:01.189-03:00</updated><title type='text'>Hospitalar I</title><content type='html'>Não, menina, o carro foi rebocado.&lt;br /&gt;Isso, r-e-b-o-c-a-d-o. Parei em frente ao hospital, não tinha nada sinalizado, já parei lá muitas vezes e hoje resolveram rebocar.&lt;br /&gt;Preciso que você traga o carro do seu pai até aqui, vou precisar sair correndo para da uma palestra.&lt;br /&gt;Quem está comigo? Da equipe você só conhece a Luciana. &lt;br /&gt;Ok, pode falar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá, Joana, como vai?&lt;br /&gt;E o namorado? Outro dia vi vocês em frente ao shopping, um casal lindinho!&lt;br /&gt;Ah, aqui a coisa está preta. Como?&lt;br /&gt;Peraí&lt;br /&gt;Pronto doutora, use este.&lt;br /&gt;Olha, Joana, não é uma hora muito boa. Preciso fazer alguns procedimentos aqui. Falar com sua mãe? Acho que ela não pode mais atender, já iniciamos.&lt;br /&gt;Pode? Desculpe, doutora, pensei...tome o celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana, ligue para o Beto, ele conhece umas pessoas do Detran. Para saber em que depósito o carro foi parar.&lt;br /&gt;Estou puta da vida. Isso vai me atrasar toda.&lt;br /&gt;Olha, preciso desligar. Quase fiz besteira aqui.&lt;br /&gt;Tudo bem, tudo bem, pode ir no sábado, agora desligue.&lt;br /&gt;Um beijo para você também.&lt;br /&gt;(desliga)&lt;br /&gt;Lu, acho que isso aqui não vai mais ter conserto. Vamos cortar.&lt;br /&gt;Passe a serra de amputação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ih, doutora, espirrou sangue no meu café! Droga! Era o último da garrafa.&lt;br /&gt;Acho que essa serra está um pouco cega, está esbeiçando a pele. Tente esta aqui.&lt;br /&gt;Agora sim, parece que está cortando manteiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Agora é só costurar. Vamos logo com isso, ainda temos mais duas cirurgias hoje, uma de apêndice e outra amputação. Não sei o que fazem com esses pedaços todos de gente, podíamos juntar para fazer um monstro como o de Frankestein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hahaha aposto que em poucas semanas daria para completar o monstro. Estou com uma fome! Topa um churrasco depois? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opa! Acho que cortamos o pé errado. Não era o direito? Putaquepariu, cortamos o esquerdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o esquerdo mesmo, está aqui na ficha. O direito foi ontem. &lt;br /&gt;Deixa eu terminar de fechar isso e vamos almoçar, teremos uma tarde cheia. Eu pago o chope.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5186033885536033182?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5186033885536033182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5186033885536033182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5186033885536033182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5186033885536033182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/05/hospitalar-i.html' title='Hospitalar I'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1795210385604170363</id><published>2010-05-21T21:25:00.000-03:00</published><updated>2010-05-21T21:26:06.076-03:00</updated><title type='text'>Hospitalar II</title><content type='html'>- O elevador de macas quebrou. E agora, como faço para descer este sujeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele está muito mal? Nós dois podemos levantá-lo para descermos no elevador comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá, o cara é pesado demais. Olha só a pança. E o tamanho. Esses caras inertes pesam o dobro do que pesam quando estão acordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Podemos amarrar na maca e colocá-la em pé dentro do elevador, lá embaixo nós deitamos de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá, não cabe. Podemos também descer pela escada de emergência. Vai na frente escorando que eu vou atrás segurando. Agora foi! São só dois andares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra, está muito pesado, não agüento mais escorar o sujeito. Vou sair da frente, vira para a parede que pára de descer.&lt;br /&gt;(tump!)&lt;br /&gt;Caralho! Ele rolou para o chão. Quer saber? Vamos deixar aí. Senão a gente vai se dar mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o pessoal da UTI que pediu para descê-lo. Acho que foi aquele médico novinho. Não posso deixar o paciente aqui, senão vai pegar para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peraí, vou chamar uns caras para ajudar..&lt;br /&gt;(voltando com 3 pessoas da equipe de faxina)&lt;br /&gt;É esse aí. Precisamos colocar na maca e depois descer o conjunto até o andar da UTI.&lt;br /&gt;Cuidado que o sujeito está mal. Não pega atrás que ele se cagou todo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1795210385604170363?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1795210385604170363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1795210385604170363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1795210385604170363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1795210385604170363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/05/hospitalar-ii.html' title='Hospitalar II'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6226103172934300264</id><published>2010-05-21T21:22:00.001-03:00</published><updated>2010-05-21T21:25:06.567-03:00</updated><title type='text'>Hospitalar III</title><content type='html'>Alô?&lt;br /&gt;Alô?&lt;br /&gt;Pois não, enfermaria do segundo andar, qual é seu quarto?&lt;br /&gt;228. É que o soro está quase acabando, precisa vir trocar.&lt;br /&gt;Sim senhor, vamos agora mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alô?&lt;br /&gt;Alô?&lt;br /&gt;Pois não, enfermaria do segundo andar, qual é seu quarto?&lt;br /&gt;228. Eu liguei faz algum tempo, o soro já acabou, troquem por favor.&lt;br /&gt;Senhor, o soro já foi trocado há menos de 5 minutos. Está aqui na ficha.&lt;br /&gt;Deve haver algum engano, ninguém esteve aqui, nem trocou o soro.&lt;br /&gt;Vamos substituir novamente, senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alô?&lt;br /&gt;Alô?&lt;br /&gt;Pois não, enfermaria do segundo andar, qual..&lt;br /&gt;228! Estou ficando irritado com você. Sabe muito bem qual é o meu quarto! Onde está o soro? Quem é a enfermeira chefe?&lt;br /&gt;Sou eu mesma senhor. Já substituímos duas vezes o soro em menos de meia hora. Da última vez a garrafa estava pela metade, eu mesma vi.&lt;br /&gt;Vocês devem estar indo ao quarto errado.&lt;br /&gt;Não senhor, nunca erramos. Está aqui, quarto 238.&lt;br /&gt;Eu estou no 228! DoisDOISoito.&lt;br /&gt;Porque não disse logo? Quer as coisas com urgência e dá o quarto errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TocToc!&lt;br /&gt;Ah, até que enfim! Minha avó está ficando desidratada, o soro terminou há muito tempo. &lt;br /&gt;Com licença, senhor. (enfermeira instala recipiente de soro)&lt;br /&gt;Obrigado.&lt;br /&gt;Senhor, o senhor se chama Olavo?&lt;br /&gt;Sim, sou eu.&lt;br /&gt;Tem uma paciente telefonando sem parar para o posto de enfermagem à procura do senhor. Ela diz que é sua avó, é a paciente do 328.&lt;br /&gt;SÉRIO? Eu bem que tinha estranhado a voz dela. Achei que era efeito da anestesia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6226103172934300264?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6226103172934300264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6226103172934300264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6226103172934300264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6226103172934300264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/05/hospitalar-iii.html' title='Hospitalar III'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-8372495481437933490</id><published>2010-05-09T22:33:00.000-03:00</published><updated>2010-05-09T22:46:14.524-03:00</updated><title type='text'>Romeu e Julieta</title><content type='html'>Na pizzaria pediram sabor goiabada com queijo, estranharam a garrafinha azul que chegou junto com a pizza.&lt;br /&gt;Era um frasco de vidro pequeno, de um azul intenso, escuro, com algum líquido vermelho que parecia preto na base. &lt;br /&gt;Cada um tomou um longo gole, e não voltaram mais para casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-8372495481437933490?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/8372495481437933490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=8372495481437933490' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8372495481437933490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8372495481437933490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/05/romeu-e-julieta.html' title='Romeu e Julieta'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2309691656356076124</id><published>2010-05-09T22:28:00.002-03:00</published><updated>2010-05-09T22:33:02.171-03:00</updated><title type='text'>Lançamento do Livro Contos Noturnos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/S-diH3bm5WI/AAAAAAAAACE/7o3n8FQFH8c/s1600/capaLivro.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 204px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/S-diH3bm5WI/AAAAAAAAACE/7o3n8FQFH8c/s320/capaLivro.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469448159743108450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lançamento na Livraria Blooks, na Praia de Botafogo, dia 18/5 a partir de 18h, todos estão convidados! Depois disso o livro poderá se encontrado nas principais livrarias, vai custar R$19,00 e contém 36 textos extraídos aqui do blog, escritos entre dezembro de 2007 e novembro de 2009. Os textos pulicados foram retirados do ar, agora só impressos mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2309691656356076124?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2309691656356076124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2309691656356076124' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2309691656356076124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2309691656356076124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/05/lancamento-do-livro-contos-noturnos.html' title='Lançamento do Livro Contos Noturnos'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/S-diH3bm5WI/AAAAAAAAACE/7o3n8FQFH8c/s72-c/capaLivro.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6413659517476103109</id><published>2010-05-02T18:28:00.001-03:00</published><updated>2010-05-02T18:28:29.058-03:00</updated><title type='text'>mais um dia, talvez</title><content type='html'>6 letras, esta é fácil. 7 chances. Então vamos lá, diga qual é a letra.&lt;br /&gt;A.&lt;br /&gt;Não tem A. Coloque isto por favor. (entrega a corda cor de palha, meio desfiada e malcheirosa)&lt;br /&gt;Como cheira mal!&lt;br /&gt;Desculpe, mas todas as cordas estão muito usadas, às vezes demoramos para recolhê-las e o cheiro não sai de todo. Deve espetar um pouco, está um pouco ressecada.&lt;br /&gt;Bem, letra E.&lt;br /&gt;Não tem E, tire os sapatos, por favor. Pode ficar de meias, está frio hoje.&lt;br /&gt;O que vai fazer com eles?&lt;br /&gt;Provavelmente um dos porteiros levará para a caixa de doações, estão ainda bem conservados. Apesar de visivelmente deformados, estão bons.&lt;br /&gt;É que eu piso com os pés abertos, os sapatos sempre gastam de forma desigual, e ficam entortados para dentro. &lt;br /&gt;O que sugere agora?&lt;br /&gt;A próxima vogal, I. Deve ter vogais.&lt;br /&gt;Tem sim, desta vez acertamos. Há duas letras I.&lt;br /&gt;_ i _ i _ _&lt;br /&gt;Opa! A sorte começa a mudar! &lt;br /&gt;Não conte com isso, sorte não existe. &lt;br /&gt;É uma discussão que não se pode ter, não sou determinista.&lt;br /&gt;Bom, eu sou um pouco, mas sempre acho importante dar alguma chance ao acaso, ainda que não exista.&lt;br /&gt;Como não existiria, se é acaso?&lt;br /&gt;O acaso é a parte dos acontecimentos que não conhecemos, o resultado aparece e surpreende, mas é resultado de algo. Próxima letra, por favor. Precisamos terminar antes do pôr do Sol.&lt;br /&gt;Ah, não se apresse, temos pelo menos uma hora pela frente. Letra O.&lt;br /&gt;Ok, temos letra O. é a última letra.&lt;br /&gt;_ i _ i _ o&lt;br /&gt;Faltam três! Letra C?&lt;br /&gt;Não, não tem a letra C. Fique de pé por favor.&lt;br /&gt;Ah, que pena, esta cadeira é ótima.&lt;br /&gt;Não se preocupe, talvez logo o senhor volte a ocupá-la. Próxima letra.&lt;br /&gt;Letra T.&lt;br /&gt;Temos a letra T. lá no final.&lt;br /&gt;_ i _ i t o&lt;br /&gt;Ainda tenho quatro chances! Posso fumar?&lt;br /&gt;Não quer deixar para fumar depois?&lt;br /&gt;Não, agora, por favor. (acende uma cigarrilha bem escura)&lt;br /&gt;Humm, melhorou o cheiro agora. Sua cigarrilha é bastante perfumada. Dá vontade de comê-la!&lt;br /&gt;Tenho outra aqui, fique à vontade.&lt;br /&gt;(mastigando) um pouco amarga, talvez, como rúcula, com um quê de comida defumada.&lt;br /&gt;Sim, queijos defumados.&lt;br /&gt;Estou ficando com fome, por favor, vamos lá, próximo palpite.&lt;br /&gt;Tudo bem...L?&lt;br /&gt;A palavra não tem L. Puxa por favor a cadeira mais para a frente e fique em pé sobre ela. Cuidado para não cair, está um pouco bamba.&lt;br /&gt;(terminando a cigarrilha, move a cadeira rumo ao centro do quarto). O que acontece se eu acertar a palavra?&lt;br /&gt;Será minha vez novamente.&lt;br /&gt;Dizem que você sempre ganha, que é um homem enciclopédico.&lt;br /&gt;Enciclopédico não, homem-dicionário talvez. Gosto de jogar. Mas as chances estão todas comigo, mais cedo ou mais tarde eu ganho, fazer o quê? Sou pago para isto.&lt;br /&gt;Haham, letra R.&lt;br /&gt;Não tem R. Preciso pedir que aperte o nó da corda, pode fazê-lo por cima de seu colarinho para não espetar.&lt;br /&gt;Posso ter uma taça de vinho?&lt;br /&gt;Sinto muito, nossa religião não permite. Serve suco de uva? Temos de maracujá também.&lt;br /&gt;Não, obrigado. Um copo de água gelada está bom.&lt;br /&gt;(bebe em goles curtos)&lt;br /&gt;Letra M!&lt;br /&gt;Quase! Ops, desculpe, foi emoção. Agora o sr precisa jogar a outra ponta da corda por cima da trave aí no teto. Ótimo, espere um pouco (amarra a outra ponta da corda a uma argola que há na parede oposta)&lt;br /&gt;Letra V, temos letra V?&lt;br /&gt;Não. Nada de V. Vou fingir que não ouvi, tente outra coisa.&lt;br /&gt;Que palavra é esta? &lt;br /&gt;Não posso ajudar mais. Resta uma chance.&lt;br /&gt;F!&lt;br /&gt;Opa! Acertou esta!&lt;br /&gt;F i _ i t o&lt;br /&gt;Ah, agora está fácil mesmo, N! &lt;br /&gt;F-I-N-I-T-O!&lt;br /&gt;Acertou! Desça logo daí! Vamos tomar um café quente para relaxar! Ainda nos restam 40 minutos, dá tempo de jogarmos mais uma partida hoje. Sinto que você é bom, podemos jogar por anos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6413659517476103109?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6413659517476103109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6413659517476103109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6413659517476103109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6413659517476103109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/05/mais-um-dia-talvez.html' title='mais um dia, talvez'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3001031350241790910</id><published>2010-04-17T18:06:00.002-03:00</published><updated>2010-04-17T18:15:33.576-03:00</updated><title type='text'>A Mulher Invisível</title><content type='html'>A Mulher Invisível se move pelos corredores, de sala em sala, imaterial.&lt;br /&gt;Habita outras dimensões, este é o segredo, consegue penetrar em brechas a nós invisíveis. Fica escondida por baixo das dimensões usuais. &lt;br /&gt;Quando está invisível, não tem cheiro nem volume para nós, mas pode ver de lá tudo o que acontece por aqui, as dimensões são membranas e ela consegue ver através, como em um carro com películas escuras aplicadas nos vidros. Ou melhor, como se estivesse por trás de um espelho.&lt;br /&gt;Como é invisível não precisa se preocupar com roupas ou com maquiagem, a dimensão que utiliza é desabitada e isso é uma vantagem bem prática. É ruim não poder ser vista por ninguém, nem poder interagir com os colegas, só interage com o Homem Invisível.&lt;br /&gt;Acontece que o Homem Invisível só é visível para ela, e ele é insuportável. Como não tem com quem falar, fica alugando seus ouvidos com papos de negócios e de futebol, tem um bafo de bueiro e um aspecto repugnante.&lt;br /&gt;Vez por outra ela foge e se materializa do lado de cá, mas quando isto acontece pode se ver nos reflexos, a cada vez mais gorda, com olheiras, celulite, cabelos desgrenhados. Acabada. É que o tempo passa em velocidades diferentes.&lt;br /&gt;Sempre há um conhecido que a observa surpreso: &lt;br /&gt;- Nossa! Você por aqui? &lt;br /&gt;- Lembro de quando você pesava uns 45 quilos...&lt;br /&gt;- Sempre de férias, hã?&lt;br /&gt;Então ela volta, prisioneira, e encontra o Homem Invisível sentado diante de sua tv, por toda parte, e lendo o jornal, e tomando um uísque com cigarro e digitando coisas sem olhar em sua cara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3001031350241790910?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3001031350241790910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3001031350241790910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3001031350241790910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3001031350241790910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/04/mulher-invisivel.html' title='A Mulher Invisível'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1236729930419869887</id><published>2010-03-15T01:20:00.000-03:00</published><updated>2010-03-15T01:21:00.553-03:00</updated><title type='text'>Os Outros</title><content type='html'>Cada um poderia ter sido muitos outros, e as pessoas poderiam estar organizadas assim em infinitas sociedades, infinitos grupos possíveis. Um novelo de gente, um emaranhado de braços, que talvez nem importem muito estar aqui ou ali porque todos giram em conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes alguém encontra um lugar que é só seu, então faz algo notável que leva o todo a se mover um pouco mais para o lado. A massa vai acertando seus rumos e caminha ou rola sem direção ao longo dos anos, mas se move. A prova do movimento é a distância percorrida, as diferenças em relação ao passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar poderia ter sido dentista, e ter feito algo errado na boca do diretor no dia do suicídio, algo que o fizesse ir para casa ao invés da empresa, um pouco antes, e talvez o tiro não tivesse acontecido. Omar poderia ter sido policial, e poderia ter revelado que aquilo tinha sido um crime disfarçado de suicídio, poderia ter sido motorista de ônibus, e ter batido no carro vermelho que partira em alta velocidade cruzando a pista. Poderia ter sido porteiro, e ter impedido a entrada do senhor agitado e suado que insistira em falar com o diretor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar foi um matador profissional contratado pelo dentista, no dia do crime subornou o porteiro para entrar, atirou no diretor, plantou as provas para simular suicídio. Esta foi a versão aceita pela polícia para explicar os fatos, e a versão aceita pela empresa de ônibus para explicar um arranhão vermelho no para-choque dianteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar foi um funcionário que transportava o dinheiro da firma todos os dias, recolhia o movimento do dia anterior das lojas e depositava no banco. Naquele dia, mesmo restando algumas coletas a fazer, retornou à empresa para examinar as contas. Ao chegar, ouviu tiros no pátio da empresa e fugiu à toda, achando que eram dirigidos ao seu carro. Quase foi atingido por um ônibus que cruzou a pista em altíssima velocidade e podia jurar que o motorista estava de olhos fechados. Depois ficou sabendo da morte do diretor. Esta foi a versão aceita pelo gerente financeiro, já que algumas lojas não foram visitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar foi um motorista de ônibus que cochilou ao volante em plena Avenida Brasil, e em alta velocidade por pouco não esmagou um carro vermelho que saiu de repente de uma fábrica. Sorte que o sol refletido na lataria trouxe um lampejo que o despertou bem a tempo. Por acaso houve um suicídio ou crime na empresa bem naquela hora, deu no jornal, e ele ficou muito chocado no ponto final, precisou tomar umas doses para aliviar-se da tensão, esta foi a versão aceita por sua esposa para justificar o grande atraso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar foi o amante do diretor, que apesar de casado era homossexual. Tinham alugado um consultório em um centro médico e um longo tratamento dentário justificava os encontros semanais. Mas descobriu que o diretor estava fazendo um tratamento de pele demorado em um consultório de Botafogo e, tomado de ciúmes, cancelou o encontro daquela semana. Ao invés de esperar em seu consultório, foi até a fábrica preparado para revelar tudo, e para fazer um grande escândalo. Mas foi surpreendido pelo espelho da portaria: estava um lixo, suado e decomposto. Tinha esquecido sua nécessaire e não sabia onde era o banheiro, uma situação desesperadora. Acabou voltando dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar foi policial, e na época trabalhava como porteiro para complementar a renda de assassino profissional e de motorista de ônibus. Aquele dia tinha sido agitado demais para ele, sobretudo porque sua arma tinha desaparecido e depois surgira nas mãos do diretor, com uma cápsula vazia e um projétil alojado dentro do chefe. Sorte que o número tinha sido raspado, e não haveria digitais. Saiu do trabalho diretamente para o boteco, de onde não saiu ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar agora é diretor, mas começou de baixo, primeiro como vendedor ambulante, depois dirigindo ônibus e carros de entrega. Foi porteiro, vigia, entregador e gerente financeiro. Quase desistiu de sua vida quando teve um relacionamento tórrido com seu dentista, coisa de momento, queria ser assistente de consultório, mas então conheceu uma linda escultora e com ela se casou. As empresas do sogro prosperaram e ele foi promovido a diretor de operações para a América Latina. Omar é feliz, e da vida não tem o que reclamar, no entanto anda sempre armado, tem uma estranha sensação de perigo iminente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1236729930419869887?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1236729930419869887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1236729930419869887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1236729930419869887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1236729930419869887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/03/os-outros.html' title='Os Outros'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-7888218104268761978</id><published>2010-03-14T15:43:00.001-03:00</published><updated>2010-03-14T15:48:34.833-03:00</updated><title type='text'>Free Ride</title><content type='html'>Giro o volante 30 graus à esquerda e recolho o sorriso de uma estudante magricela. Todos os dentes, com um pedaço do maxilar.&lt;br /&gt;Hahaha. Acelero voltando à pista. Aciono os limpadores do pára-brisa, já olhando avidamente pelo retrovisor. Ninguém, noite escura.&lt;br /&gt;Os tons de vermelho sobrepostos no capô refletem neons e criam rastros amarelados dos postes de rua.&lt;br /&gt;A grade cromada do radiador sorri satisfeita, brilhante, o carro roda roncando alto, alimentado, espirrando retalhos de tecidos fumegantes pelos canos de descarga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-7888218104268761978?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/7888218104268761978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=7888218104268761978' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7888218104268761978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/7888218104268761978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/03/free-ride.html' title='Free Ride'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3987534682406140048</id><published>2010-03-02T12:36:00.000-03:00</published><updated>2010-03-02T12:37:36.898-03:00</updated><title type='text'>Nefertiti rumo a Botafogo</title><content type='html'>A pessoa sentada ali adiante bem pode ter sido uma múmia, tem o mesmo pé moreno, preto de putrefação, torto. As pernas finas, arqueadas em conjunto pelos séculos de enrijecimento.&lt;br /&gt;Os cabelos são pretos, o olhar é distante, o rosto é magro e anguloso, sombrio. &lt;br /&gt;Ela mexe nos cabelos, jogando-os sobre a pessoa de trás. Alguns tufos se desprendem e caem no chão sujo do metrô.&lt;br /&gt;Maquiagem pesada (máscara?) e dentes longos, amarelados, em um sorriso frouxo e inerte. A roupa é roubada, certamente quando passou por um quintal de São Cristóvão em fuga do museu. Dá para reparar pela bolsa Pink Panther, que não combina nada com os chinelos dois números maiores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3987534682406140048?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3987534682406140048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3987534682406140048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3987534682406140048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3987534682406140048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/03/nefertiti-rumo-botafogo.html' title='Nefertiti rumo a Botafogo'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-475301315102016722</id><published>2010-02-20T23:02:00.000-02:00</published><updated>2010-02-20T23:03:34.654-03:00</updated><title type='text'>fantasmas</title><content type='html'>Vejo os fantasmas das pessoas vivas, porém mais novas, de quando eram de minhas relações, tal qual interferências das imagens de um televisor.&lt;br /&gt;São transparentes, etéreos, levemente colorizados, e fazem sempre os mesmos gestos, as mesmas cenas.&lt;br /&gt;Vejo as pessoas das imagens e não consigo acreditar que são as mesmas de minhas memórias, que o tempo tanto mudou.&lt;br /&gt;Os fantasmas, a seu lado, evidenciam suas misérias e as minhas. Parecem reclamar de decisões não tomadas, assombram arrependimentos e lembranças.&lt;br /&gt;Imagino as pessoas futuras, deitadas rígidas e com a pele amarelecida como cera, exangues. Assombram o tempo, os intervalos.&lt;br /&gt;Ontem estive à cabeceira de um morto em um cemitério triste, um hotel de mortos. Não o conheci em vida, nunca existiu para mim, nem vai gerar interferências. Meu écrã anda movimentado demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-475301315102016722?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/475301315102016722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=475301315102016722' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/475301315102016722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/475301315102016722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/02/fantasmas.html' title='fantasmas'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1014437572534876057</id><published>2010-02-10T08:08:00.002-02:00</published><updated>2010-02-10T08:49:36.476-02:00</updated><title type='text'>Vejo couros cabeludos ou não</title><content type='html'>Para onde foram os cabelos de tantos carecas?&lt;br /&gt;Cabelos crescem mesmo após a morte, mas precisam estar grudados ao corpo. Ou será que continuam crescendo mesmo sem ele?&lt;br /&gt;Talvez os fios costumem fugir à noite para poderem se alongar e misturar, para virarem coisas diferentes ou mesmo para coisificarem idéias. Talvez os fios roubem idéias, talvez eles contenham as idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Café Villarino estava cheio de pessoas carecas hoje. Estranhamente, todos os clientes e garçons traziam o topo de suas cabeças desmatado e brilhante, exceto eu mesmo. Almocei sentado a uma mesa do canto, escondido, discretamente sentindo alguma condenação nos olhares. Como se houvesse alguma culpa nisso.&lt;br /&gt;Os cabelos devem ter sido requisitados pela cozinha, raspados um pouco antes de eu chegar. Pude ler isto, e uma intenção maléfica no olhar do garçom que se aproximava. &lt;br /&gt;O que havia atrás da bandeja, que ele tão estranhamente trazia colada ao peito?&lt;br /&gt;Imaginei um spaguetti de grossos cabelos à carbonara, cabelos boiando em toda a superfície de um creme de aspargos, cabelos enrolados em um espetinho de frango, sanduíche de cabelos com patê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi a fome, enjoado, imaginando aquilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei novamente, agora todos estavam cabeludos. Ostentavam cabeleiras cheias, desgrenhadas, de todas as cores. E também bigodes, barbas, costeletas, suíças, cavanhaques, pelos no nariz e nas orelhas, pelos nas bochechas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é menos ou mais normal de se ver? Em que situação é mais provável encontrar os cabelos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fome voltou, pedi um prato executivo, salmão com arroz de brócolis, muito boa pedida ali, sem intrusos no prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas estavam agitadas, falando alto, pediam espelhos, bandejas, talheres, qualquer superfície reflexiva ao garçom. Pessoas agora sem cabeça, em vão tentavam lembrar de como um dia tinham sido, em vão tentavam sair do restaurante mas não encontravam a saída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1014437572534876057?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1014437572534876057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1014437572534876057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1014437572534876057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1014437572534876057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/02/para-onde-foram-os-cabelos-de-tantos.html' title='Vejo couros cabeludos ou não'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4791329993878849238</id><published>2010-02-10T08:04:00.000-02:00</published><updated>2010-02-10T08:05:13.777-02:00</updated><title type='text'>Profissões: telemktg</title><content type='html'>Posicionei a cadeira de frente para a quina da mesa. &lt;br /&gt;Enquanto trabalho no computador de monitor pequeno e escuro, meu estômago é pressionado contra a ponta de madeira. Os pés estão dobrados para trás, forçando os joelhos, pois tanto a mesa como a cadeira são baixas demais para mim.&lt;br /&gt;A luz ambiente é excessivamente branca, refletindo-se nas paredes e papéis, e é gerada por poderosos refletores que aquecem o ambiente.&lt;br /&gt;Não há refrigeração, nem água para beber, as janelas estão fechadas. O suor escorre em minhas costas, braços, cabeça, molhando as calças e o chão.&lt;br /&gt;O som ensurdecedor de diversas britadeiras combinadas penetra os vidros sujos, bem como as vozes de mais de cem pessoas espremidas no cubículo de trabalho.&lt;br /&gt;Uso um fone pesado, desequilibrado e malcheiroso e faço ligações de telemarketing.&lt;br /&gt;Somos muitos e estamos aqui presos, é domingo a tarde e só poderemos sair quando cem pessoas disserem sim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4791329993878849238?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4791329993878849238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4791329993878849238' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4791329993878849238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4791329993878849238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/02/profissoes-telemktg.html' title='Profissões: telemktg'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-9143461801722322422</id><published>2010-01-15T01:50:00.002-02:00</published><updated>2010-01-15T16:02:23.423-02:00</updated><title type='text'>Coisas que acontecem quando não tem ninguem olhando – XIV</title><content type='html'>Esperava ansioso pelo carteiro. Dia após dia, uma longa espera.&lt;br /&gt;(quem na cidade espera por um carteiro?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardava a chegada de um pacote grande, entrega especial, uma caixa de papelão com barbante,  nomes rabiscados, carimbos.&lt;br /&gt;A encomenda: uma bicicleta com inúmeras marchas, com a qual finalmente realizaria o sonho de sua vida, que era viajar pedalando. Planejava já percorrer duzentos quilômetros no mês seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caixa enfim foi entregue, mas não era de papelão, e sim de madeira. Parecia ter séculos de idade, ao redor alguns textos impressos em alemão. Estranho, a bicicleta era coreana. &lt;br /&gt;Conferiu o número da remessa com a nota fiscal, o código de produto estava correto. &lt;br /&gt;Removeu alguns pregos e abriu a tampa lateral: tubos metálicos, pinos, corrente, gancho.&lt;br /&gt;Telefonou para o serviço de atendimento ao consumidor, após algumas horas conseguiu agendar a visita de um técnico (para substituir? Consertar?). Resolveu  ver o que era aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma estranha máquina. Tinha quatro pés com um pouco mais de um metro de altura, fixados um ao outro por hastes horizontais. No topo desta estrutura, um cilindro de ferro ficava encaixado. Do cilindro saía uma manivela e no centro estava fixada uma das pontas da corrente. A outra ponta estava conectada ao gancho. Completando o conjunto, argolas de ferro na parte de baixo dos quatro pés. Parecia-se com uma espécie primitiva de guindaste doméstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O técnico um dia chegou, mas falava alemão e ele não conseguia se fazer entender. Elevavam as vozes cada vez mais, quase gritando, vermelhos e suados, quando o homem de repente saiu. Voltou logo depois, arrastando o faxineiro, que ria bastante.&lt;br /&gt;Prendeu os pulsos e os tornozelos às argolas dos pés. &lt;br /&gt;(um novo equipamento de ginástica?)&lt;br /&gt;Agora o faxineiro protestava, mas estava imobilizado. O técnico abriu a mochila e sacou uma faca dessas de fazer churrasco, e antes que alguém compreendesse o que planejava fazer, cravou-a na barriga da vítima, cortando suavemente de baixo do esterno até o umbigo.&lt;br /&gt;Prendeu o gancho ao intestino e começou a girar a manivela, e o faxineiro se sentiu esvaziado e morto.&lt;br /&gt;Limpou as mãos no jeans surrado e retirou da bolsa um livro, atirando-o ao colo do cliente paralisado: “Mesa esviceradora. Manual de uso. Português”. Ele não entendia nada daquilo, por que tanta gente comprava esse monstro se havia tantas coisas divertidas anunciadas no site? Depois ficavam assim, com essa expressão idiota no rosto. E mudos. Nunca conseguia uma gorjeta, saudade de seus tempos de entregador de pizza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-9143461801722322422?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/9143461801722322422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=9143461801722322422' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/9143461801722322422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/9143461801722322422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2010/01/coisas-que-acontecem-quando-nao-tem.html' title='Coisas que acontecem quando não tem ninguem olhando – XIV'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5473920024027734060</id><published>2009-12-14T09:17:00.002-02:00</published><updated>2009-12-14T09:36:54.178-02:00</updated><title type='text'>bob</title><content type='html'>Meus pais disseram: pegue esta cabeça de robô e vá à luta!&lt;br /&gt;Assim o fiz: lá fora fui amassando ovos e sapos sem falar com estranhos.&lt;br /&gt;Não conheci ninguém, não tenho nada que me prenda ao mundo, família, casa, nada.&lt;br /&gt;Ando pelas ruas com o capacete verde, pelo grande "T" recortado eu vejo o mundo, ouço pelos fones os sons metalizados.&lt;br /&gt;Se algo me incomoda, desintegro - por dentro ou por fora, tanto faz, depende do dia e do ânimo.&lt;br /&gt;Desintegrei meus pais, a nossa casa, os vizinhos, a rua, o síndico, os amigos da escola, uns porteiros e uns advogados.&lt;br /&gt;Depois reapareceram e sumiram e tornaram a voltar e a ir, sempre acontece quando as dimensões se cruzam.&lt;br /&gt;Faz muito calor na cabeça mas o capacete eu não posso tirar, senão cortam-se os circuitos e não sei o que poderia acontecer depois de tantos anos. Tenho medo de modelos novos, mas a ferrugem chegou e é questão de sobrevivência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5473920024027734060?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5473920024027734060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5473920024027734060' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5473920024027734060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5473920024027734060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/12/bob.html' title='bob'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6378805571492094194</id><published>2009-12-14T09:04:00.004-02:00</published><updated>2009-12-14T09:09:11.778-02:00</updated><title type='text'>Livro Contos Noturnos</title><content type='html'>37 textos acabam de ser removidos aqui do blog, eles serão publicados em livro pela editora Escrita Fina no primeiro semestre de 2010. Não adianta por enquanto procurar outros livros ou o site da editora, é uma editora nova que vai ser lançada em março. Escrita fina é um selo de literatura jovem de um grupo editorial que é também responsável pelo selo Tinta Negra e pela editora Ao Livro Técnico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6378805571492094194?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6378805571492094194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6378805571492094194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6378805571492094194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6378805571492094194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/12/livro-contos-noturnos.html' title='Livro Contos Noturnos'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3044944268555085867</id><published>2009-07-28T00:16:00.001-03:00</published><updated>2009-07-28T00:20:12.591-03:00</updated><title type='text'>nuvens de chiclete</title><content type='html'>Fumo alguns centímetros de fumo chocolate com menta no cachimbo curto marrom claro enquanto o fumo faz pensar em balas e taças de vinho do porto e em sorrisos que podem ser tão enigmáticos aqui quanto nas reproduções da Mona Lisa.&lt;br /&gt;O que é Mona? Talvez tenha a ver com a unidade, talvez com única (estéreo x mono). Mas sorrisos reproduzidos da Mona a vulgarizam, popularizam, desgastam sua imagem como a das inspetoras de escola ou trocadoras de ônibus.&lt;br /&gt;Por que está Lisa? Ou é Lisa, como a Minelli ou uma dessas cantoras? Nome pop com certeza. Podia ter sido Cindy ou Madonna, que aliás até remete também a obra de arte italiana.&lt;br /&gt;Mas uns sorrisos como o dela é que são raros e talvez misteriosos. &lt;br /&gt;Aromas imaginados de menta circulam pela fumaça lembrando coisas assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3044944268555085867?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3044944268555085867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3044944268555085867' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3044944268555085867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3044944268555085867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/07/nuvens-de-chiclete.html' title='nuvens de chiclete'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2053157673692747865</id><published>2009-07-28T00:15:00.000-03:00</published><updated>2009-07-28T00:16:48.534-03:00</updated><title type='text'>Pff...</title><content type='html'>Um show horrível, músicas destas de bar, trilha sonora para beber à luz de velas. Ao redor, casais estranhos.&lt;br /&gt;Procuro imaginar o crânio da moça sentada à mesa da frente, a música não ajuda. &lt;br /&gt;Umas taças de vinho espantaram o frio e as inquietações, fizeram esquecer os salames que sei ver pendurados ali na cozinha.&lt;br /&gt;Nada além. Imagino poesias e pessoas que escrevem e seus crânios e ossos e as carnes que os revestem molhadas de chuva ao som de alguma música mais &lt;br /&gt;decente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2053157673692747865?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2053157673692747865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2053157673692747865' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2053157673692747865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2053157673692747865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/07/pff.html' title='Pff...'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-8896747875251713046</id><published>2009-06-19T02:30:00.002-03:00</published><updated>2009-06-19T02:32:02.444-03:00</updated><title type='text'>Package</title><content type='html'>Aterro do Flamengo. Quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trânsito incrivelmente fluido, íamos todos a quase 100, carros mudando de faixa e se misturando sem se encostar, quase um balé visto de dentro o carro vedado, apenas o ruído da ventilação e um cd do Pixies tocando baixinho.&lt;br /&gt;De repente, um cobertor embolado no meio da pista, compacto, alongado, quase um embrulho. Desviei bruscamente, um estranho pressentimento, uma impressão de que havia algo enrolado ali.&lt;br /&gt;A sensação esteve latente durante todo o dia, desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16:30. Sexta-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo caminho, mesmo silêncio, agora Echo tocando Killing Moon, balé de carros a toda velocidade. Como todos os dias.&lt;br /&gt;Num instante o pressentimento voltou, sutil como uma lembrança de infância, e eis que um homem resolveu cruzar a pista em pleno trânsito. Ruído de freios, buzinas, ele deixou cair algo na pista antes de completar a corrida.&lt;br /&gt;Olhava preocupado para um cobertor embolado no meio da pista, apenas pude vê-lo de relance mas poderia jurar que era idêntico ao anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira, pela manhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notícias pelo rádio, um avião acabara de desaparecer dos radares sobre o atlântico. Depoimentos de um piloto, um técnico, um sindicalista, um parente revoltado.&lt;br /&gt;Dirigia ansioso, os olhos espalhados ao longo das largas pistas e canteiros, nada a vista, nem mesmo no local dos incidentes anteriores. &lt;br /&gt;Entrei no túnel, recheado de escuridão, trânsito parado. Ruído de estática. Então um silêncio mais profundo que a escuridão, frio, senti que o dia se apagava ao redor.&lt;br /&gt;Eu nada podia ver nem ouvir, mas sentia que algo dentro do carro estava se mexendo. Percebi o movimento por algum deslocamento de ar ou de pressão. Era no banco de trás, e contínuo, algo pulsando e se arrastando.&lt;br /&gt;Congelado de medo, tentei alcançar a trava da porta, mas ela não estava mais ali, tentei gritar e não conseguia, já não alcançava o volante nem os pedais, cercado de vazios.&lt;br /&gt;Só conseguia perceber o lento arrastar da coisa. Estávamos só nós dois ali. O frio era úmido, pegajoso. Imóvel, senti quando os pequenos dentes começaram a trabalhar no meu braço direito, perdi a consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terça-feira?&lt;br /&gt;Abri os olhos, uma fresta de luz, cheiro horrível. Dali podia ver um horizonte cinzento, pedrinhas, pneus enormes, ferragens. Aquilo tudo se movimentava em uma incrível e indizível velocidade.&lt;br /&gt;Então compreendi: o embrulho era eu. O homem era eu. O frio e o movimento e os dentes eram meus,.desde o início.&lt;br /&gt;Acelerei para esmagar e atropelar, incendiar e iluminar todos os eus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-8896747875251713046?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/8896747875251713046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=8896747875251713046' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8896747875251713046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8896747875251713046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/06/package.html' title='Package'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-121304646165479423</id><published>2009-05-24T03:53:00.001-03:00</published><updated>2009-05-24T03:53:53.414-03:00</updated><title type='text'>Amanhecer</title><content type='html'>Sentira-se meio descarrilhada hoje, estranha desde que acordara e vira os chapéus planando sobre a grama do jardim da frente. Devia ter fechado as cortinas no dia anterior para que não precisasse vê-los, mas os barulhos da noite a assustavam sobremaneira, assim gostava de poder contar com a luz do poste se infiltrado pelos vidros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhecera um dia ensolarado, uma luz que suspendia poeirinhas pelo ar. Os primeiros sons foram de um canário, de um vendedor ambulante de loterias e de um caminhão barulhento. Então três sombras passaram e tornaram a passar, contornos distintos de chapéus antigos. Foi até a janela, lá estavam eles, executando um vôo-dança.&lt;br /&gt;Clara estava vestindo apenas uma camisolinha de seda e apesar disso sentia um calor insuportável no quarto. Por onde andava, o calor a seguia como que irradiado por seu próprio corpo. Estranho, se estivesse febil sentiria frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geladeira estava aberta, quase vazia. Sobre a mesa uma grande bagunça, cascas de ovos, farinha por toda parte, pedaços de papel, cascas de laranja. O forno estava ligado com um bolo grande lá dentro.&lt;br /&gt;Okok, era mesmo seu aniversário, mas não conseguia imaginar como eles tinham descoberto isto. Desde que chegara de Portugal, há noventa anos atrás, podia contar nos dedos as vezes em que houvera festas de aniversário. &lt;br /&gt;Seus pais eram contra festejar, festas consumiam os poucos recursos de que dispunham e acendiam o desejo de transgredir sempre presente nos corações dos jovens. Só o Natal escapava todos os anos, mais como um elemento do contrato social que por devoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou um longo banho, penteou os cabelos ruivos e entrou em um vestido bem decotado, vermelho e aveludado. Olhou-se no espelho oval, uma linda cocotte. Aparentava os vinte anos que tinha no final da década de 1930, quando era normalista e jovenzinha.&lt;br /&gt;Naquela época precisava inventar trabalhos na casa de amigas e reuniões sociais de diversos cunhos, sobretudo religiosos, para esconder aventuras e romances. Aplicou batom, blush, rímel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu os degraus aos saltos, dois ou três por vez, dando gritinhos e risadas. “Devo ter tomado alguma pílula a mais ontem”, pensava, divertida, e ao mesmo tempo pensava ansiosa nos beijos que roubaria do jardineiro (que só chegaria às nove). Ainda eram sete, e pensar no jardineiro trouxe a lembrança dos chapéus esvoaçantes do jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu a porta para que pudessem entrar. Na cozinha, o café já estava servido para quatro pessoas. No centro da mesa, um bolo de chocolate coberto de velas, tantas que quase não deixavam ver a deliciosa cobertura.  A geladeira estava fechada, o forno desligado, nenhuma louça suja (só usava descartáveis). O calor continuava, ela agora já irradiava luz, uma luz amarelada e quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As velas começaram a derreter antes de terem sido completamente acesas. Escorriam sobre o bolo, gotejavam na mesa. A toalha da mesa incendiou. &lt;br /&gt;O fogo se alastrou rapidamente, queimou tudo na casa e em seguida nas casas dos vizinhos mais próximos. Então se extinguiu tão rapidamente como tinha começado. Tudo o que se via ao redor estava carbonizado, exceto quatro chapéus antigos que dançavam valsas imaginárias levados pelo vento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-121304646165479423?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/121304646165479423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=121304646165479423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/121304646165479423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/121304646165479423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/05/amanhecer.html' title='Amanhecer'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-642501610132789219</id><published>2009-05-06T00:12:00.002-03:00</published><updated>2009-05-06T00:17:08.218-03:00</updated><title type='text'>Gostosuras ou Travessuras?</title><content type='html'>Andava apressado para buscar o carro no estacionamento do MAM, já era fim de tarde e eu estava um pouco atrasado. Quando descia a larga rampa da passarela sobre o Aterro, cruzei com a Xuxa Fake.&lt;br /&gt;Já a tinha avistado em duas ocasiões: uma ali no centro mesmo e outra na Barra, dançando no sinal de trânsito entre os carros e depois pedindo trocados aos motoristas. Agora subia apressada, no rosto um sorriso triangular que dizia “Sou louco sim, se quiser tirar uma foto custa baratinho” ou “Qual é o problema? Também preciso sobreviver”.&lt;br /&gt;Xuxa fake é um homem por dentro de um tipo de roupa que a apresentadora de verdade usava há uns vinte anos atrás, imagino se desde esta época o sujeito se traveste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um homem em Copacabana que só veste pijamas, sai a qualquer hora só com a roupa de dormir, trabalha vestido assim, anda de metrô vestido assim. Imagino que deve dormir nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois (parece mentira, em Copacabana mesmo) cruzei com um fusca colorido dirigido por um palhaço. Presos no trânsito éramos todos nós palhaços, mas estou certo de que não era um protesto contra engarrafamentos, era simplesmente um palhaço voltando para casa depois do trabalho.&lt;br /&gt;Trabalha em algum circo ou em algum órgão do governo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas fantasiadas estão ganhando as ruas. Tenho visto homens-estátua pintados de prateado, homens-coelho da páscoa, homens-xuxa e homens-palhaço. Os meninos de sinal estão sendo substituídos por eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, antes dos meninos, malabaristas de limões, nos sinais havia artistas argentinos. Mais equipados, estes tinham malabares, tochas, argolas, chapéus. Foram perdendo o viço, a proliferação dos limões voadores deixou o malabarismo uma arte fácil, desvalorizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas fantasiadas que tenho visto devem ser os argentinos, em uma ensaiada revanche. São mudos, disfarçados, e não precisam jogar nada para cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino como serão as coisas se os meninos de sinal resolverem também se fantasiar, desvalorizando os travestidos. Serão milhares de Sacis, Batmans, Darth Vaders, Zumbis, Chucks. &lt;br /&gt;Mascarados, esconderão também os escrúpulos e qualquer derradeiro sentimento de civilização e passarão a aterrorizar os motoristas. &lt;br /&gt;- Um Saci pulou sobre meu carro e fez xixi no pára-brisas.&lt;br /&gt;- A Morte levou meu relógio.&lt;br /&gt;- Dois Batmans estavam na moto que me perseguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os argentinos precisarão pensar rápido em alguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-642501610132789219?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/642501610132789219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=642501610132789219' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/642501610132789219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/642501610132789219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/05/gostosuras-ou-travessuras.html' title='Gostosuras ou Travessuras?'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4641527459000076894</id><published>2009-04-27T16:23:00.001-03:00</published><updated>2009-04-27T16:23:49.752-03:00</updated><title type='text'>E se fosse logo ali?</title><content type='html'>E se ninguém gostasse do amarelo?&lt;br /&gt;Precisaríamos repintar coisas demais.&lt;br /&gt;E se ninguém gostasse do c, do p,  do x? &lt;br /&gt;Precisaríamos inventar outras letras para substituí-las no discurso.&lt;br /&gt;Ainda assim, não deixariam de existir. Habitariam o fundo de alguém, raros e preciosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se os dedos fossem moles e não conseguissem apertar as teclas, será que as teclas existiriam?&lt;br /&gt;E se ao invés de letras tívéssemos apenas sons?&lt;br /&gt;E se no país dos cegos as letras sumissem?&lt;br /&gt;E se os ciganos cegos pudessem ler as espinhas e rugas ao invés das mãos?&lt;br /&gt;E se não houvesse o que pegar, o que apontar, o que escrever, &lt;br /&gt;Os dedos precisariam encontrar outras utilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se os olhos fossem quadrados, e não fosse possível rolá-los nas órbitas,&lt;br /&gt;Teríamos pescoços musculosos de tanto virar a cabeça.&lt;br /&gt;Usaríamos óculos quadrados, com a lente pequena.&lt;br /&gt;Por que mesmo os óculos têm os dois lados iguais? &lt;br /&gt;Cada lente poderia ser num formato diferente, uma redonda outra retangular,&lt;br /&gt;De cada lado, um rosto. Uma pessoa diferente conforme o lado que se vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma companhia diferente dependendo de onde estivesse você.&lt;br /&gt;Como aquelas pessoas de marte que andam por aí fazendo barulho nos joelhos, destruídos de tanto subir nos vulcões quilométricos de lá carregando algumas coisas que já não existem mais em muitos pontos do universo. Cores, letras, destinos, dedos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4641527459000076894?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4641527459000076894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4641527459000076894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4641527459000076894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4641527459000076894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/04/e-se-fosse-logo-ali.html' title='E se fosse logo ali?'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4068319728241387329</id><published>2009-03-29T18:19:00.002-03:00</published><updated>2009-03-29T18:19:53.361-03:00</updated><title type='text'>Self healing</title><content type='html'>Olhei para minhas mãos sobrepostas, o polegar direito pressionando com firmeza o indicador esquerdo, estranha dormência na mão toda.&lt;br /&gt;Removido o polegar, vi a cabeça do prego, prateada, quase sumindo pela ponta, que era de um amarelado pálido, um tanto estranho e insensível.&lt;br /&gt;Comecei a puxar com as unhas do outro indicador e do polegar e aos poucos o corpo prateado deslizava para fora. Limpo e brilhante, 8 centímetros de comprimento, a ponta ligeiramente torta.&lt;br /&gt;O dedo era menor que o prego, mas não houve sangue algum. Houve sim uma extirpação de algum fantasma, algum tormento que nem sei qual foi, como um vodu desfeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4068319728241387329?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4068319728241387329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4068319728241387329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4068319728241387329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4068319728241387329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/03/self-healing.html' title='Self healing'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-8764344870958493984</id><published>2009-03-20T00:31:00.001-03:00</published><updated>2009-03-20T00:32:59.713-03:00</updated><title type='text'>um pouquinho de Depeche Mode</title><content type='html'>I´m taking a ride with my best friend&lt;br /&gt;I hope you´ll never let me down again&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-8764344870958493984?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/8764344870958493984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=8764344870958493984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8764344870958493984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8764344870958493984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/03/um-pouquinho-de-depeche-mode.html' title='um pouquinho de Depeche Mode'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2502037726326397363</id><published>2009-03-20T00:28:00.001-03:00</published><updated>2009-03-20T00:30:54.226-03:00</updated><title type='text'>Imóvel realmente imóvel</title><content type='html'>O apartamento estava em escombros.&lt;br /&gt;Eu nunca havia estado em um lugar assim antes e agora percorria os aposentos sobre tábuas rangentes e descoradas do piso, cercado por paredes mofadas e descascadas. Junto aos cantos, emaranhados de fios saíam dos rodapés embolados e confusos, tudo bem velho.&lt;br /&gt;A cozinha sombria não me convidou a entrar. Vi apenas a geladeira meio branca meio enferrujada e ladrilhos azuis rachados, poeira, muita poeira. E teias de aranha por todas as partes, e alguns potes de vidro com comidas podres, verdes, esbranquiçadas.&lt;br /&gt;Móveis velhos, amontoados nos cantos, roupas ensacadas sobre eles, sacolas de supermercados que já nem existem mais. Um sofá, não, dois, de um couro desbotado e puído, pés de mesa sem a mesa.&lt;br /&gt;Suspeito de ratos, de baratas, traças, lagartos, escorpiões, aranhas, morcegos.&lt;br /&gt;Um quarto abandonado, coisas caídas nas prateleiras, papéis rasgados pelo chão, parecia ter sido revistado por uma patrulha da gestapo. Cheiro ruim, ar pesado, olhos ardendo.&lt;br /&gt;Um banheiro amplo, banheira amarela, tudo imundo, e nas prateleiras frascos com perfumes antigos, garrafas de vidro grandes com líquidos coloridos decantados, borras coloridas lá dentro, espelho escurecido, medo de olhar lá dentro.&lt;br /&gt;O quarto ao lado, cama vermelha ainda arrumada, muitas sacolas por toda parte, um closet com esqueleto dentro. Estava tudo assim, deteriorado e envelhecido, desde que a inquilina anterior morrera ali mesmo na cama vermelha. Pelo visto, nem o lençol trocaram.&lt;br /&gt;Tudo ali era tristeza, pesar, escuridão. Um local perfeito para alguns crimes, pensei: um incêndio, um assassinato ou um rapto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, insistia o proprietário:&lt;br /&gt;- Não é uma beleza? Com uma pequena reforma pode virar um palácio.&lt;br /&gt;(ou um mausoléu?)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2502037726326397363?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2502037726326397363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2502037726326397363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2502037726326397363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2502037726326397363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/03/imovel-realmente-imovel.html' title='Imóvel realmente imóvel'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-475653059788217441</id><published>2009-03-09T06:24:00.001-03:00</published><updated>2009-04-08T14:40:32.843-03:00</updated><title type='text'>AeroÔnibus</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Transporte aéreo coletivo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SdzhK58q0LI/AAAAAAAAAB8/1Ok03_ielN0/s1600-h/aeroonibus.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 245px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SdzhK58q0LI/AAAAAAAAAB8/1Ok03_ielN0/s320/aeroonibus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322376437115310258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fundada em 2008, a Empresa Interamericana de Ônibus Aéreos ltda é a única companhia aérea em todo mundo a oferecer o transporte realmente coletivo de passageiros.&lt;br /&gt;Agora é possível viajar grandes distâncias em pouquíssimo tempo e a um custo realmente baixo, com toda a segurança de uma viagem aérea comum.&lt;br /&gt;Enquanto os aviões convencionais de uso doméstico transportam uma média de 200 passageiros, nossas aeronaves estão equipadas para o transporte de até 500 almas sem bagagem. O segredo está na eliminação das poltronas, que são mais volumosas que confortáveis.&lt;br /&gt;Os aeroônibus realizam viagens de curta duração, em trechos de grande movimento de passageiros. Deste modo, ninguém se cansa de ficar em pé.&lt;br /&gt;Espaço e segurança: fixados ao teto, suportes elásticos prendem-se à cintura dos viajantes, delimitando o lugar que cada um pode ocupar e evitando quedas. Graças a esta inovação não é preciso segurar em parte alguma, e os braços ficam livres para transportar as bagagens de mão. Os passageiros assim organizados ajudam na distribuição interna do peso e no equilíbrio da aeronave.&lt;br /&gt;Nossas principais rotas são Rio-São Paulo, Rio-Belo Horizonte, Rio-Brasília e São Paulo-Brasília e não temos horários fixos, basta que o passageiro compre o bilhete na hora de embarcar. Lotou o avião, ele decola.&lt;br /&gt;E chega de assentos marcados, números e letras. Quem chegar primeiro pega os melhores lugares.&lt;br /&gt;Nós somos assim, simples, apressados e modernos como você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perca peso voando!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Que tal ir a Brasília para ver de perto o nosso Presidente?&lt;br /&gt;Está sem dinheiro para viajar? Em nossos aeroônibus isto custa quase o mesmo que almoçar em um restaurante a quilo. E você ainda fica em forma!&lt;br /&gt;Deixando de almoçar na ida e na volta, você perde 1 kg, e se o passeio for em nossa classe popular pode perder muitos mais, pois não há refrigeração para reduzir o custo.&lt;br /&gt;No trecho Rio-São Paulo, por exemplo, é possível adquirir bilhetes a partir de R$30,00.&lt;br /&gt;E a água é liberada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acumule vantagens em nosso programa de pontos!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada milha percorrida você tem direito a pontos que pode trocar por alimentos e outros itens que tornarão seus vôos ainda mais agradáveis.&lt;br /&gt;1000 milhas, por exemplo, já podem ser trocadas por uma empada de frango.&lt;br /&gt;É muito fácil adquirir pontos! Você pode juntar pontos extras comprando sua passagem em dinheiro ou vencendo as partidas de bingo que sempre divertem e trazem conforto à sala de espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Responsabilidade Social&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Adotamos o programa Primeiro Emprego do governo federal, proporcionando a jovens de baixa renda a entrada no mercado de trabalho. Os menores aprendizes desempenham em nossa companhia atividades de grande responsabilidade, como pilotagem e manutenção.&lt;br /&gt;Somos a equipe mais jovem do Brasil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma empresa voltada para o Futuro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nossos dois CTC-Di (centros de treinamento de condutores e desenvolvimento industrial) estão sendo construídos protótipos do aeroônibus do futuro, que dentro de 30 anos estará pronto para levar passageiros em viagens espaciais de turismo ao redor da Terra.&lt;br /&gt;Serão naves-leito, com poltronas reclináveis, banheiro, ar-condicionado e música ambiente.&lt;br /&gt;Os primeiros testes de propulsão já foram realizados e tecnicamente as viagens já se tornaram possíveis, no entanto ainda é necessário desenvolver uma fonte barata de antimatéria, o combustível utilizado.&lt;br /&gt;Por enquanto, as verbas disponíveis permitiram apenas o teste em escala, utilizando modelos construídos em papel Chamex. Para produzir em laboratório a quantidade de antimatéria necessária para fazer uma viagem em órbita da Terra, custa hoje mais que o PIB de nosso país.&lt;br /&gt;Mas nossas pesquisas avançam nesta busca por novas fontes de energia, e estamos desenvolvendo a antimatéria de feijoada, um combustível para foguetes autossustentável e 100% brasileiro. Toda sexta-feira tem pesquisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-475653059788217441?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/475653059788217441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=475653059788217441' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/475653059788217441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/475653059788217441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/03/aeroonibus.html' title='AeroÔnibus'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SdzhK58q0LI/AAAAAAAAAB8/1Ok03_ielN0/s72-c/aeroonibus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5413154532119439604</id><published>2009-02-22T00:59:00.001-03:00</published><updated>2009-02-22T01:04:18.646-03:00</updated><title type='text'>Concentração em Laranjeiras</title><content type='html'>Lá no meio do bloco um vampiro avançava sem disfarçar sua natureza vampiresca.&lt;br /&gt;Um bêbado perguntou que sangue ia sugar naquela noite, um grupo de bichas ofereceu seus pescoços a ele, mas não queria nada com álcool nem homens. Queria o pescoço de uma bailarina que vira de relance e agora desaparecera engolida pelos foliões.&lt;br /&gt;Era muito difícil passar pelas pessoas, o bloco não se movia e a multidão pulsava ao som incompreensível de marchinhas misturadas. Sua fome só fazia aumentar, não se alimentara ainda e nem sinal da bailarina.&lt;br /&gt;Sua capa era puxada, esticada, rasgada. Suava muito em seu terno preto, caríssimo, comprado na Inglaterra há mais de cem anos: depois daquilo ia certamente para o lixo. As roupas andam tão caras hoje em dia!&lt;br /&gt;Foi arrastado para cá e para lá, nada. Parecia tudo normal para a multidão. Cruzou com alguns diabos, com alguns monstros, todos bem à vontade por ali. Um inferno.&lt;br /&gt;Ao menos se a música estivesse boa poderia relaxar um pouco e cair na folia também, quem sabe no dia seguinte noutro bloco de Ipanema seria melhor...desistiu de ficar ali.&lt;br /&gt;Tentou entrar em um táxi que parava, mas dentro havia um grupo de senhoras sensatas que o reconheceram e não o deixaram entrar. Como só pode entrar onde lhe é permitido, precisou andar até a estação de metrô mais próxima.&lt;br /&gt;Sentado nos bancos laterais, aqueles para idosos e deficientes, os únicos disponíveis, sentia o cansaço tomar conta de seu corpo. Quase cochilava e então viu que bem ali ao seu lado estava ninguém menos que sua bailarina!&lt;br /&gt;Olhou em seus olhos, bem fundo, e a beijou. Ela então esticou-lhe o pulso, já cortado, para que pudesse sorver o sangue quente e salgadinho.&lt;br /&gt;O vampiro sugava, lambia e beijava a bailarina, e ninguém achava aquilo estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá no meio do bloco a morte vagava vestida em seu manto negro, brandindo a foice do destino. Aquilo certamente era muito mais difícil que as partidas de xadrez a que estava acostumada, mas estava ali a passeio, não era uma disputa.&lt;br /&gt;O calor era terrível, emanava dos corpos suados e pegajosos que pulavam ao redor. Era espremida, empurrada, agarrada, apalpada.&lt;br /&gt;Volta e meia descuidava e esbarrava com a foice em alguém – este não veria o dia seguinte. Só então era percebida, a pessoa olhava para dentro de seu capuz assustada e sabia ver nas órbitas vazias o que viria a seguir.&lt;br /&gt;Andava sem barulho e atravessava paredes para escapar ao calor e descansar da multidão, e ninguém achava aquilo estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá no meio do bloco três diabas em minúsculos biquínis vermelhos cantavam abraçadas as marchinhas dos antigos carnavais, e pareciam imperdíveis a quem quer que olhasse para elas: cada homem via exatamente o que mais buscava ver em uma mulher.&lt;br /&gt;Brandiam seus tridentes e uma a uma ofereciam-se aos rapazes. Levavam os meninos a uma Kombi que estava estacionada ali perto e os despejavam pela porta lateral diretamente em um buraco que caía até o centro da Terra.&lt;br /&gt;Já tinham capturado quase duas mil almas apenas naqula noite, recorde absoluto. Agora bebiam uma vodka com suco de maçã e pimenta e se pareciam com umas velhas aposentadas de camisola e bigodes, do tipo menos atraente possível para poderem descansar um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia por ali também alguns anjos, estes disfarçados de diabos, bailarinas, travestidos, indecentes, meninos e meninas que anjo não tem sexo, mas sem esconder as asas brancas, que por toda parte se revelavam.&lt;br /&gt;Andavam misturados e espremidos, respingados de cerveja, suor, música ruim, cheiro ruim, e iam vigiando os monstros, diabos e criaturas da escuridão que todo ano vagavam por ali.&lt;br /&gt;Espalhavam amor e salvavam as pessoas com seu hálito divino (muito parecido com Halls), mas, diga-se de passagem, faziam isto sem muito critério e sem muito zelo, afinal também era feriado para eles.&lt;br /&gt;Foda-se que a morte mate uns, que umas tantas almas se percam, que algum sangue seja derramado. É carnaval e ninguém é de ferro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5413154532119439604?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5413154532119439604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5413154532119439604' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5413154532119439604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5413154532119439604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/02/concentracao-em-laranjeiras.html' title='Concentração em Laranjeiras'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5580713615143073941</id><published>2009-01-16T01:56:00.001-02:00</published><updated>2009-01-16T01:56:46.101-02:00</updated><title type='text'>Dirigindo no escuro</title><content type='html'>Eu dirigia por uma estrada vazia, em alta velocidade, era noite alta de uma terça-feira de janeiro e estava chovendo bastante.&lt;br /&gt;Levemente sonolento de tanto dirigir desde o Paraná no dia anterior, via as luzes passando vermelhas e brancas, desfocadas, ritmadas.&lt;br /&gt;O carro era um prolongamento dos meus braços. Quase como se eu o estivesse vestindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então senti que vestia mesmo meu próprio corpo, como se de algum lugar lá dentro eu coordenasse as ações dos braços, dos olhos, das pernas, que moviam, olhavam e pisavam algumas partes mecânicas: carro e corpo unidos, articulados. Uma armadura ou uniforme, eu lá dentro em algum lugar.&lt;br /&gt;Foi estranho perceber esta independência, eu interno ao corpo, consciente dos comandos, das engrenagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejei subir, ver o que havia lá fora. Atravessei o teto do carro como se ele não estivesse ali. Via a estrada deslizando em grande velocidade.&lt;br /&gt;Elevei-me mais e mais, observando a noite estrelada. Enquanto isto, meu carro cruzava a pista e voava pelo barranco lateral. O corpo e a máquina, sozinhos, não eram lá muito úteis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5580713615143073941?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5580713615143073941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5580713615143073941' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5580713615143073941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5580713615143073941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/01/dirigindo-no-escuro.html' title='Dirigindo no escuro'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-383174040704820790</id><published>2009-01-05T23:44:00.001-02:00</published><updated>2009-01-05T23:44:47.866-02:00</updated><title type='text'>Pesquisando Tesla</title><content type='html'>Sebastião tem um pé podre, o esquerdo, e anda com dificuldade apoiando-se apenas na ponta dos dedos.&lt;br /&gt;Já tentou inúmeros tratamentos, agora simplesmente desistiu. Sequer troca as bandagens.&lt;br /&gt;Acorda ainda de noite, veste a mesma calça a semana toda, a camisa do dia anterior, calça as botas, come um pãozinho com café bem forte e vai para o trabalho.&lt;br /&gt;Fica ali pela ponte o dia todo, aluga cavalos e equilibra-se na lama misturada aos escrementos fétidos. Cobra 10 reais por meia hora, como tem muitos cavalos e há sempre turistas por ali, fatura o sufuciente para viver com relativo conforto.&lt;br /&gt;Às cinco em ponto conduz seus animais de volta ao pasto, espanta as moscas de sua ferida e toma um banho frio.&lt;br /&gt;Depois, abre um dos livros de física que herdou do pai e retoma suas pesquisas das descobertas de Tesla, o famoso pesquisador da eletricidade e real inventor do rádio e do raio-x.&lt;br /&gt;Já montou um exemplar de sua famosa bobina ali mesmo na sala e agora busca concluir a pesquisa interrompida pela morte do eminente cientista: uma poderosa arma de raios capaz de destruir uma esquadra inteira ou uma cidade, por controle remoto, num piscar de olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-383174040704820790?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/383174040704820790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=383174040704820790' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/383174040704820790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/383174040704820790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/01/pesquisando-tesla.html' title='Pesquisando Tesla'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2182032934135612168</id><published>2009-01-05T23:43:00.000-02:00</published><updated>2009-01-05T23:44:00.077-02:00</updated><title type='text'>Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando - XIII</title><content type='html'>Coleciona estrelas cadentes pela noite como quem coleta conchas na areia da praia.&lt;br /&gt;Estrelas sem grandeza, com ou sem cauda, corpos celestes frios ou incandescentes, como quem busca amores por aí.&lt;br /&gt;Guarda-as dentro de si, desmaterializadas, queridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite há nuvens carregadas no céu, sequer a lua se pode ver. Ele desespera, estica braços, pescoço, olhares.&lt;br /&gt;Sabe que deve parecer muito velho, doente, triste hoje. Precisa de suas estrelinhas para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que diferença faz? As estrelas, sabe que continuam a cair e amanhã espera encontrá-las acumuladas numa órbita qualquer. Quem sabe não acha uns satélites junto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2182032934135612168?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2182032934135612168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2182032934135612168' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2182032934135612168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2182032934135612168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2009/01/coisas-que-acontecem-quando-no-tem.html' title='Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando - XIII'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6158359784816818997</id><published>2008-11-30T11:50:00.001-02:00</published><updated>2008-11-30T11:51:37.270-02:00</updated><title type='text'>um desenho</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/STKaX7UcmfI/AAAAAAAAABk/KIimUc6a_t8/s1600-h/caraestatuabx.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274447849455393266" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/STKaX7UcmfI/AAAAAAAAABk/KIimUc6a_t8/s320/caraestatuabx.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6158359784816818997?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6158359784816818997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6158359784816818997' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6158359784816818997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6158359784816818997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/11/um-desenho.html' title='um desenho'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/STKaX7UcmfI/AAAAAAAAABk/KIimUc6a_t8/s72-c/caraestatuabx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-646225015007185068</id><published>2008-11-12T01:51:00.001-02:00</published><updated>2008-11-12T01:51:22.889-02:00</updated><title type='text'>Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando – XII</title><content type='html'>A fotógrafa desrosqueou a lente, guardou-a separada do corpo da máquina na mochila à direita, colocou o filme no envelope pardo, lacrou com fita crepe.&lt;br /&gt;O envelope despachou pelo correio das 17 horas, a última coleta, endereçado a si mesma porém em outra cidade, onde morava.&lt;br /&gt;Dois dias depois a encomenda chegou ao destino, ela já estava lá, apressou a revelação no mini-laboratório do quarto, ampliou apenas uma foto.&lt;br /&gt;Novo envelope, carta anônima, para um jornal de grande circulação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um marido fazia hora extra desfalcando algumas contas públicas, que, como o nome já dizia, eram de todos e de ninguém. Depois iria a um jantar da prefeitura, onde tomaria algumas taças de vinhos raríssimos que encomendara para a ocasião, afinal era o responsável pela acolhida à missão comercial européia. Infelizmente o telefone não parava de tocar, acabou precisando atendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No jornal um repórter recebeu um envelope misterioso, não identificado, que levou ao chefe da redação, que imediatamente o abriu.&lt;br /&gt;Não podemos publicar ISTO! – disse em voz alta.&lt;br /&gt;O chefe de redação deu dois telefonemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No beco sórdido, uma figura escura sentiu vibrar o celular, era um de seus clientes importantes encomendando o próximo serviço.&lt;br /&gt;A figura escura deu um sorriso sujo, cuspiu um palito seboso e começou a se mover rumo ao norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa casa bem ao sul, mas não distante do tal beco sórdido, um marido entrava em casa e arrumava as malas. O carro fora abastecido e agora só faltava partir para sempre, rasgou as malditas almofadas brancas da esposa e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fotógrafo limpava seu cartão de memória, o upload estava pronto.&lt;br /&gt;Guardou a câmera no bolso, despachou-se de avião para bem longe dali.&lt;br /&gt;No dia seguinte imprimiu uma das fotos e remeteu cuidadosamente a um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mala estava muito pesada, mas ele era o único que podia carregá-la. Eram poucos passos, do carro para a escada, depois era só empurrar ali para baixo. Pronto! Conseguira.&lt;br /&gt;O que era aquilo? Teria visto um flash? Um carro partia em alta velocidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura escura disparou diversos tiros e fez desaparecer a fotógrafa. &lt;br /&gt;Mas era figura conhecida e não tardou a ser capturado. Na cadeia, enforcou-se na cela logo no primeiro dia, sem nada revelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O repórter rastreou possíveis remetentes da carta pelo cruzamento do endereço da agência de onde tinha sido remetida e de informações sobre os clientes das lojas de materiais fotográficos próximas a ela. Precisou dar diversos telefonemas.&lt;br /&gt;Visitou alguns locais, encontrou uma fotógrafa que lhe cedeu um de seus negativos. Imediatamente chamou um fotógrafo policial de sua máxima confiança, que digitalizou o negativo e inverteu as cores, revelando um crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amigo era policial na cidade do sul e investigava o assassinato de uma menina de oito anos, que tinha sido encontrada estrangulada dentro de uma mala. A mala fora encontrada por alguns artesãos debaixo de uma escada de acesso à rodoviária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marido, enquanto isto, conseguira bastante dinheiro e dólares, e agora já andava perto de Buenos Aires. Era um desconhecido ali e passou a viver como um homem honesto pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O redator chefe precisou cortar custos e demitiu um repórter e um fotógrafo policial, que acabaram envolvidos em problemas financeiros graves e foram levados ao crime e ao alcoolismo. Ambos foram presos no sul e foram encontrados enforcados em suas celas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-646225015007185068?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/646225015007185068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=646225015007185068' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/646225015007185068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/646225015007185068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/11/coisas-que-acontecem-quando-no-tem.html' title='Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando – XII'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3411649281872190203</id><published>2008-10-29T01:02:00.002-02:00</published><updated>2008-10-29T01:03:31.791-02:00</updated><title type='text'>Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando – XI</title><content type='html'>Ana abriu os olhos e viu seus próprios abertos, olhando para seus olhos. Bem ao lado dela, ali na cama mesmo, ela tinha acabado de acordar e sorria sonolenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá!&lt;br /&gt;(estou ficando maluca? Será um reflexo? Falou comigo!)&lt;br /&gt;Experimentou levantar, sentou na beiradinha quase caindo, mas ainda estava lá deitada com o sorrisinho zombeteiro, ainda que estivesse aqui com uma expressão assustada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou a sua outra parte. Finalmente livre! Graças a você ter dormido sem jantar eu pude aparecer. E daqui a pouquinho vou tomar o seu lugar. (risinho) É péssimo não existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana correu para o banheiro, lavou o rosto com água bem gelada, deu-se uns tapas para despertar. Ok, ela andava tomando coisas e ontem mesmo passara o dia chapada, mas nunca tivera visões antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou ao quarto achando tudo aquilo um absurdo. Encontrou consigo mesma vestida com seu vestido vermelho de bolinhas e bem sorridente. Ignorou a presença e começou a estudar, tinha prova de matemática no dia seguinte e nenhuma alucinação impediria isto.&lt;br /&gt;Estudou a manhã toda, até que de repente percebeu que podia ler através de sua mão. Putz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aha! Você está ficando transparente! De-sa-pa-re-cen-do! (risadas empolgadas) Sabe, querida, eu agora estou me sentindo cada vez mais Ana, logo você vai sumir. Estou absorvendo você e tomando o seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra Ana era mesmo ela. Há quatro anos, eram uma só, um corpo obeso de 140 quilos. Depois de uma cirurgia de redução de estômago e quatro anos de dieta e privações, Ana atingira os 70 quilos. Pesava a metade, perdera uma Ana de peso. Como ficara sem comer no dia anterior, chegara ao exato meio termo, e a outra Ana era a Ana que tinha estado perdida e agora queria trocar de lugar com a Ana que ficara.&lt;br /&gt;Como não comera desde que acordara, perdia peso rápido. Se chegasse aos 69, a outra seria uma Ana de 71 quilos e ela estaria condenada ao desaparecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana percebeu que, à medida que ia sumindo, passava a ver imagens misturadas como se enxergasse pelos olhos de ambas.&lt;br /&gt;- Acho que não, querida, você nunca passará a ser eu, eu é que serei você quando a transformação se completar. E você sumirá novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desesperada, a imagem evanescente da menina lançou um último olhar sobre o quarto desarrumado. Ana ajeitou os botões do vestido e foi almoçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3411649281872190203?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3411649281872190203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3411649281872190203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3411649281872190203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3411649281872190203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/10/coisas-que-acontecem-quando-no-tem.html' title='Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando – XI'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1975287320020758958</id><published>2008-10-21T03:15:00.001-02:00</published><updated>2008-10-21T03:15:43.497-02:00</updated><title type='text'>Carnaval Vermelho</title><content type='html'>A porta abriu com um gemido dos metais gastos, lá dentro já estavam algumas pessoas, fiz uma rápida avaliação antes de escolher o canto esquerdo.&lt;br /&gt;Havia uma senhora loira com olheiras profundas, esta era bem mais baixa que eu e aparentava uma permanente ressaca. Olhava com desdém para a pessoa ao lado, uma menina alta e saudável, de cabelos pretos.&lt;br /&gt;Na parede do fundo, junto ao espelho, havia um senhor careca e sorridente, usava óculos e camisa social branca, de mangas curtas, e uma bermuda bege e sandálias de couro. A senhora loira vestia uma camiseta preta justa e uma calça desbotada, a menina, um vestido verde florido.&lt;br /&gt;Ao lado do senhor careca estava um homem bastante alto e magro, de pele morena porém não bronzeada, como a dos indianos, e cabelos pretos bem rentes, bigodes que pareciam postiços. Junto a este, uma criança de cinco ou seis anos vestindo uma fantasia de super herói. À esquerda deles estava eu então.&lt;br /&gt;Subimos alguns andares, é difícil saber quantos, o prédio é muito alto e o elevador, lento. Lá dentro fazia um calor terrível, a abertura para ventilação era mínima, a máquina estava barulhenta e vacilante.&lt;br /&gt;Chegamos ao quinto, aqui ficaram o herói e o indiano. Mais espaço, respiramos aliviados. A subida continuava. O senhor enxugou o suor do rosto com um lenço azul claro, o gesto lembrava meu avô, que sempre andava com lenços.&lt;br /&gt;O chão tinha respingos e o espelho estava embaçado, estávamos todos impacientes e a subida continuava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai de mim! Vou para a cobertura, nesse passo não chego viva!&lt;br /&gt;- Calma, chega sim. Não sei o que há com este elevador hoje, é sempre lento mas deve estar pifando de vez. É melhor todos descermos no meu andar, o décimo.&lt;br /&gt;- Décimo? Pelo tempo que faz desde que saímos do quinto já deveríamos estar no mínimo no vigésimo.&lt;br /&gt;- No vigésimo fico eu, mas já prefiro subir pelas escadas.&lt;br /&gt;- Algum de vocês tem algo para beber? Estou me sentindo um pouco tonta.&lt;br /&gt;- Tenho uma garrafinha de uísque, mocinha, mas duvido que mate sua sede.&lt;br /&gt;- Se não matar, pelo menos anima a alma.&lt;br /&gt;- Dá aqui um gole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebemos toda a garrafinha, dessas de metal de levar no bolso, nem havia muito uísque mas foi o suficiente para criar um clima mais amigável. A menina tirou da mochila um pacote de biscoitos e um polenguinho, dividimos em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só falta alguém tocar violão.&lt;br /&gt;- Eu tenho uma gaita aqui, posso tocar.&lt;br /&gt;- Não, por favor não toque aqui dentro, estou muito aflita.&lt;br /&gt;- Senhora, não fique aflita, aproveite para pensar em algo, todos sempre temos algo em que pensar.&lt;br /&gt;- Humm.. Tenho medo de pensar muito. Depois meu uísque já acabou. Se pensar demais sem renovar pode vir a depressão. Sabe, eu era assim uma gata quando era da sua idade, mocinha.&lt;br /&gt;- Ah, o tempo passa...&lt;br /&gt;- É, e na minha época nem tinha essas raves, era psicodelismo mesmo, coisa mais cerebral que física, mas daí o físico acabava detonado. Eu tinha umas bochechas lindinhas, agora estão caídas. (enxuga o espelho, fica se olhando meio de lado)&lt;br /&gt;- Eu não vou a raves, sou evangélica. Não faço nada disso.&lt;br /&gt;- Ah, qual é? Estamos aqui nesse elevador estufa, prestes a desmaiar, e você vem com esse papo? Pensa que não vi você sair com os caras aí do lado ontem? Estava com a mesma roupa de agora.&lt;br /&gt;- Meninas, não vamos nos exaltar agora que aqui já está quente o bastante.&lt;br /&gt;- Cadê o 10?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ouvimos um guincho agudo, em seguida um barulho de metais batendo, e paramos de subir. Tentei abrir a porta, mas estava travada. Precisaria ter alguma alavanca para conseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O botão de emergência não funciona!&lt;br /&gt;- Funciona sim, sua burra, ele toca dentro da casa do porteiro.&lt;br /&gt;- Por que então ele não está aqui salvando a gente? Deve estar quebrado, não tem alarme!&lt;br /&gt;- Socorro! Socorro!&lt;br /&gt;- Senhora, fique calma, nós já vamos sair daqui.&lt;br /&gt;- O senhor vá se foder! Socorro! Socorro!&lt;br /&gt;- Sua mal educada! Vá se foder você, sua bêbada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina chorava, a senhora gritava, o senhor suava, eu pensava em uma música do Arnaldo Antunes, meio poesia concreta, que não tem fim porque é circular.&lt;br /&gt;Não é o que não pode ser que não é o que não pode ser que não é...&lt;br /&gt;O que não pode ser que não, é o que não, pode ser que não, é...&lt;br /&gt;Comecei a cantar baixinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar tornava-se rarefeito, como sempre acontece nas histórias onde há pouca ventilação e muitos narizes, e a senhora foi a primeira a desmaiar. Foi descendo junto ao encontro da lateral direita com o fundo, fechando os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que ela morreu? Não está respirando.&lt;br /&gt;- Não, apenas desmaiou. Se alguém tiver um palito podemos enfiar sob a unha dela para reanimá-la.&lt;br /&gt;- Ou dar uns tapas na cara, também funciona nesses casos.&lt;br /&gt;- O senhor ficou mesmo zangado com ela!&lt;br /&gt;- Ninguém falou assim comigo antes. Tem certeza de que ela está apenas desmaiada?&lt;br /&gt;- Estou sentindo cheiro de queimado, porra, só faltava um incêndio!&lt;br /&gt;- Não é incêndio não, está saindo fagulha ali da luminária.&lt;br /&gt;- Mas pode virar incêndio, e está queimando o ar que resta. Será que dá para consertar?&lt;br /&gt;- Duvido, para isto precisaríamos cortar o fio, e ficaria escuro, não daria para emendar novamente.&lt;br /&gt;- Posso iluminar com o celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O celular! Como não tínhamos pensado nele antes! Será que havia sinal?  Tiramos os aparelhos dos bolsos e bolsas, o meu era o único que pegava.&lt;br /&gt;Disquei o número dos bombeiros, prometeram enviar alguém com urgência, porém quando ia dar o endereço a bateria acabou. Minha bateria sempre acaba quando preciso. A menina e o senhor tentaram bater em mim, houve uma pequena briga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quebrou meus óculos seu filho da puta.&lt;br /&gt;- Filho da puta é você seu velho escroto, só estava me defendendo.&lt;br /&gt;- Agora não consigo enxergar nem os botões!&lt;br /&gt;- Para que você quer ver os botões? Estão todos acesos, mas o elevador está parado. Pa-ra-do.&lt;br /&gt;- Socorro! Socorro!&lt;br /&gt;- Pare de gritar, menina, não agüento mais você! (o senhor já está descabelado, rasgado, sem óculos e tenta atacar a garota. Esta desvia e o golpe acerta o rosto da mulher desmaiada)&lt;br /&gt;- Acho que agora você matou ela, o nariz está sangrando! Idiota, por que não fica quieto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o senhor estava descontrolado, talvez em algum surto, e para ficar quieto precisei amarrá-lo com uns trapos da minha camisa. Fiz uma mordaça de meia, minhas meias preferidas de futebol, apesar do mal cheiro. Depois de algumas horas ele se acalmou, talvez tenha adormecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se vamos morrer aqui, preciso confessar algo antes.&lt;br /&gt;- Ah, pare com isto, ninguém aqui vai morrer num elevador. Não hoje.&lt;br /&gt;- Você não reparou, mas já estamos aqui há mais de um dia, tenho controlado as horas desde que paramos.&lt;br /&gt;- Não é possível, diria que estamos há algumas horas, mas isto é loucura.&lt;br /&gt;- Estamos parados há exatamente vinte e cinco horas e dez minutos.&lt;br /&gt;- O que você queria confessar?&lt;br /&gt;- Sou evangélica mesmo, mas saí com os dois vizinhos. Juntos. Eles são uma delícia.&lt;br /&gt;- Não precisa me dizer essas coisas. Só isso?&lt;br /&gt;- Na verdade estou com muita sede, se não beber algo serei a próxima a desmaiar.&lt;br /&gt;- Os únicos líquidos por aqui são sangue e suor, os dois são salgados e não dá para você bebê-los.&lt;br /&gt;- Sangue dá, os vampiros bebem.&lt;br /&gt;- Bom, prova aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina mordeu o pescoço da senhora decadente, lambeu o sangue que escorria, com expressão de nojo, mas lambeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você devia provar, tem bastante aí dentro para nós dois por vários dias.&lt;br /&gt;- Deve estragar logo com o calor, mas tem o vovô também.&lt;br /&gt;- Puxa! Como naquele filme do acidente nos Andes! Depois podemos tentar comê-los!&lt;br /&gt;- Como você é porca! Dá um beijo aqui!&lt;br /&gt; ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (dois dias depois)&lt;br /&gt;- Não é possível, será que não repararam que um dos elevadores parou de funcionar?&lt;br /&gt;- Quem repararia? Este é um prédio comercial, pelas minhas contas hoje é terça-feira de carnaval, estamos aqui desde sexta à tarde. Devem ter fechado o prédio e caído na folia.&lt;br /&gt;- Então amanhã vão nos encontrar, no máximo na quinta-feira.&lt;br /&gt;- Seremos presos.&lt;br /&gt;- Estávamos desesperados!&lt;br /&gt;- Eu ainda estou.&lt;br /&gt;- Não consigo comê-los. Eles estão fedendo.&lt;br /&gt;- Nem eu. Mas preciso de mais sangue.&lt;br /&gt;- Olha, eu corto aqui com a unha, você bebe um pouquinho do meu. Depois eu bebo do seu.&lt;br /&gt;- Ai! Calma aí!&lt;br /&gt;- Sabe, estou me sentindo muito fraca, como se fosse desmaiar. Se eu desmaiar você vai me beber toda?&lt;br /&gt;- Não, eu estou fraco também. Vamos morrer aqui. Como é o seu nome?&lt;br /&gt;- Cláudia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(quinta-feira)&lt;br /&gt;Fomos encontrados desacordados dentro do elevador quando o prédio reabriu, Cláudia tinha morrido, assim como os outros dois passageiros, todos perfurados e sujos de sangue, magros e pálidos.&lt;br /&gt;Eu sobrevivi graças ao antebraço dela, que era bem saboroso.&lt;br /&gt;Meu advogado conseguiu responsabilizar o síndico pelo desastre, já que resolveu fechar o prédio por tanto tempo sem deixar vigias e sem inspecionar os andares e equipamentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1975287320020758958?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1975287320020758958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1975287320020758958' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1975287320020758958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1975287320020758958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/10/carnaval-vermelho.html' title='Carnaval Vermelho'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3744405425676003610</id><published>2008-10-16T22:10:00.000-03:00</published><updated>2008-10-16T22:11:05.505-03:00</updated><title type='text'>Você é você</title><content type='html'>Você sabe quem é,&lt;br /&gt;sabe quem é você?&lt;br /&gt;Quem é, você sabe?&lt;br /&gt;É você sabe quem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3744405425676003610?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3744405425676003610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3744405425676003610' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3744405425676003610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3744405425676003610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/10/voc-voc.html' title='Você é você'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-676718489082431765</id><published>2008-09-16T19:28:00.001-03:00</published><updated>2008-09-16T19:30:59.381-03:00</updated><title type='text'>Businessman</title><content type='html'>Os olhos fundos de quem dorme mal e trabalha ou se preocupa demais, a pele desbotada num tom amarelado e insalubre, a boca caída nos cantos numa expressão gravada pelo hábito, um executivo marchava a passos acelerados pelo saguão do aeroporto.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SNAzeC36u5I/AAAAAAAAABc/4VHOymCVe3A/s1600-h/passageiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 247px; height: 261px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SNAzeC36u5I/AAAAAAAAABc/4VHOymCVe3A/s320/passageiro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246750157147126674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Terno preto, maleta de couro preto na mão direita, laptop preto na mão esquerda.&lt;br /&gt;Avançava abraçado ao computador, absorvendo megabytes de planilhas que estavam armazenadas lá dentro e lançando olhares irritados e intolerants ao redor.&lt;br /&gt;Chegou ao portão 18, o embarque foi transferido para o portão 5, no extremo oposto do aeroporto. Rumou a passos rápidos e indignados, sobretudo porque em toda aquela extensão não encontrara um só vassalo que o reconhecesse.&lt;br /&gt;No avião sentou-se na poltrona do corredor, manteve o laptop apertado contra o peito até que foi obrigado pela aeromoça a colocá-lo em um lugar mais seguro. Fechou os olhos e o depositou na poltrona ao lado, entre nós dois, e deixou a mão sobre ele. Absorvia agora as apresentações de powerpoint e docs e pdfs e e-mails recebidos.&lt;br /&gt;Lá fora a chuva caía fria e escorria pelas cidades, as pessoas corriam escondidas e faziam coisas para o mundo funcionar. Aqui dentro, ele tomava decisões que mudariam as vidas de muitos daqueles.&lt;br /&gt;Sem tirar a mão nem mover o rosto, virou-se um pouco de lado, apoiando o corpo sobre a perna direita, e soltou um sonoro peido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-676718489082431765?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/676718489082431765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=676718489082431765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/676718489082431765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/676718489082431765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/09/businessman.html' title='Businessman'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SNAzeC36u5I/AAAAAAAAABc/4VHOymCVe3A/s72-c/passageiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5446276252797241211</id><published>2008-09-12T11:18:00.003-03:00</published><updated>2008-09-12T11:22:54.184-03:00</updated><title type='text'>AutoConhecimento</title><content type='html'>AutoExploração com gosto de tédio, sem nada a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5245139608837719330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: left" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SMp6ry4ahSI/AAAAAAAAABU/GVG49zsx-7o/s320/autoconhecimento.jpg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5446276252797241211?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5446276252797241211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5446276252797241211' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5446276252797241211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5446276252797241211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/09/autoconhecimento.html' title='AutoConhecimento'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SMp6ry4ahSI/AAAAAAAAABU/GVG49zsx-7o/s72-c/autoconhecimento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2238681562486077913</id><published>2008-09-07T18:04:00.000-03:00</published><updated>2008-09-07T18:05:23.304-03:00</updated><title type='text'>Desertos</title><content type='html'>A areia, que já foi água,&lt;br /&gt;é o mar do lagarto,&lt;br /&gt;que já foi peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar é o deserto do náufrago,&lt;br /&gt;o chão é o infinito do inseto,&lt;br /&gt;o escritório é uma caixa,&lt;br /&gt;a porta é uma prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua é o mundo do cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas são o espaço do tempo&lt;br /&gt;que nos cabe medir&lt;br /&gt;a noite é o cobertor do dia,&lt;br /&gt;quantos metros de noite cabem na vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o corpo é o jeito do morto,&lt;br /&gt;a morte é um descarte,&lt;br /&gt;o túmulo é uma lixeira de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo lixo já foi desejado.&lt;br /&gt;Toda dúvida é divisão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2238681562486077913?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2238681562486077913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2238681562486077913' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2238681562486077913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2238681562486077913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/09/desertos.html' title='Desertos'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-660853937277911693</id><published>2008-09-03T06:32:00.003-03:00</published><updated>2008-09-03T06:37:15.926-03:00</updated><title type='text'>13D</title><content type='html'>Um time de futebol está espalhado pelas poltronas ao redor, jogadores voando ruidosos em agasalhos cores azul e vermelho. Estamos no Aeroônibus 320 vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mexem em todas as coisas, como se qualquer botão precisasse ser pressionado, qualquer papel revirado, qualquer portinha aberta.&lt;br /&gt;Assaltaram há pouco o carrinho do serviço de bordo, dominaram o imaginário das aeromoças e comeram e beberam todas as porções extras que havia, enquanto uma delas derramava (abobalhada) refrigerante nos passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vôo afivelado ao 13D: a fileira 13, como demonstração do humor do projetista, é a das saídas de emergência laterais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SL5aBl6AiXI/AAAAAAAAABM/j83Rnk-U2k0/s1600-h/13D2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241725999707621746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="241" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SL5aBl6AiXI/AAAAAAAAABM/j83Rnk-U2k0/s320/13D2.jpg" width="252" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A nave sacode, área de turbulência. O jogador que está à direita pergunta como se faz para abrir a fuselagem caso precise sair por ali, finjo que não sei. Há cinco desenhos bem visíveis demonstrando a operação, não sei como mas ele não consegue ler as instruções.&lt;br /&gt;As pessoas só conseguem compreender os desenhos para os quais têm suficiente vocabulário visual, quando não o tem procuram o sentido por analogia ao que conhecem.&lt;br /&gt;Não posso imaginar o significado paralelo do que ele estava lendo ali, talvez a origem do seu pânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Aeroônibus ficou retido em uma nuvem gasosa, por algum tempo foi necessário voar em círculos. Nosso atraso foi adquirindo proporções preocupantes até que finalmente pousamos em Titan.&lt;br /&gt;Quase todos a bordo desembarcaram, minutos depois regressaram nos corpos de outros, que foram se espalhando ao redor e já começaram a mexer nos botões, papéis e portinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decolamos mais uma vez, agora rumo a Mercúrio. Falta menos de uma hora para chegar lá, menos de duas para encontrar as estrelas e menos de quatro para o final de semana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-660853937277911693?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/660853937277911693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=660853937277911693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/660853937277911693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/660853937277911693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/09/13d.html' title='13D'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SL5aBl6AiXI/AAAAAAAAABM/j83Rnk-U2k0/s72-c/13D2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-8976012624854342096</id><published>2008-08-19T00:10:00.000-03:00</published><updated>2008-08-19T00:11:29.249-03:00</updated><title type='text'>Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando – X</title><content type='html'>No canto do quarto há um espelho coberto com qualquer coisa que o possa cobrir.&lt;br /&gt;É um desses espelhos ovais, grandes e antigos que ficam presos a uma base de madeira, e giram refletindo o que há na frente, o que há atrás e o teto e o chão.&lt;br /&gt;Mede quase a minha própria altura, e por algum truque de fabricação inclina-se levemente para trás, mostrando os reflexos a partir de um ponto ligeiramente abaixo da linha de visão.&lt;br /&gt;Devido a esta inclinação, é praticamente impossível mantê-lo coberto. Qualquer peso aumenta o ângulo e o faz girar, trazendo ao topo a parte que antes estava por baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espelho anda descoberto de qualquer coisa que o pudesse cobrir e reflete a face de outra pessoa. Um estranho em meu quarto? Meu reflexo não se parece muito comigo hoje. Uma mentira, se me sinto o mesmo. O estranho não desiste de olhar para dentro de mim, invade meu olhar com olhos frios e duros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giro o espelho, lá dentro o Outro está de cabeça para baixo e tem sobre si o peso dos armários, quadros, poltrona, das imagens das coisas que estão no outro canto. Torno à posição original, ao outro lado, a este lado, faço-o rodar em velocidade. Cessa o movimento, vejo a lisa face de vidro ainda mais profunda e cheia de imagens misturadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É perceptivelmente apenas um vidro, e lá dentro estão todas as coisas daqui. O Outro vive lá dentro. Pode bem ser mesmo outro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movimento as mãos em frente a Ele, como ter certeza de que fui eu quem comandou o movimento, tão simultâneo? Por que não poderia ter sido simultaneamente pensado? Imagino que minha vontade não é interna, mas se origina em algum ponto no espaço entre nós dois. Ao longo dos anos certamente já trocamos inúmeras vezes de lado, apenas não o percebemos porque os dois mundos são simétricos. Não há como saber qual dos mundos é o meu, qual é o Dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apago a luz e agora o espelho está coberto de escuridão. O reflexo lá dentro está escondido e nossos mundos se fundem através do vidro: o infinito logo ali.&lt;br /&gt;É hora de passar para o outro lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-8976012624854342096?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/8976012624854342096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=8976012624854342096' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8976012624854342096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8976012624854342096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/08/coisas-que-acontecem-quando-no-tem.html' title='Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando – X'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5793573602148646864</id><published>2008-07-29T18:16:00.000-03:00</published><updated>2008-07-29T18:17:02.244-03:00</updated><title type='text'>Cabelos por toda parte</title><content type='html'>- A senhora quer amendoins e uma barra de cereais..&lt;br /&gt;- Pepsi, please.&lt;br /&gt;- Cereais de banana, maçã ou castanhas?&lt;br /&gt;- Pepsi.&lt;br /&gt;- Banana, apple, nuts?&lt;br /&gt;- No, thanks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 mil metros abaixo havia um celofane azul e o recorte feito a mão de um papel verde-felpudo desses que os arquitetos usam em maquetes para representar o mar e as florestas, o rasgadinho branco do papel parecendo uma praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luzinha do banheiro estava acesa há uns 20 minutos, outros passageiros em fila pelo corredor, nada da estrangeira sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela deve estar se sentindo em casa, lá dentro tudo tem legenda em inglês.&lt;br /&gt;- Deve achar que é a saída de emergência.&lt;br /&gt;- Quando dá descarga sobe um ventinho gelado, deve ser isso, está muito quente aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta se abriu e a senhora saiu descabelada. Era até bem mais morena que os americanos costumam ser, tinha cabelos tingidos daquele preto-peruca, entremeado de brancos, era um pouco gordinha e aparentava uns 40 anos. Excuse-me para todos os lados, fez com que nos levantássemos mais uma vez para que pudesse chegar até o assento 5A, que fica junto à janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em baixo agora só os flocos de algodão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrangeira puxou um fio de cabelo branco, não conseguia arrancá-lo. Puxou com mais força e ao invés de sair, o cabelo cresceu, ou esticou, como um fio de um carretel desenrolado.&lt;br /&gt;Continuou a puxar, já estava perto da bandeja e não parava de sair, começou a enrolar o fio ao redor do copo. Agora rodava o copo como se fosse um novelo, e vi que a certo ponto o fio se tornou preto, e não parava de sair da cabeça.&lt;br /&gt;Reparei que o volume de cabelos da senhora começava a diminuir, rareava mesmo no topo da cabeça. Fiquei olhando e logo surgiu uma clareira. O novelo estava grande agora, o fio eram na verdade todos os fios dela emendados. Antes que pousássemos, estava completamente careca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu um sorriso enigmático para mim:&lt;br /&gt;- See that!&lt;br /&gt;Começou a comer o novelo como se fosse spaguetti, depois fechou os olhos, o nariz e a boca, e soprou-se por dentro. Um a um os fios foram surgindo, agora todos pretos, e em poucos minutos a cabeleira voltou ao normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- I can do it with your eyebrows!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brandindo uma pinça pulou sobre minha poltrona, tentando arrancar meus pelinhos.&lt;br /&gt;A aeromoça, acreditando ser alguma espécie de atentado, abriu o armário de defesa da aeronave e de lá sacou o arpão de caçar tubarões. Um tiro de ar comprimido cravou o arpão na cabeça da louca, revelando um sistema de engrenagens ultra-secretas e câmeras e lentes e circuitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena bizarra, a senhora com um arpão cravado na cabeça dilacerada, e os discos girando, e o cheiro de óleo pairaram por alguns instantes enquanto ela tentava se arrastar de volta para o banheiro, sabe-se lá para quê. No meio do caminho foi soterrada pelas bagagens de mão que os passageiros todos fizeram despencar dos compartimentos superiores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5793573602148646864?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5793573602148646864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5793573602148646864' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5793573602148646864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5793573602148646864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/07/cabelos-por-toda-parte.html' title='Cabelos por toda parte'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4973494486302671234</id><published>2008-07-24T14:53:00.001-03:00</published><updated>2008-07-24T14:54:42.824-03:00</updated><title type='text'>Um homem em Pasta</title><content type='html'>Sentia as pernas arrastadas sob o peso de sua magreza, mais se deslocava que andava, como um inseto, cheio de folhas e ar, seus únicos alimentos nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia sozinho há dez anos, e por todo este tempo vagou pelas ruas desta e daquelas cidades distribuindo uma boa parte do que tinha e ensinando tudo o que sabia, até que ficou vazio de conhecimentos e de objetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao redor pairavam pessoas vestidas de preto, de cabelos compridos e brilhantes, com bolsas e celulares e sapatos de grife, e as pessoas olhavam com olhos de cobiça. Quase nada havia que pudessem querer, mesmo assim percebia lampejos de talheres que carregavam disfarçados em seus bolsos e de dentes pontudos que surgiam nos meios-sorrisos falsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem tropeçou em um buraco da companhia de águas e esgotos e metade do seu corpo escorreu pelo bueiro aberto antes que pudesse se agarrar em algo. Esticando os braços raquíticos em meio à queda conseguiu segurar canela branca de uma mulher que calçava um sapato preto de salto agulha.&lt;br /&gt;A mulher cravou o salto do outro sapato em sua mão, e pisou até furar, enquanto pedaços de sangue e osso iam escorrendo pelas bordas. Foi puxado para cima e teve suas roupas rasgadas em pedaços e repartidas e comidas pelos pedestres que iam se acumulando ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu corpo nu foi chutado, pisado, quebrado e dividido em partes, amassado e então despejado no bueiro aberto, que foi rapidamente coberto com a tampa de ferro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4973494486302671234?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4973494486302671234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4973494486302671234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4973494486302671234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4973494486302671234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/07/um-homem-em-pasta.html' title='Um homem em Pasta'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6927429806338181592</id><published>2008-07-10T02:08:00.002-03:00</published><updated>2008-07-14T05:37:21.416-03:00</updated><title type='text'>O Cérebro de cada um</title><content type='html'>O corpo por dentro é uma máquina, por fora uma embalagem multimídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_mn1tYeRwJ6U/SHsPwybEguI/AAAAAAAAAA8/w3kHSpTfYq4/s1600-h/vestindo_bx.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222785523709674210" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 237px; CURSOR: hand; HEIGHT: 314px" height="329" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_mn1tYeRwJ6U/SHsPwybEguI/AAAAAAAAAA8/w3kHSpTfYq4/s320/vestindo_bx.jpg" width="248" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Alimento e o ar são combustíveis, há sistemas hidráulicos e mecânicos, uma engenharia extremamente complexa com mecanismos atômicos, elétricos, térmicos e dinâmicos que não somos capazes de compreender em sua totalidade.&lt;br /&gt;Cérebro é memória, controle, iniciativa, decisão, interpretação, reação. Sem ele o corpo não serve para nada, sem o corpo ele não serve para nada.&lt;br /&gt;Tudo pode parar e ainda assim permanecer vivo por algum tempo, tudo pode continuar funcionando sem vida por um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é esta coisa elétrica que anima o conjunto todo, a coisa que ainda não conseguimos inventar porque não é explicável por leis da física nem por planilhas. A vida serve para fazer a máquina-corpo funcionar, fazendo cada pedacinho dos seres cumprir sua função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o cérebro não é apenas funcional como as demais peças, é racional e emocional. Decide e compara, analisa e opta. Sempre há opções, usa os sentidos para avaliar, a vontade para escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo-embalagem é um significante da pessoa, precisa mostrar quem ela escolheu ser, deixar claro o que muitas coisas significam para o cérebro-conteúdo. Este significado é percebido pelos outros cérebros que circulam ao redor, e este processo de semiótica é social à medida que cada sociedade de cérebros avalia os corpos que a compõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alma deve ser esta sensação de que estamos vestindo o corpo, como se não fizéssemos parte dele mas como se estivéssemos dentro dele. A sensação de que poderíamos sair e trocar de corpos uns com os outros, e esta impressão que cultivamos de que se o corpo morrer nós de algum modo continuaremos a existir mesmo sem ele.&lt;br /&gt;Emocionalmente os cérebros pensam assim e criam religiões e programam o que fazer no além. Racionalmente os cérebros pensam em sua finitude e temem a morte, assim geram para si um conflito que sempre resulta em empate.&lt;br /&gt;Tudo o que o cérebro pensa, porém, é baseado no que o corpo conhece, no que vivenciou ou aprendeu, que provavelmente é uma mínima parte do que há para se conhecer. O cérebro sequer conhece o funcionamento do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A embalagem-corpo vai se deteriorando com os anos, o que permanece ou não é a motivação, que vem de como a alma e o cérebro se percebem ao longo do tempo, a história de envelhecer ou manter-se jovem por dentro.&lt;br /&gt;A motivação talvez seja a verdadeira alma, e a alma que pensamos talvez seja apenas nossa imaginação. Quando a motivação termina por completo esgotam-se as razões de existir, ainda que todo o resto esteja muito bem.&lt;br /&gt;É a motivação que faz perguntar qual é o nosso papel, que define quem realmente somos a cada dia, é o conteúdo, o conceito por trás de tudo.&lt;br /&gt;O cérebro vai projetando o corpo-embalagem e o corpo-atitude e revendo o projeto a vida toda, isto ajuda a manter a motivação mas não a determina, dá a ela forma, informa.&lt;br /&gt;A construção do corpo-embalagem é assim um processo de autodesign na concepção filosófica do design como criador de forma, processo que dá forma aos conteúdos pré-existentes “vestindo mensagens”: o corpo-embalagem veste a motivação de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cérebro é o designer dentro de cada um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6927429806338181592?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6927429806338181592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6927429806338181592' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6927429806338181592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6927429806338181592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/07/o-crebro-de-cada-um.html' title='O Cérebro de cada um'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_mn1tYeRwJ6U/SHsPwybEguI/AAAAAAAAAA8/w3kHSpTfYq4/s72-c/vestindo_bx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-8934458848392149625</id><published>2008-07-05T01:03:00.000-03:00</published><updated>2008-07-05T01:04:15.131-03:00</updated><title type='text'>Profissões: modista publicitária free-lancer</title><content type='html'>Pessoas enlouquecidas, publicitários fora de prumo, situações de conflito. Tempo para respirar. Acabou: agora um pouco de discussão, depois gritos, fúria.&lt;br /&gt;A mulher de cabelos brancos , fashion, não desliga o telefone. O avião precisa decolar, ela briga por um cachê, desenhou umas roupas, algo que não foi pago, com alguém que não passa de um intermediário de produtora, e que não quer pagar.&lt;br /&gt;A agência grita do outro lado, algo que não está claro, em outro telefone, e a produtora no meio grita com a mulher, a produtora não quer pagar, a agência não quer pagar, o cliente não quer pagar, e a mulher quer receber a qualquer custo. Alguém há de ser o mais esperto e conseguirá enredar os demais em uma trama de argumentos que farão o menos esperto se dar mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vi publicidade em toda parte. No encosto de cabeça do táxi, bem na minha cara, nos muros, pontos de ônibus, outdoors, rádios, fui impactado multidimensionalmente e plurisensorialmente por diversas marcas ao mesmo tempo. No trajeto do aeroporto ao centro estive imerso em uma bolha de propaganda e cheguei enjoado, quase vomitando – quase epilético.&lt;br /&gt;Agora há propaganda na bandeja do avião. E também aqui ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz soa arrogante e impaciente, intransigente e belicosa. As pessoas vão combatendo ao telefone, até que uma delas morra ou até que uma das baterias termine, o que acontecer primeiro, e não chegam a parte alguma nem deixam o avião decolar.&lt;br /&gt;Cabelos brancos jogou o celular ainda ligado na bolsa, enquanto do outro lado a agente-produtora-cliente vocifera sem parar. Pegou um outro aparelho e começou a cochichar coisas em um tom simpático-apaixonado de quem conversa com a pessoa amada, reparei que este segundo celular estava desligado, cabelos brancos estava totalmente fora de controle.&lt;br /&gt;Retoma a primeira ligação, corta o que ainda estava sendo dito:&lt;br /&gt;- Boa tarde, querida, preciso desligar.&lt;br /&gt;E desliga mesmo. Desliga e toma um comprimido amarelo.&lt;br /&gt;Depois ficou interpretando uma discussão imaginária a viagem toda, atuando nos dois papéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos brancos é assim porque tem muitas preocupações, ela vive no inferno e fala sozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-8934458848392149625?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/8934458848392149625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=8934458848392149625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8934458848392149625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8934458848392149625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/07/profisses-modista-publicitria-free.html' title='Profissões: modista publicitária free-lancer'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6908833139144065572</id><published>2008-06-19T16:18:00.000-03:00</published><updated>2008-06-19T16:19:05.882-03:00</updated><title type='text'>Ontem no espaço</title><content type='html'>Uma decepção como um jantar requentado num dia sem fome.&lt;br /&gt;O prato meio cheio, meio vazio, as comidas foscas, usadas, das quais outros já se serviram, e que nem podem colaborar parecendo atraentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nave tinha pouco combustível e acabamos precisando queimar algumas árvores das que coletamos para gerar mais seiva, as crianças brigavam pelos poucos humanos que restavam, havia poucas nuvens para beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi o jogador de futebol: torceu o joelho e precisa ser sacrificado. Bem avisei: mascote precisa ser do tipo calmo, para não causar problemas. No máximo um administrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expedição fora um fracasso, uma derrota, do que buscávamos trouxemos apenas uma pequena parte, nenhum objetivo tinha sido alcançado.&lt;br /&gt;Terríveis acidentes: um piloto e um batedor dissolvidos numa das terríveis salinas do norte, um mecânico que caiu na água e inchou até explodir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos voltando a Z, e descubro que ela dormiu sem ao menos dar um "boa noite".&lt;br /&gt;Vida de ET é só decepção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6908833139144065572?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6908833139144065572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6908833139144065572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6908833139144065572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6908833139144065572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/06/ontem-no-espao.html' title='Ontem no espaço'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3051353628501151713</id><published>2008-06-08T11:32:00.002-03:00</published><updated>2008-06-08T11:36:40.960-03:00</updated><title type='text'>Beatriz, finalmente</title><content type='html'>&lt;div&gt;Em um espaço cinzento ela se move atrapalhada, olha ao redor buscando um pouco de tranqüilidade onde parece saber que não há, assustada com sua origem e muitas questões que surgiram em sua incompleta cabeça.&lt;br /&gt;Há pouco não existia, está pelo menos alguns anos atrasada e não sabe se ainda terá tempo para liderar o motim, que será uma volta à origem do processo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa que as pessoas talvez também tenham surgido assim, de um instante para o outro, como são mesmo, já pessoas e não bebês. Os bebês que nascem agora, sabemos de onde vieram, e sabemos que somos filhos de nossos pais, temos lembranças da infância.&lt;br /&gt;E os pais sabem ser filhos dos avós, e assim por diante, mas veja: houve algum início, como aquela charada da galinha e do ovo, e o primeiro casal deve ter surgido adulto e não bebê, &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SEvtzWNUKgI/AAAAAAAAAA0/czqbZ-n_XQs/s1600-h/closedebeatriz_bx.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209518860374649346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 197px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px" height="273" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SEvtzWNUKgI/AAAAAAAAAA0/czqbZ-n_XQs/s320/closedebeatriz_bx.jpg" width="208" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ou não teria sobrevivido.&lt;br /&gt;De algum tempo para cá há fotos, evidências, memórias. Antes havia pinturas, relatos, textos, antes disso a transmissão das histórias era verbal, antes disso o homem nem sabia falar.&lt;br /&gt;O primeiro casal pode muito bem não ter sido o primeiro, pode ter surgido na metade dos tempos, ou mesmo há 200, 300 anos. Quem criou o homem, a natureza, as coisas todas, pode muito bem ter criado a história completa, os cenários, a memória e o registro, como um computador que já vem com software.&lt;br /&gt;Talvez a humanidade seja tão recente que por isto não consiga lidar muito bem consigo mesma, como atores num ensaio de improviso. Talvez sejamos os primeiros humanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isto pode parecer algo vago demais, mas como seria possível a alguém ser mais específico existindo apenas desde ontem?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3051353628501151713?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3051353628501151713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3051353628501151713' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3051353628501151713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3051353628501151713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/06/beatriz-finalmente.html' title='Beatriz, finalmente'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SEvtzWNUKgI/AAAAAAAAAA0/czqbZ-n_XQs/s72-c/closedebeatriz_bx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-8294272117110795081</id><published>2008-06-04T02:41:00.001-03:00</published><updated>2008-06-04T02:41:59.908-03:00</updated><title type='text'>1 Noite, 2 dias ao Mesmo Tempo</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Say goodbye on a night like this &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;If it's the last thing we ever do &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;You never looked as lost as this &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Sometimes it doesn't even look like you&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(A Night like This – The Cure)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Músicas carregam estados de espírito como cápsulas de tempo, trazem cheiros, gostos, imagens, sensações e idéias passadas, mesmo que nunca tenham sido escutadas. Funciona nesse caso a tal associação perceptiva, da época da música, do conjunto e até o estado de espírito.&lt;br /&gt;A quarta dimensão é o tempo, impossível duvidar, e os físicos têm falado em muitas outras dimensões que de certo modo dele se ramificam. As músicas são chaves para estes lugares, e cada um de nós circula em muitos deles agora mesmo.&lt;br /&gt;Ontem eu escutava uma rádio pela Internet e tive a sensação muito muito tátil de que estava em um outro lugar, pé na grama, ventos perfumados de eucalipto, sol na face, mas sabia que já era noite avançada.&lt;br /&gt;Fechei os olhos esquecendo a noite e fiquei concentrado no dia, então percebi que na verdade eu estava mesmo no tal lugar e meus olhos estavam bem abertos ali.&lt;br /&gt;Eu estava em uma cadeira de palha bem confortável, junto a uma mesinha de bar dessas rústicas, de madeira, bem pertinho de um rio, descalço, lendo um livro policial como os que se lê nas férias. O sol de fim de tarde aquecia meu rosto com uma luz agradável, e senti uma fome de comer pizza. Bebi cerveja, conversei com algumas pessoas, estava ali há horas.&lt;br /&gt;Apesar de tantas cores, no rádio do lugar tocou série de músicas que sempre ouço no escritório, e me senti de repente muito cansado e preocupado, a mesinha era uma mesa de trabalho comigo sentado nela escrevendo algo no computador, à minha frente havia mesmo um computador e eram duas da manhã.&lt;br /&gt;Veio então uma súbita sensação de queda, dessas que temos quando acordamos de repente, e eu estava numa poltrona de avião voando sobre o oceano:&lt;br /&gt;- Senhor, aceita um refrigerante?&lt;br /&gt;Confuso, vejo a aeromoça e o carrinho de lanches. Para onde estamos voando mesmo?&lt;br /&gt;- Para São Paulo, senhor. Desculpe tê-lo acordado, mas logo vamos pousar.&lt;br /&gt;Aceitei um suco de laranja e um pacotinho de amendoins. Prudentemente, desliguei meu aparelho de MP3, que a música do Cure terminara e começava a tocar uma música da minha adolescência.&lt;br /&gt;Apertei o cinto e deixei a poltrona na vertical: em outras dimensões eu namorava, sofria acidentes automobilísticos, nadava, estudava, desenhava, sofria, dançava, e muitas coisas mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-8294272117110795081?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/8294272117110795081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=8294272117110795081' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8294272117110795081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/8294272117110795081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/06/1-noite-2-dias-ao-mesmo-tempo.html' title='1 Noite, 2 dias ao Mesmo Tempo'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3650283047167801103</id><published>2008-06-04T01:17:00.000-03:00</published><updated>2008-06-04T01:18:00.877-03:00</updated><title type='text'>Crônica de uns Mendigos</title><content type='html'>Há no Castelo um mendigo a que chamo “Prince”, pois é muito parecido com aquele cantor, uma outra que é muito gorda e fica ali sentada perto do metrô Cinelândia, há uma bem idosa, baixinha e curvada com cabelos compridos amarelos e a pele morena, há um senhor barrigudo sempre de boné que aparece perto do Villarino na hora do almoço.&lt;br /&gt;Até bem pouco tempo havia também na Rua do México um negro magro que estava sempre se barbeando em frente ao consulado americano e uma mulher que usava peruca, se vestia de noiva e gritava “pã!pã!pã!” sem parar.&lt;br /&gt;Em frente ao Odeon sempre ficava um senhor com agasalho de ginástica que dava aulas de aeróbica para ninguém, e ali perto uma mulher que sacudia o corpo para frente e para trás furiosamente.&lt;br /&gt;Prince usa brincos feitos por ele mesmo, clipes de prender papéis encaixados em corrente que descem até os ombros, e colares de barbante, clipes, plásticos e outros materiais. Prende o cabelo no alto da cabeça e anda rebolando ostensivamente. Para quem fica olhando, logo grita uma série inimaginável de palavrões aprendidos sabe lá onde, e se não está andando pelas redondezas está escrevendo infinitos textos em um grosso caderno. O destino dos cadernos não me pergunte, há anos ele escreve sem parar.&lt;br /&gt;A gordinha tem um namorado, um homem que às vezes está ali ao lado dela, às vezes fica chorando dizendo que perdeu o namorado e de repente lá está ele de novo sentado. Ela raramente muda de lugar, quando muda a paisagem muda porque fica faltando algo na calçada desimpedida. Ela cheira muito mal, às vezes é possível senti-lo antes de subir as escadas do metrô.&lt;br /&gt;A senhora dos cabelos amarelos (não são louros, não sei dizer que cor é aquela, parece um desses xaropes) usa sempre casacos de lã, não importa se faz calor ou frio, e circula vendendo balas em pacotes de aspecto já rançoso. Na prática ninguém compra as balas, acaba dando alguma esmola e deixa a mercadoria com ela, assim cada dops já deve ter sido vendido dezenas de vezes. É chamada de Xuxa pelos garçons dos restaurantes, nunca a ouvi dizer uma palavra sequer, nem o preço, as pessoas entregam a ela notas de um real.&lt;br /&gt;O senhor barrigudo aparece exclusivamente na hora do almoço e pede uma ajuda para comer, ele consegue cercar a todos que por ali passam, parece às vezes ter vários braços e consegue fazer com que você se sinta eternamente culpado por não o ajudar.&lt;br /&gt;Os outros moradores da região andam sumidos, ou eu tenho andado pouco pelas ruas ou eles é que mudaram de ponto, meio perdidos em sua loucura. Mas sinto falta do cara que se barbeava, era ainda jovem e algo politizado, sempre ia se deitar na calçada do consulado para provocá-los. A Defesa Civil era chamada, uma ambulância chegava e o removia para o outro lado da rua. Ele esperava a ambulância virar a esquina e atravessava de volta. A Defesa Civil era novamente chamada e a história se repetia. Contei certa vez cinco chamados no mesmo dia, e ele atravessava a rua com uma expressão visivelmente zombeteira, aquilo era uma espécie de esporte para ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3650283047167801103?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3650283047167801103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3650283047167801103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3650283047167801103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3650283047167801103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/06/crnica-de-uns-mendigos.html' title='Crônica de uns Mendigos'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5745720728657441887</id><published>2008-06-01T00:39:00.001-03:00</published><updated>2008-06-01T00:39:54.247-03:00</updated><title type='text'>Tarde-Mart</title><content type='html'>O mercado estava excessivamente lotado, tanta gente e carrinhos que o trânsito entre as prateleiras fazia com que as compras demorassem uma eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Francisco sentia frio no setor de congelados, estava bloqueado entre quatro clientes e dois freezers horizontais, daqueles bem compridos onde ficam as caixas de nuggets. Precisava ainda chegar aos hambúrgueres, na outra ponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma promoção anunciada pelos sistema de som fez com que todas as pessoas se deslocassem para o setor de farináceos, como uma onda, e de repente tudo ao redor ficou deserto e ainda mais frio.&lt;br /&gt;Os carrinhos, abandonados cheios, eram apenas um obstáculo a mais e José ia deslocando um por um para passar, o corredor ficando cada vez mais comprido. Estava exausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escolhia entre a caixa com 4 unidades de 120g, mais suculentos, ou a de 12 unidades de 50g, viu de relance uma sombra despencando do alto. Mal teve tempo de dar um passo para o lado e um pombo se esborrachou ali mesmo onde ele estivera.&lt;br /&gt;O corpinho cinza tinha caído da estrutura do telhado (morava ali?), certamente já morto (de fome? do coração?). Caiu de cabeça, silenciosamente, produziu apenas um fino esguicho de sangue no impacto, uma mancha que parecia gerada por aerosol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E José fora o escolhido para ver aquilo, por alguma razão incompreensível. Era o único no setor e o pombo fora destinado a ele, por pouco não caíra sobre sua careca. Algum presságio? Qual a chance de um pombo cair sobre você num mercado lotado que de repente ficou vazio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava agir com rapidez, antes que todos voltassem. Pegou um saco plástico e com ele recolheu a ave do chão. Deu um nó e enfiou num carrinho lotado que estava por ali, escondeu sob uma pilha de bandejas de carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi para o checkout, escolheu uma fila menor, apenas duas pessoas na frente. Meia hora depois, passou suas compras pela esteira, ensacou, pagou. Então cruzou o corredor e saiu da loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mesmo instante começou uma terrível gritaria no extremo oposto, onde ficavam os primeiros caixas, e uma correria similar à anterior, desta vez para fora da loja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto guardava as sacolas no porta-malas, José viu a ambulância chegar, e os carros de polícia, e pessoas fugindo em pânico. Ouviu fragmentos de boatos divertidos gritados:&lt;br /&gt;Uma bomba! Uma caveira na bolsa! Um bando de ratos! A carne estava viva! Uma unha no meio das uvas! Saiu sangue da Coca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua tarde pelo menos terminou com alguma diversão!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5745720728657441887?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5745720728657441887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5745720728657441887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5745720728657441887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5745720728657441887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/06/tarde-mart.html' title='Tarde-Mart'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3391414873785552509</id><published>2008-06-01T00:37:00.001-03:00</published><updated>2008-06-01T16:58:40.399-03:00</updated><title type='text'>Tarde-Mart2</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SEL_UYnD3qI/AAAAAAAAAAk/i4U-5IHYW8k/s1600-h/pombobx.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207004844862463650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SEL_UYnD3qI/AAAAAAAAAAk/i4U-5IHYW8k/s400/pombobx.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com o olho de pombo via coisas demais para sua compreensão, mas seu universo todo parecia contido na cena, então ok, vamos voar por ali. De um lado para o outro ia reconhecendo coisas e lugares, comia grãos à noite, vivia assim há meses.&lt;br /&gt;Sabia que coisas havia além de sua compreensão, como a barreira invisível que o impedia de continuar voando para fora dali, via o céu, voava rumo a ele e batia em algo. Quanto mais rápido voava, mais forte sentia o impacto. Precisava sair dali a todo custo, estava enlouquecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha algum medo dos homens, lá no solo havia muitos deles, e empurravam gaiolas com rodas que iam enchendo de caixas, depois levavam as caixas embora, então chegavam outros homens e colocavam novas caixas na prateleira, uma coisa muito estúpida, nem conseguiam esvaziar nem encher o lugar.&lt;br /&gt;Como os peixes, que bebem a água do mar e depois acabam virando água eles mesmos, ou como os aviões, que sugam o ar de um lado e sopram do outro, que lógica há? Se os peixes não bebessem água ficariam secos e virariam areia, e aí sim sugariam o mar, se os aviões parassem de soprar o ar conseguiriam ficar cheios como balões, e parariam de correr tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora tinha um plano, ou melhor, dois: sairia dali disfarçado de humano ou de caixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plano A: mergulharia em sua velocidade máxima na cabeça de um humano sem cabelos. Assim conseguiria entrar na cabeça dele, e ficaria lá dentro até passar pelas portas prateadas, depois sairia sem que ele percebesse, e estaria livre.&lt;br /&gt;Plano B: se o plano “A” falhasse, daria um jeito de entrar numa caixa, ou num saco, de algum modo ficaria escondido numa das gaiolas com rodas, e seria levado para fora, então estaria livre!&lt;br /&gt;Desafio: fazer isto quando houvesse apenas uma pessoa por ali, que não queria ser visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passava sem que surgisse a oportunidade ideal, sabia que era uma questão de paciência, e atenção. Seu olho de pombo perscrutava as cabeças, acompanhava os carecas, avaliava as chances.&lt;br /&gt;Então o dia chegou. No setor de carnes redondas, um gorducho não conseguia escolher entre a caixa preta ou a azul, quando a voz metálica gritou um comando e os demais humanos todos obedeceram e se deslocaram para o setor dos pozinhos. O gorducho era careca e estava sozinho.&lt;br /&gt;Carregando comida para a jornada (pedacinho de tomate), mergulhou obstinadamente sobre seu alvo, já sentindo o aconchego lá de dentro da cabeça, quando algo muito errado aconteceu: estava a centímetros da colisão e a careca desviou para o lado. Não conseguiu frear a tempo, foi de cara no chão.&lt;br /&gt;Tudo ficou escuro de repente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu uma luz fraca, acordou sufocado por coisas pesadas. Sentiu que estava em movimento, mas nada podia ver nem tampouco se mover. A luz fraca apenas trazia a certeza de que estava vivo, e a dor de cabeça confirmava isto. Epa! Um flash de compreensão e percebeu que de algum modo estava em uma das gaiolas. Ativar plano B!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou muito, sentiu diminuir o peso sobre si, e esticou as asas, esticou as pernas, tudo funcionando perfeitamente. A última coisa foi removida, viu que era uma bandeja de carne e percebeu que estava dentro de um saco.&lt;br /&gt;A mão enrugada pegou o saco e colocou junto com as outras caixas, sem dar por sua presença, mas estar em um saco transparente é o mesmo que estar nu e logo ouviu um grito e muitos outros gritos enquanto os humanos se amontoavam ao seu redor e duas mulheres caíram no chão e as pessoas começaram a correr, um pandemônio.&lt;br /&gt;Enquanto isso, rasgou o saco e seguiu as pessoas que saíam pela porta metálica pousado na cabeça de uma delas, lá fora voou o mais alto e mais longe que podia!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3391414873785552509?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3391414873785552509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3391414873785552509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3391414873785552509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3391414873785552509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/06/tarde-mart2.html' title='Tarde-Mart2'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mn1tYeRwJ6U/SEL_UYnD3qI/AAAAAAAAAAk/i4U-5IHYW8k/s72-c/pombobx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2605530552458453721</id><published>2008-05-24T00:07:00.000-03:00</published><updated>2008-05-24T00:08:58.929-03:00</updated><title type='text'>Melancólica</title><content type='html'>- E então, você está feliz hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguiu um pouco de cada coisa, foi aos lugares todos, viu as cenas imperdíveis, encontrou as pessoas certas e no final ainda tomou uma cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo naquela parte da janela de personalidade que é acessível a qualquer um, e também de certo modo na parte restrita, mas como saber o que acontece no seu outro hemisfério? A parte privada queria mesmo aquele cara ou ele era só um desses acasos da noite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso Mariana pensava em frente ao espelho, a cara borrada e já desfeita, quase amanhecida, melancólica.&lt;br /&gt;Melan-cólica pensava agora na palavra, soava tão desproporcional ao que uma pessoa deveria ser capaz de sentir, soava como uma cólica potencializada.&lt;br /&gt;Melan-cólica. Por que algumas palavras conseguem ser tão cruéis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava naquela música do Cartola, onde as rosas exalavam o perfume dela, e um cara em algum lugar devia estar sentindo aquilo com olhos tristes, mas ela não conseguia sonhar os sonhos de ninguém.&lt;br /&gt;Uma espécie de autopunição, condenava a felicidade do dia que ia terminando diante da impossibilidade de continuar com o tal menino ocasional, a busca por alguém e por si mesma nunca terminaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No espelho podia ver umas primeiras ruguinhas ao redor dos olhos, olheiras, um tom de pele meio desbotado, o fio de cabelo branco na sobrancelha, um desânimo de não saber o que realmente queria da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limpou os olhos com o demaquilante, limpou a base e o que havia por cima, blush, sombra. Tirou o vestido curto e o sutiã com enchimentos.&lt;br /&gt;Olhou para o reflexo novamente, com algum desgosto. Tirou a lente azul e por último a peruca moderninha e foi dormir menino mais uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2605530552458453721?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2605530552458453721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2605530552458453721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2605530552458453721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2605530552458453721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/05/melanclica.html' title='Melancólica'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4988320541452725789</id><published>2008-05-15T00:15:00.004-03:00</published><updated>2008-05-16T04:18:56.832-03:00</updated><title type='text'>Monstros</title><content type='html'>Às vezes criamos monstros por prazer, um prazer mórbido de juntar partes de pessoas diferentes que imaginamos poderem funcionar bem em conjunto, e normalmente não dá certo.&lt;br /&gt;Outras vezes os monstros acabam nascendo sem que ninguém perceba e vão se formando até conseguirem assustar as pessoas, quando finalmente são notados. Há também os que nem foram criados por nós nem nasceram assim, sempre foi possível ser monstruoso por opção.&lt;br /&gt;Nem falo de Franks ou freaks, mas de monstros normais que ninguém diria serem tão tão estranhos que nem dá para sabermos se estamos vendo seu lado de dentro ou de fora.&lt;br /&gt;É possível fabricar alguns desses monstros em casa: muita gente faz isso hoje em dia, vai transformando suas crianças lentamente pelo uso de táticas pedagógicas-psicológicas-sociológicas modeladoras. Gente grande também o faz com técnicas cirúrgico-deformadoras, pastas, cremes, camadas de massa corrida, lixa, tinta.&lt;br /&gt;Com as ferramentas computacionais isto já está ao alcance de todos.&lt;br /&gt;E é possível ajudar as pessoas no processo de monstrificar-se, há técnicas que utilizam coisas cotidianas, técnicas sem custo algum e técnicas onde simplesmente não é necessário fazer nada.&lt;br /&gt;Pode-se começar com alguém sentado em uma cadeira de rodinhas, acolchoada para não gerar desconforto. São necessárias duas pessoas, uma vai passando cola em folhas de papel e folhetos e jornais, outra vai colando sobre a pessoa enquanto a primeira gira lentamente a cadeira. Quem está sentado fica grudado à cadeira, envolto como se estivesse em um casulo, por anos e anos, e tem seu tempo de transformação. A crosta de cola, endurecida pelo tempo, estica de um lado para o outro como em um ovo de borracha, e de repente se rompe deixando o monstro livre. Ou não se rompe, precisa ser cortada, o que vier primeiro. O monstro assim gerado se alimenta de carne humana, e ajuda a diminuir a fome no mundo porque a cada um que ele come é menos uma pessoa faminta no mundo, logo sobrará comida.&lt;br /&gt;Há monstros de todos os tipos, em toda parte. Uns são legais, ou podem ser legais contigo, outros são antipáticos, outros têm voz de robô e trabalham em empresas de telemarketing, outros riem de quem tropeça, outros cavam buracos, outros ficam lá dentro.&lt;br /&gt;Hoje mesmo estive com vários, como o cara dos amendoins, que tinha uma luz verde-fluorescente dentro dos olhos, a menina oriental que carregava muitos papéis iguais pelas ruas, o guardião das chaves, o surdo-mudo misterioso, a poita-móvel com os barcos amarrados, a mulher-dálmata.&lt;br /&gt;A maioria deles parece inofensiva, mas se alimenta por osmose: encosta um braço no seu e quando você percebe, seu osso mudou de dono. Encosta a cabeça na sua e quando você percebe seu cérebro ficou menor e a cabeça do outro transborda a massa cinzenta até pelos olhos. Encosta os cabelos nos seus e suas cabeças ficam unidas para sempre, então encosta o nariz no seu e então as bochechas, os olhos, a testa, e quando você percebe, está lá dentro dele também, monstrificado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4988320541452725789?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4988320541452725789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4988320541452725789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4988320541452725789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4988320541452725789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/05/monstros.html' title='Monstros'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3102044538645611212</id><published>2008-05-04T09:37:00.002-03:00</published><updated>2008-05-16T04:19:35.544-03:00</updated><title type='text'>Esboço de Gente</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Um esboço é a promessa de uma obra, que nem sempre se concretiza.&lt;br /&gt;Muitos esboços acabam esquecidos, deixados de lado, cedem a vez a uma idéia posterior ou simplesmente deixam de ser importantes. Então, se escapam da lixeira, e se sobrevivem ao tempo, às vezes são descobertos e retomados por outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma criança é uma promessa de ser humano, que nem sempre se concretiza.&lt;br /&gt;Muitas crianças acabam esquecidas, criadas de qualquer maneira, simplesmente deixam de ser importantes para seus pais. Então, se escapam das más influências, e se sobrevivem à sua própria carência, às vezes conseguem ser descobertos e amados por outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. era o esboço de uma menina perfeita: seus pais podiam oferecer-lhe a melhor educação, todos os brinquedos, um lar para viver, muito carinho.&lt;br /&gt;Ela nasceu assim, mas logo depois algo desandou, sua mãe começara a beber compulsivamente e vinha tendo surtos de agressividade imprevisíveis. O pai, assustado, levou P. para a casa dos avós por alguns meses, mas os avós eram muito velhinhos e nem se preocupavam em saber o que se passava com a menina de cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. agora tinha um quarto só para ela, onde brincava com fósforos, álcool e coisas perigosas assim, todas encontradas no armário do banheiro. Colocava uma boneca sentadinha no parapeito, derramava álcool nela e acendia o fogo. A boneca em chamas ela empurrava e assistia cair no jardim lá em baixo.&lt;br /&gt;Enquanto isso, na casa de seus pais, tudo degenerara. O pai e a mãe agora se odiavam, o tempo todo gritavam e trocavam acusações, bebiam, apelavam às vezes para socos e dentadas. Fora de controle. Houve até ameaças com facas, e um dia a mãe foi internada em uma clínica psiquiátrica, pois além da bebida ficara viciada em antidepressivos, anfetaminas e cocaína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. tinha agora 10 anos e morava com o pai, um incêndio tinha destruído a casa dos avós, ela tinha conseguido escapar pulando a janela do quarto, mas os dois tinham ficado presos na sala e não sobreviveram. Era muito ruim morar ali, o pai era outra pessoa e morava com outra mulher que não gostava muito de ter uma menina por ali, isto era visível em cada atitude.&lt;br /&gt;P. viveria como uma gata borralheira se tivesse aceitado a situação, ela fingia aceitar mas vivia uma vida secreta no quartinho dos fundos. Ali guardava suas facas e punhais, lâminas espalhadas por todas as paredes, era nisto que gastava sua mesada e treinava golpes e movimentos a tarde toda.&lt;br /&gt;Como era ela mesma quem limpava a casa, ninguém nunca entrava ali. Ela usava um manual de guerra corpo-a-corpo do exército, comprado do mendigo que fica na porta da escola. Então chegava em casa e treinava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe já estava internada há alguns anos, recuperada, mas dali não podia sair porque o pai fizera arranjos para retê-la como louca. P. descobriu a história toda um dia que precisou limpar o escritório do pai e encontrou as correspondências da clínica.&lt;br /&gt;Primeiro organizou um pequeno arsenal, que colocou na mochila. Então prendeu um suporte de couro, em diagonal, e na bainha colocou uma faca longa de comandos. Na mão segurava uma de lâmina comprida e estreita, e esperou atrás da porta até que chegasse alguém.&lt;br /&gt;A namorada do pai entrou, e P. cravou a faca até o cabo em sua barriga, cortando os intestinos, depois retirou e tornou a cravá-la na altura do peito, perfurando o coração. Picou em pedaços o corpo e deixou os despojos por ali mesmo. Como o pai não voltava, resolveu ir logo para a clínica resgatar a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta, recuperada mas alienada, nem saberia reconhecer a filha. Viu com espanto uma garota furiosa de 15 anos invadir as enfermarias com uma faca em cada mão, cortando e furando todo mundo, internos, médicos, enfermeiros, colchões. Antes que chegasse à sua ala, lá estava a polícia disparando a esmo e ferindo tantas pessoas quanto a garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. estava em todos os noticiários, fora capturada após a carnificina, ao todo quase 50 mortes e mais de 100 feridos, boa parte com ferimentos de faca e de balas. A imagem mostrava uma bela garota soridente, coberta de sangue. Os repórteres mostravam também imagens da madrasta esquartejada e fotos da casa dos avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, porém, que a pudessem julgar, P. tomou vários frascos inteiros de comprimidos que roubara da clínica e saiu de cena.&lt;br /&gt;O pai, arrasado com o rumo das coisas todas, viajou para a Europa para se recuperar, e lá acabou conhecendo uma mulher sensacional, trapezista, e começou tudo mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3102044538645611212?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3102044538645611212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3102044538645611212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3102044538645611212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3102044538645611212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/05/esboo-de-gente.html' title='Esboço de Gente'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2160298522852277707</id><published>2008-04-27T19:57:00.000-03:00</published><updated>2008-04-27T20:00:33.910-03:00</updated><title type='text'>Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando – VIII</title><content type='html'>Carla anda devagar para a direita vinte metros e acaba indo um pouco mais para a esquerda, pois o mundo gira mais rápido. Uma sensação de dar um passo a frente e perceber que recuou dois, como quando tentamos subir em uma escada rolante que desce.&lt;br /&gt;Se vai para a esquerda por uma hora, chega na mesma hora em que saiu, dependendo da velocidade, ou mesmo antes. Mas para ela uma hora passou, então é como se tivesse envelhecido uma hora a mais que o mundo, ou viajado um pouquinho para o passado.&lt;br /&gt;No entanto, se corre para a direita por uma hora leva duas para chegar, viaja para o futuro. Sai ao meio dia, viaja por três horas e chega às cinco da tarde, ainda que para ela não passem de três.&lt;br /&gt;Às suas costas um vento congelante, em seu rosto ares quentes equatoriais, se vai em diagonal muda também o clima.&lt;br /&gt;Carla está em um avião, e voa de um lado para o outro pulando fusos horários. A idéia é voar até acabar o combustível e então usar seu paraquedas, o jatinho não é dela mesmo, nem o piloto ali na mira do 38.&lt;br /&gt;Ela sonha um dia poder girar em órbita da Terra, ainda que fosse em um ovni, abduzida.&lt;br /&gt;O Tempo é a dimensão mais interessante para viajar, como não inventaram ainda a máquina do tempo ela precisa se contentar em cruzar meridianos daqui para lá. Aliás, não dá para saber se a tal máquina não foi mesmo inventada, é o tipo de descoberta que não sai no noticiário nem em anúncios de empresas de viagens.&lt;br /&gt;Carla cai numa cidade qualquer por aí, aumenta as estatísticas de acidentes aéreos. Então come alguma coisa, descansa um pouquinho e segue de carona para o aeroporto mais próximo, não tem tempo a perder.&lt;br /&gt;Já não sabe sua idade real nem a relativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2160298522852277707?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2160298522852277707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2160298522852277707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2160298522852277707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2160298522852277707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/04/coisas-que-acontecem-quando-no-tem.html' title='Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando – VIII'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-4055009916965630893</id><published>2008-03-27T00:11:00.000-03:00</published><updated>2008-03-27T00:12:33.320-03:00</updated><title type='text'>Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando - VII</title><content type='html'>Uma pizza de carne seca. Sem que ninguém reparasse, abri a cápsula e pulverizei o conteúdo, um fino pó branco, sobre a fatia.&lt;br /&gt;Nada de mais, não era cocaína, apenas um remédio para reduzir a gordura do sangue. É preciso tomar durante as refeições para reduzir os tais triglicerídeos, então se tomo mais um posso ao mesmo tempo comer algo mais, como um antídoto. Antídoto para a pizza.&lt;br /&gt;Diz na bula: pode causar intoxicação da pele, desmaio, náuseas, urticária, queda de cabelos, etc. Então que houvesse alguma compensação.&lt;br /&gt;Na mesa ao lado, uma família normalzinha, pai, mãe, dois filhos. O sujeito deve ser militar, tem cabelo mal cortado, curto e cheio de arestas, fala alto e tem uma expressão de superioridade muito irritante. A esposa fala de boca cheia enquanto tenta convencer o filho a não mastigar de boca aberta e a filha a desligar o MP3 por alguns minutos.&lt;br /&gt;Havia um nativo (a pizzaria ficava em uma cidadezinha do litoral carioca) que tocava violão e cantava músicas dos anos 80 sentado num banquinho redondo, atrás dele uma paisagem pintada representava a praia mais badalada da região e também alguns exemplares da fauna marinha.&lt;br /&gt;A luz da cidade apagou. No blecaute apenas a voz sem amplificação se ouvia, o violão devia ser elétrico mas o cantor não desistia e com sua voz ia preenchendo boa parte da escuridão.&lt;br /&gt;Aquilo durou apenas alguns minutos, logo tudo clareou e era dia novamente, mas estava tudo diferente. O lugar era branco, bem iluminado, mas tinha um teto bem baixo e paredes azulejadas.&lt;br /&gt;Eu estava deitado e também devia estar amarrado, pois não conseguia mover os braços nem as pernas. Com dificuldade, podia girar os globos oculares e vi à esquerda uma grande janela, do outro lado muitas pessoas amontoadas olhavam para mim e conversavam entre si coisas incompreensíveis. Nunca consegui ler lábios.&lt;br /&gt;Estranho não haver sons, nenhum som na verdade. Só uma espécie de vibração no ar, tudo parecia mesmo vibrar na mesma amplitude, imagens e coisas vibrando juntas. Uma sensação de frio por dentro, enquanto por fora uma sensação de calor, talvez devido à presença de tantas lâmpadas.&lt;br /&gt;Senti o horizonte oscilar, descer. Eu estava flutuando?&lt;br /&gt;O teto subia comigo, os azulejos desciam, então novos azulejos deviam brotar no alto, e iam mudando de cor, escurecendo, e estavam coloridos, e ao mesmo tempo ficavam transparentes como se as paredes estivessem virando janelas e aquilo fosse o interior de uma televisão antiga, então lá fora estava aquela família da mesa ao lado mascando pedaços borrachentos de mussarela.&lt;br /&gt;O pai levantou-se da mesa e foi falar algo com o garçom: onde é o banheiro? A menina tornou a colocar os fones.&lt;br /&gt;Estava bem tarde, hora de pedir a conta e caminhar um pouco para evitar os pesadelos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-4055009916965630893?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/4055009916965630893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=4055009916965630893' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4055009916965630893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/4055009916965630893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/03/coisas-que-acontecem-quando-no-tem.html' title='Coisas que acontecem quando não tem ninguém olhando - VII'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-1036627545353501264</id><published>2008-03-01T15:47:00.002-03:00</published><updated>2008-03-01T15:48:53.108-03:00</updated><title type='text'>Histórias Encaixadas - Parte3 – Barbarossa</title><content type='html'>Maristela tomou outro gole da poção mágica que fazia crescer cabelos em bola de bilhar: ela queria tanto ter barbas que já experimentara de tudo um pouco, agora estava apelando para magia.&lt;br /&gt;Era linda, jovem, ruiva, bem feminina, mas queria muito ter uma barba espessa e comprida, como a do imperador Pedro II, imponente.Já tomara hormônios, e nomáximo conseguira um bigodinho ralo e uma menstruação bagunçada. Já usara tônicos e produtos químicos, que só trouxeram espinhas, coceira e medo de um câncer.&lt;br /&gt;A poção que bebia encontrara pela internet, precisara ir buscar em um barraco sombrio de favela, onde fora recebida por uma feiticeira descabelada e parecida com o Grande Otelo.&lt;br /&gt;Olhos amarelados e grandes, uma expressão lunática, ela não parara de rir entregara um frasquinho azul, onde lia-se "ruivo", e recebera o dinheiro. E só. Maristela fora embora rapidamente.&lt;br /&gt;Dizia o anúncio: "beba toda a poção e vá dormir. No dia seguinte a barba estará visível e crescerá em ritmo acelerado por dez dias. Ao término deste período, a poção perderá o efeito em pessoas normais"&lt;br /&gt;Hummmm, pessoas normais... Virou o resto em um grande gole, o gosto era de vwgetais, coisa velha e mofada, a textura era arenosa, viscosa. Um nojo. Deitou esperançosa e apagou a luz. Então ouviu a campainha tocar, e teve a impressão de levantar para atender, mas viu-se sonhando perdida em uma favela-labirinto onde as paredes dos barracos eram móveis e se recombinavam para impedir sua passagem.&lt;br /&gt;Acordou molhada de suor às 4 da manhã, sentindo cólicas terríveis. Gritou maldizendo a poção e sua ingenuidade, e todas as feiticeiras do mundo. Lavou o rosto com a água fria da madrugada e não resistiu a uma olhada no espelho do banheiro: lá estava seu rosto com uma barba ruiva de três ou quatro dias sem barbear.&lt;br /&gt;Putz! Funcionava mesmo. Sentou-se na privada, realmente espantada, nem dormiu mais aquela noite. Fez penteados, experimentou roupas, espiou-se nua, tirou fotos, riu como uma criança.&lt;br /&gt;O dia seguinte era um sábado, e decidiu ficar em casa experimentando novas configurações de si mesma. Domingo estava exausta e passou a maior parte do dia dormindo, e na segunda-feira já tinha uma barba respeitável.&lt;br /&gt;Colocou um vestido bem alegre e foi trabalhar. No escritório ninguém comentou, talvez nem tivessem reparado. Fosse um decote ousado, teria capturado mais olhares. O dia passou rápido, e assim também foi na terça e na quarta-feira.&lt;br /&gt;Na quinta-feira ela já tinha uma barba volumosa, cheia, ruiva. Combinava até com seu rosto, de traços delicados e pele bem clara, com seus olhos azuis e cabelo curto. Morria de felicidade. Foi trabalhar de metrô e levou alguns olhares apaixonados consigo, um jogo divertido.&lt;br /&gt;Neste dia almoçou spaghetti com molho de tomate e achou difícil comer sem se sujar. E não conseguia ver seus colares, ficavam escondidos. Como viveria sem spaghetti, sopa, colares?&lt;br /&gt;Os dias rapidamente se dissolviam e num instante chegou ao prazo em que a poção perdia seu efeito, a barba parou de crescer, mas isto até era bom já que tinha o comprimento da barba do mago Merlin. Estranho, mas durante todo este tempo era como se apenas ela percebesse a barba, ninguém comentava, dizia gracinhas, nada. Só tinha a certeza de que aquilo acontecera porque todos os dias seu crescimento tinha sido registrado por dezenas de fotos.&lt;br /&gt;Acabou enjoando, o desejo havia sido realizado, e era só. Resolveu barbear-se no dia seguinte, mas isto nem fora necessário, era o décimo dia e acordou com o rosto lisinho novamente. Nenhum pêlo em sua cama, nem no banheiro, eles tinham sumido milagrosamente como tinham aparecido e crescido antes.&lt;br /&gt;Buscou as fotos para recordar, elas também tinham desaparecido. Alguém estivera em sua casa? A porta do apartamento estava aberta, apenas encostada.&lt;br /&gt;Percebeu que vestia uma roupa bastante suja, encardida e mesmo rasgada em alguns pontos, sentiu que sua pele cheirava mal e resolveu tomar um banho imediatamente e depois resolver estes mistérios recentes.&lt;br /&gt;No trabalho, foi chamada à sala do chefe tão logo entrou no escritório:&lt;br /&gt;- Muito bem, dona Maristela, por onde tem andado? Acha por acaso que esta empresa é a casa da mãe Joana? Saiba que estes dias serão descontados de seu salário. Imagine ter a cara de pau, nem apareceu para marcar o ponto. Agora vá, deve ter o que fazer!&lt;br /&gt;Confusa, telefonou para o namorado, para amigos, ficou assustadíssima: tinha estado desaparecida por dez dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-1036627545353501264?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/1036627545353501264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=1036627545353501264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1036627545353501264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/1036627545353501264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/03/histrias-encaixadas-arte3-barbarossa.html' title='Histórias Encaixadas - Parte3 – Barbarossa'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3636190659726817203</id><published>2008-02-25T13:07:00.000-03:00</published><updated>2008-02-25T13:08:19.873-03:00</updated><title type='text'>Triglicerídeos, para onde vocês vão?</title><content type='html'>Sinto o poder dos triglicerídeos, que comandam insanidades variadas em meu sangue e permitem que as pernas dancem assim mesmo depois de décadas congeladas.&lt;br /&gt;A uma taxa de 450 nem sei do que sou capaz, andando por aí como uma caldeira à moda antiga. Mas cuido bem deles, sempre que consigo ofereço-lhes uma feijoada ou salames gordurosos e sensacionais.&lt;br /&gt;Imagino o que poderia acontecer se fosse obrigado a perdê-los, e como nas perdas de amor já sinto o coração apertado e deficiente.&lt;br /&gt;Ficaria mau, egoísta, fraco, magro, nervoso, doente. Ou não saberia mais pensar, viraria destro, manco, torceria por outro time, gostaria de uísque, de caldo verde e brócolis, ficaria careca, impotente, mudo, cego, talvez.&lt;br /&gt;E se meu sangue for substituído, transformado, circular no sentido inverso, aflorar, esguichar e se esvair, e eu ali ficar, lívido, amarelado e frio caído sobre um leito de folhas?&lt;br /&gt;Melhor seria jamais ter provado tais venenos que sabê-los seus por toda uma vida e agora ser obrigado a deixá-los ir.&lt;br /&gt;Quem ficará em seu lugar?&lt;br /&gt;Triglicerídeos putos, que me iludiram tanto assim! &lt;br /&gt;(desespero de não poder sequer enviar um e-mail a vocês sem que o exame acuse)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3636190659726817203?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3636190659726817203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3636190659726817203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3636190659726817203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3636190659726817203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/02/triglicerdeos-para-onde-vocs-vo.html' title='Triglicerídeos, para onde vocês vão?'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2170902622563010700</id><published>2008-02-05T01:16:00.000-02:00</published><updated>2008-02-05T11:53:02.844-02:00</updated><title type='text'>Histórias Encaixadas - Parte 2: Favela</title><content type='html'>Era tarde da noite. Cleonice amassava algumas ervas, misturava alguns pós. Velas acesas por toda parte, cheiro de fuligem, um aspecto bastante sinistro no barraco de madeira.&lt;br /&gt;Revirava os olhos, como que em transe, e balbuciava sons incompreensíveis. Assustados, todos ao redor tinham muito respeito por seus poderes. Estavam ali presentes os chefões do tráfico e os policiais do posto de vigilância.&lt;br /&gt;Deviam mesmo a ela e seus feitiços a conquista de algumas bocas à facção rival, sem nenhuma baixa entre os aliados. Os rivais, porém, ou foram cortados à bala ou queimados na “churrasqueira”, que era uma área de execução no alto do morro. Colocavam o bandido preso em uma pilha de pneus e ateavam fogo.&lt;br /&gt;Dona Cleo, como era chamada, deu um grito terrível e entregou a um dos PMs presente uma fita métrica: a esposa estava grávida e passava mal, corria o risco de perder a criança, o soldado buscava ajuda.&lt;br /&gt;- Pega essa fita, mede a perna dela e vê quanto pesa. Se der mais de dez quilos ela está com febre. Aí joga esse pó dentro do olho dela.&lt;br /&gt;Parecia incompreensível, instruções do além, mas ia tentar. Desse no que desse.&lt;br /&gt;O preço da consulta: fingir que não via o movimento do tráfico. Tudo bem, isto ele já fazia, mas cobrava uma taxa com a qual não poderia mais contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Cleo, na verdade, era uma farsante. Aprendera com a avó uma infinidade de truques e encenações, e vivia disto. A avó, por sua vez, fora discípula da Tia C., famosa na década de 1920 pela sua feitiçaria, que também era trambique.&lt;br /&gt;Com seu físico esquálido, seus olhos amarelados e esbugalhados, o cabelo desleixado, conseguia um efeito ainda mais assustador. Bastava ter em estoque bichos estranhos, ervas, cachaça, velas, coisas assim, e pintar coisas obcenas e diabólicas pela parede para compor seu cenário.&lt;br /&gt;Ela tinha diversificado seus negócios, fizera sites anunciando uma enorme variedade de misturas e preparados com poderes mágicos, tudo falso. Se alguém queria muito mesmo um produto desses conseguia o número de um telefone, e telefonava para receber o endereço do seu barraco.&lt;br /&gt;Havia dois tipos de produto, ambos misturas para beber.&lt;br /&gt;Um era uma mistura muito ruim, inócua, que levava a pessoa a vomitar, assim acabava pensando que disperdiçara a poção e às vezes até voltava para comprar outro frasco.&lt;br /&gt;O segundo tipo era um misto de alucinógenos e calmantes, que deixava a pessoa em transe após algumas horas, uma espécie de catalepsia que durava mais de uma semana. Esta fórmula era dada a clientes que Dona Cleo julgava bem de vida e que valiam a pena roubar. Enquanto a pessoa estava em transe, os meninos limpavam a casa, quando acordava não sabiam direito quem eram nem o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;No dia seguinte tinha dois clientes, nem lembrava o que queriam conseguir, também foda-se, os produtos eram iguais mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro cliente era um homem de uns 50 anos que buscava uma fórmula-viagra, andava meio desestimulado. Entrou suado, amedrontado. Pagou os cem reais, recebeu o frasco tipo 1, era meio molambo e divertia Dona Cleo com seu jeito assustado.&lt;br /&gt;Resolveu se divertir com ele e falou um monte de coisas sem sentido, disse que ia ler a sorte. Cortou o pescoço de uma galinha e verteu um pouco do sangue em uma tigela de porcelana, fez que lia algo no sangue, cara de susto, esbugalhou os olhos. O homem quase desmaiava de aflição. Ia morrer logo, logo de morte violenta, tinha um demônio na casa dele.&lt;br /&gt;Vendeu mais um kit-descarrego e deu uma série de passes em troca do que ainda havia na carteira dele, o butim todo rendera mais de duzentos reais.&lt;br /&gt;Quando o cliente saiu, cheirou um pouco do pó que recebia todos os dias, e começou a rir histericamente do otário.&lt;br /&gt;Ainda ria bastante quando chegou a segunda cliente, nem deu ouvidos ao que ela queria, foi logo passando o frasco tipo 2. Recebeu o dinheiro, e sentia pelo jeitão da menina que ali tinha coisa de primeira.&lt;br /&gt;Quando ela saiu, abriu uma janela e fez sinal a um dos meninos para segui-la. Agora era só descobrir onde morava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz voltou mais tarde dizendo que a menina morava na Tijuca mesmo, num prédio na rua da 19ª delegacia. Tinha porteiro e câmeras, não conseguiu descobrir o andar. Daria para fazer o serviço se ela quisesse, bastava tentar o disfarce de entregador de farmácia.&lt;br /&gt;Dona Cleo achou melhor deixar para lá, queria algo maior ou mais fácil, o negócio de limpar residências ou devia valer muito a pena, como na vez em que limpara uma velhinha em Ipanema, ou não apresentar dificuldade, como na vez em que limpara uma estudante que morava sozinha numa casa isolada. Não queria correr muitos riscos, afinal preferia trabalhar sempre que ir para a cadeia e já no dia seguinte havia três clientes marcados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2170902622563010700?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2170902622563010700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2170902622563010700' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2170902622563010700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2170902622563010700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/02/histrias-encaixadas-parte-2-favela.html' title='Histórias Encaixadas - Parte 2: Favela'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3424934759241061026</id><published>2008-02-01T13:24:00.000-02:00</published><updated>2008-02-01T13:28:28.158-02:00</updated><title type='text'>Histórias Encaixadas - Parte1: Natal</title><content type='html'>Em pé, praticamente em todas as esquinas, nas lojas e mercados, Papais Noéis variados: altos, baixos, anões, magros, gordos.&lt;br /&gt;Roupas novas, gastas, vermelhas em diversas tonalidades, barbas volumosas, ralas, compridas, aparadas, imperiais ou modernas, gorros curtos ou compridos.&lt;br /&gt;Nenhum, porém, igual ao que circulava nos meus sonhos. Eu vinha sonhando com um mesmo Papai Noel há várias noites, um sonho repetitivo e obssessivo com o mesmo sujeito, nas mais estranhas situações ele sempre acabava aparecendo.&lt;br /&gt;Aquele era perfeito, como os desenhados por Norman Rockwell, padrão Coca-cola, e me perseguia pelo cenário que fosse. Isso era o que havia de estranho e assustador.&lt;br /&gt;O Papai Noel dos sonhos é aquele que mora na Lapônia, mas não hesitava em aparecer no banco do carona, num jogo de sinuca ou numa piscina imaginária.&lt;br /&gt;Pode parecer estranho, mas fiquei com medo dos velhinhos de vermelho, e sair de casa nesta época do ano tornou-se algo bastante aflitivo.&lt;br /&gt;Não pude evitar completamente as lojas, fui incubido de comprar vários presentes para a família. No shopping, cruzei com alguns Noéis e fui mesmo perseguido por um que teimava em me entregar um folheto de lanchonete. Encurralado entre duas filas da praça de alimentação, ele conseguiu me alcançar e enfiou o tal folheto no bolso da minha camisa, então piscou estranhamente o olho.&lt;br /&gt;Consegui escapar dali, olhei em volta e ele tinha desaparecido. Terminei normalmente as compras e fui para casa.&lt;br /&gt;Mais tarde, quando despi a camisa para dormir, um papel caiu no chão, era o folheto. Abaixei-me para pegá-lo e reparei que havia algo rabiscado ali. Curioso, li o seguinte:&lt;br /&gt;"Eu conheço você e sei o que quer. 23h em frente à saída principal, esteja lá"&lt;br /&gt;Procurei meu relógio, já passava de meia noite. O que significava aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, um domingo, voltei ao shopping para procurar o sujeito. Como saber qual dos Noéis era? Fui até a lanchonete que ele estava divulgando na véspera, tinha sido contratado apenas por um dia, através de uma agência de serviços temporários. Anotei o nome e o telefone da agência, estava bem assustado.&lt;br /&gt;Passei a tarde no zoológico, desenhando bichos. Quando cheguei em casa, o porteiro disse que um senhor tinha estado ali à minha espera por horas, e deixara um bilhete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não adianta tentar fugir, é assunto do seu interesse. Ligue para mim"&lt;br /&gt;Um número estranho de telefone completava o bilhete, sem assinatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi correndo e telefonei. Do outro lado, apenas risadas. Comecei a falar a xingar e uma voz rouca disse:&lt;br /&gt;- Então Você ligou. Esteja em casa hoje à noite.&lt;br /&gt;A voz desligou e fiquei ainda mais nervoso. O que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui à delegacia, mas pouco podiam fazer se não havia uma ameaça concreta. Procurei um vigia mais parrudo aqui do prédio e ele topou ficar escondido lá em casa, equipado com um taco de baseball, se acontecesse algo estranho ele poderia ajudar na defesa.&lt;br /&gt;Coloquei uma faca automática no bolso para garantir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite ia se arrastando, e nossos nervos cada vez mais tensos, imaginávamos as intensões mais bizarras. Então pouco depois das 11 o interfone anunciava a chegada do nosso papai noel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo olho mágico ele parecia ainda mais estranho.&lt;br /&gt;- O que quer comigo?&lt;br /&gt;- Você é quem deveria saber o que quer comigo.&lt;br /&gt;- Chega dessa história. Quem é você?&lt;br /&gt;- Papai noel&lt;br /&gt;- Ora, vá se foder! Pode ir embora, não vou abrir a porta.&lt;br /&gt;- Seu mal educado, se eu for, não volto mais aqui.&lt;br /&gt;- O que tem aí nesse saco?&lt;br /&gt;- Abra que eu mostro. É tudo para você.&lt;br /&gt;- Não mesmo. pode se mandar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi quando cruzou o corredor e tocou a campainha da vizinha em frente. Corri para o interfone, precisava avisá-la antes que abrisse a porta. Foi tarde demais, quem atendeu no 703 foi Noel.&lt;br /&gt;- quer falar com alguém? Hohoho...&lt;br /&gt;- seu canalha, o que faz aí?&lt;br /&gt;- vou mostrar umas coisas a ela, se ela acordar. Hohoho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Telefonei para a delegacia, era natal e assim que um policial estivesse disponível atenderiam ao chamado. Enquanto isso, o vigia tentava falar com o porteiro da noite, sem sucesso.&lt;br /&gt;Saímos armados com facas e taco, atravessamos o corredor, entramos no apartamento aberto. Não havia mais ninguém ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramos um frasco caído no chão, dentro dele um cheiro de vegetais velhos. No rótulo apenas escrito à mão, com tinta esferográfica "ruivo". Nenhuma pista a mais. Talvez uma tintura para cabelos? Parecia um vidro desses de xarope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranquei bem a porta e nada de estranho tornou a acontecer naquela noite. No dia seguinte, bem cedo, o vigia interfonou dizendo que o carro da vizinha desaparecera, o porteiro da noite devia ser cego, não reparara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 26 precisei trabalhar, sou meio escravo de mim mesmo. Encontrei um envelope branco à minha espera na portaria, dentro dele uns tufos de cabelo e um papel da Leader Magazine, recortado do encarte: promoções de natal. Certamente uma mensagem do amigo oculto. Nem era preciso ser adivinho para saber que os tufos eram da vizinha. Nada escrito. Fora deixado sob a porta antes do prédio abrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, mais tufos e um bilhete:&lt;br /&gt;"preciso falar com você. Anote o número do seu telefone neste envelope, jogue na lixeira aí em frente que eu ligo."&lt;br /&gt;Imediatamente avisei a polícia, desta vez atenderam, a coisa ficara séria. Cercaram o quarteirão, vigiaram a lixeira por 3 dias e nada aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve novos contatos, o telefone que eu tinha era de um orelhão em Madureira. Passei a andar apreensivo e nunca mais fui o mesmo. Passei a me sentir responsável pelo destino da garota do 703.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou o reveillon, o ano novo trouxe muito trabalho, estive fora do prédio por uma semana. Quando voltei, por acaso entrei no elevador junto com a vizinha  raptada, linda e faceira como se nada tivesse acontecido. Ela parecia confusa quanto aos dias em que estivera desaparecida, dizendo que estivera ali, trabalhara, nada acontecera de anormal. Como se sua memória tivesse sido apagada.&lt;br /&gt;Perguntou se eu não tinha notado algo diferente na sua aparência, respondi que parecia mais magra. Depois disso, nunca mais conversamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto aconteceu há alguns anos, e o mistério nunca foi solucionado, nem o criminoso descoberto. Ele ronda minha vida e meus sonhos desde então, e todos os Natais fico trancado em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3424934759241061026?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3424934759241061026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3424934759241061026' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3424934759241061026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3424934759241061026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/02/histrias-encaixadas-parte1-natal.html' title='Histórias Encaixadas - Parte1: Natal'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3045731623003659654</id><published>2008-01-28T18:57:00.001-02:00</published><updated>2008-01-28T19:00:24.047-02:00</updated><title type='text'>Pessoas e Árvores</title><content type='html'>Uma ou outra árvore são altas,&lt;br /&gt;enquanto algumas são baixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se umas e outras pessoas estão altas,&lt;br /&gt;enquanto algumas ficam chatas,&lt;br /&gt;outras são divertidas,&lt;br /&gt;mesmo sendo altas ou baixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas árvores os galhos crescem,&lt;br /&gt;nas pessoas o nariz e as orelhas&lt;br /&gt;também não páram de crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns têm folhas, outros cabelos,&lt;br /&gt;uns seiva, outros sangue,&lt;br /&gt;uns casca, outros pele,&lt;br /&gt;uns têm raízes, outros criam raízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Árvores são firmes, pessoas não.&lt;br /&gt;Pessoas andam, árvores não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber a idade de uma árvore é preciso cortá-la,&lt;br /&gt;para saber a idade de uma pessoa é só perguntar,&lt;br /&gt;Ou vice-versa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3045731623003659654?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3045731623003659654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3045731623003659654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3045731623003659654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3045731623003659654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/01/pessoas-e-rvores.html' title='Pessoas e Árvores'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3465453223304486504</id><published>2008-01-26T03:54:00.000-02:00</published><updated>2008-01-26T03:55:24.889-02:00</updated><title type='text'>Haircut com bolo</title><content type='html'>Fui cortar o cabelo, sábado era o único dia que dava tempo, meu cabelereiro agora tinha salão próprio e o corte era com hora marcada.&lt;br /&gt;Escolhi logo o primeiro horário, que não tem movimento. A coisa mais detestável é cortar cabelo em pleno movimento de sábado à tarde, com velhotas fazendo as unhas, peruas tingindo o cabelo, pessoas fofocando, correria de lá para cá. Bem cedo costuma não ter quase ninguém, dá até para ir de short, camiseta velha e chinelo, coisas assim.&lt;br /&gt;Não fui propriamente esculhambado, nem mal vestido se considerarmos a situação, estava com uma bermuda nova e uma camiseta surrada, sandália. O que piorava a situação era a barba sem fazer há muitos dias e o cabelo enorme, despenteado (quando, nesta situação, faço a barba, o cabelo parece ficar ainda maior, aí acabo deixando a barba acompanhá-lo por alguns dias).&lt;br /&gt;Era um aspecto indigente-limpo, para quem não me conhecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, posso dizer que a primeira surpresa do dia foi ver que todos estavam vestidos com roupas extravagantes por lá, da recepcionista ao copeiro. Meu cabelereiro estava todo de branco, a camisa meio aberta no peito, um cordão com um cifrão prateado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso? Vão receber algum cliente muito importante aqui?&lt;br /&gt;- Não, não. Hoje o salão faz um ano, você chegou bem a tempo de cantar parabéns com a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber onde me esconder, vi a entrada triunfal do bolo, parecido com esses de casamento. No topo, a marca do salão. Convidaram uma senhora elegante a partir, ela tinha sido a primeira cliente.&lt;br /&gt;Comi uma fatia, sendo filmado pelo funcionário que normalmente lava meu cabelo, sorriso amarelo disfarçado pelo glacê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois abriram uma garrafa de champagne, a rolha quase quebrou um espelho, todos tomaram um cálice menos eu, acabara de tomar o café da manhã. Precisei resistir às investidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então meu cabelo foi lavado, e fui finalmente cortar, já que na verdade tinha umas duzentas coisas para fazer naquele dia e já se passara pelo menos uma hora.&lt;br /&gt;O cabelereiro bebeu apenas meia taça, prestei atenção, ou não sei se confiaria minha cabeça a ele. Conversamos bastante sobre o salão, o que eles tinham passado até ali, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei! Você é o primeiro cliente do segundo ano! (percebeu em determinado momento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tiraram foto, e filmaram, o sócio juntou-se a nós, é mesmo, eu agora faria parte da história deles. Ficaram por ali falando coisas e cortando meu cabelo, até que finalmente o corte estava terminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de mais, cabelo masculino sem desafios maiores, mas um bom corte conseguia fazer a diferença. Inexplicável. Os milímetros que a tesoura percorria a mais ou a menos que faria em um corte ruim conseguiam transformar o que seria um capacete nerd em algo moderninho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos foram comigo à recepção, o assunto não acabava. Eu era O cliente importante.&lt;br /&gt;Percebi que queriam ver o primeiro pagamento do segundo ano. Alguma superstição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque quando abri a mochila para pegar a carteira descobri que ela não estava lá: tinha ficado na bolsa da esposa no dia anterior.&lt;br /&gt;Voltei ao salão para fazer o pagamento no final do dia e, se isto significar alguma coisa, o primeiro cliente do segundo ano ao menos não deu um calote.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3465453223304486504?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3465453223304486504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3465453223304486504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3465453223304486504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3465453223304486504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2008/01/haircut-com-bolo.html' title='Haircut com bolo'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2028578071238835472</id><published>2007-12-23T04:14:00.000-02:00</published><updated>2007-12-23T04:15:10.141-02:00</updated><title type='text'>A Alma no Fundo do Olhar</title><content type='html'>Esta história é verídica, foi extraída da última carta de um suicida, que a deixou junto com um slide endereçados a mim.&lt;br /&gt;O morto em questão era meu amigo E.C., um dos melhores fotógrafos de moda do Rio há 10 anos, ainda lembrado com saudade por agências e produtoras. Seus trabalhos estavam nos catálogos das principais grifes e suas fotos guardavam uma vivacidade que superava o real. Sobre seus últimos dias de vida, dizia-se que enlouquecera.&lt;br /&gt;E.C. namorava (ou algo parecido) diversas modelos, e seu suicídio é ainda hoje atribuído ao desespero e depressão em que ficara após a morte de uma de suas garotas, alguns dias antes, em um trágico assalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Querido amigo, minha vida tem tomado rumos bastante desprezíveis. Tenho a certeza de que você entenderá meu sofrimento, e a crise em que me encontro, arruinado como pessoa e como profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou com meu último trabalho, que era extremamente dasafiador. O briefing era criar um conceito de fotos para um catálogo de roupas darks, calças de couro, espartilhos, botas, coisas assim todas pretas, sem cair em lugares-comuns.&lt;br /&gt;Pensei logo de cara em algo meio sadomasoquista, fetichista, mas isto já estava sendo bastante explorado na mídia, era uma solução para caderno de moda de jornal. Tinha que ser algo maior, mais sombrio, mais exclusivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busquei alguma inspiração nos darks da década de 80, nos vídeos, filmes, livros darks, músicas, até que esbarrei com a letra de uma das primeiras músicas da Siouxsie, mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Are you still dying, darling?&lt;br /&gt;Are you still still in pain?&lt;br /&gt;Are you still crying,&lt;br /&gt;Despite the morphine in your veins..&lt;br /&gt; (...)&lt;br /&gt;No more injections,&lt;br /&gt;No more medications,&lt;br /&gt;No more complications,&lt;br /&gt;For you, darling...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei a solução: ao invés de modelos, decidi que precisava fotografar cadáveres. A cabeça girava a mil por hora elaborando a idéia. Hummm...a produção disto seria bastante desafiadora, pois precisava conseguir cadáveres, vesti-los e fotografá-los. Aqui no Rio nem é difícil achar cadáveres, porém eu precisava de um que fosse de uma mulher bonita, jovem, magra. Isso, um cadáver bastava, mas precisava ser de uma modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acionei meus contatos, um fotógrafo sempre precisa conhecer muita gente e ser bastante político para produzir certas imagens, organizei forças-tarefa que percorreram funerárias em busca de corpos recentes, hospitais em busca de doentes terminais, polícia rodoviária em busca de vítimas de acidentes. Procuramos médicos legistas, enfermeiros, policiais, bombeiros.&lt;br /&gt;Nada. Naquela semana só morriam mulheres feias, gordas, deformadas, normais demais.&lt;br /&gt;Chegamos a correr para o hospital de Araruama para fotografar uma atropelada cuja descrição combinava com o que precisávamos, ela porém ficara com o rosto desfigurado e não serviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo este movimento andava mexendo demais com meus nervos e comecei a beber para me acalmar. Isso não foi lá muito bom mas trazia alguma felicidade. Mas eu já estava um caco, a busca se estendia pela segunda semana, o dinheiro para os informantes já se tornava um prejuízo considerável e meus prazos se esgotavam rapidamente.&lt;br /&gt;O cliente, furioso, não podia atrasar o catálogo por causa da minha “idéia estúpida”, se eu não entregasse as fotos em uma semana ia ferrar com minha reputação, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo parecia perdido apareceu a Lana.&lt;br /&gt;Ou melhor, desapareceu e depois apareceu. Lana era uma modelo perfeita para o catálogo, uma ex-caso minha, que agora ressurgia mortinha da silva para me salvar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone tocou, meu ajudante dizia:&lt;br /&gt;- Sabe a Lana, aquela que ficava aí no estúdio falando de cabelos o tempo todo? Pois é, foi esfaqueada. Não, disseram que foi assalto, ninguém viu o que aconteceu. Mortinha mesmo. Não, o rosto está perfeito, a facada foi pela frente, direto no coração. Acharam ela com faca e tudo. Está lá no IML. Já falei com o Moreira sim, podemos ir até lá depois das 11 da noite. Hoje sai!&lt;br /&gt;O ajudante estava bem feliz, afinal a morte de Lana salvava a pela dele também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moreira é baiano, funcionário do IML que conheci por acaso num boteco um dia desses e ficou logo sabendo do meu objeto de busca, imagina se eu perderia um contato assim? Como sempre, acabei conseguindo o que precisava e o Moreira conseguiu uma viagem de férias para Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos lá perto da meia-noite, entramos furtivamente e decidi fazer as fotos ali na sala de autópsias mesmo. A luz fluorescente dava um tom azulado bastante expressivo e para acentuar o clima usei um filme de cromo para correção de luz incandescente, que deixaria as fotos praticamente fantasmagóricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana estava linda, sua pele muito pálida era o contraste perfeito para o preto das roupas, o brilho do couro e o brilho do metal, os instrumentos cirúrgicos e respingos de sangue (cenográficos, estava tudo bem limpinho) completaram a produção.&lt;br /&gt;Os cabelos pretos, cortados a meia altura do pescoço, que tinham sempre sido sua maior preocupação, repousavam tranqüilos ora sobre uma coleira, ora sobre a gola alta de um casaco. Os braços longos estavam estendidos ao longo do corpo, e pareciam feitos de cera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última foto, uma brincadeira, coloquei na mão de Lana a arma do crime: dobrei os dedos com alguma dificuldade, ela teimava em não segurar a faca, o corpo endurecia. Esta foto tirei mais de perto, da cintura para cima, o rosto dela aparecendo bem valorizado e a mão com a faca quase na diagonal.&lt;br /&gt;Terminamos, dei um beijinho na sua testa fria, Moreira a cobriu. Passei um envelope para ele, que foi direto para o bolso e fomos todos ali no Bar Nova Capela beber alguma coisa para comemorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O catálogo saiu, as fotos ficaram sensacionais. Foi um dos meus melhores trabalhos, ganhei até um prêmio com as fotos da Lana. Foi a última aparição dela, um tributo, ultimamente não estava mais conseguindo trabalhos porque tinham surgido muitas outras garotas, o mercado se movimentara e ela ficara de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas são cruéis mesmo, Lana vinha tomando coisas pesadas, andava deprimida, na maior merda, morrer foi bom para ela. Pelo menos morreu por cima, já ia ser esquecida mesmo, pelo menos foi lembrada mais uma vez. Se não tivesse morrido a esta altura já estaria trabalhando como vendedora de shopping ou talvez morresse de overdose na semana seguinte e perdesse a chance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho acabou há mais de um mês, mas continuo perturbado e não consigo trabalhar. Perdi meus principais clientes, perdi umas namoradas que acharam anti-éticas as fotos da Lana – “Vai me fotografar morta também? Tchau, vá se foder!”. Nem consigo comer direito. Só afundo em ondas de uísque, vodca, tequila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aquela última foto, a da faca? Acabei não usando no catálogo, quando revelei os cromos vi que a faca não estava na mão, achei que podia ter caído enquanto eu preparava o tripé. Uma pena, a foto ficaria perfeita para o final, onde entraram os créditos, mas eu não pude usá-la ali.&lt;br /&gt;Entreguei na época as fotos para a agência, não devolveram ainda, mas fiquei com esta aqui, e entendi que devo algo a Lana. Minha perturbação chegou a um nível insuportável e eu resolvi acabar com minha vida também, precisava deixar esta carta para ela, se ela puder ler de onde está. Sinto que enlouqueci.&lt;br /&gt;Porque dizem que podemos ver a alma das pessoas no fundo de um olhar, e naquela última foto algo mais acontecera, os olhos dela estavam abertos. Como é ver o fundo de um olhar onde uma alma já não há? Ou há?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo deu um tiro na cabeça, depois de quebrar todo o seu equipamento e escrever esta carta. O tal slide que acompanhava a carta era a foto a que ele se referia..&lt;br /&gt;Nunca antes revelei o deixara escrito para mim, parecia desnecessário.&lt;br /&gt;Ontem, porém, encontrei este envelope na arrumação de meus papéis e só então olhei atentamente o rosto da Lana naquele slide.&lt;br /&gt;Nos olhos, um reflexo bem nítido, a última coisa que Lana vira em vida gravada ali. Busquei a lupa e ali estava a silhueta do fotógrafo, com a faca, prestes a desferir o golpe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2028578071238835472?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2028578071238835472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2028578071238835472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2028578071238835472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2028578071238835472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2007/12/alma-no-fundo-do-olhar_22.html' title='A Alma no Fundo do Olhar'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-2044171588622049864</id><published>2007-12-23T04:13:00.000-02:00</published><updated>2007-12-23T04:14:31.865-02:00</updated><title type='text'>Coisas que Acontecem quando não tem ninguém olhando - IV</title><content type='html'>Começou de repente, uma sensação de vertigem enquanto eu olhava ali para a tela do computador. Fechei os olhos por alguns instantes tentando não pensar, mas imagens continuavam surgindo dentro de mim e não havia paz.&lt;br /&gt;Depois consegui focar minha atenção em um zumbido que também incomodava, percebi que ele estava ali há bastante tempo, o que era aquilo?&lt;br /&gt;Uma idéia se formava, de que talvez eu estivesse mal. Seria estresse? Podia bem ser algo grave, algo congênito, alguma disfunção nunca percebida pelos médicos nem por mim, se alguém nasce doente pode nunca perceber porque não tem o referencial do que é viver em um corpo são.&lt;br /&gt;Um louco não sabe que está louco porque não pode se ver pelos olhos dos outros, ninguém sabe que está louco. As laranjas nem imaginam como é ser uma tangerina.&lt;br /&gt;Mas as pessoas vivem querendo ser outras, então usam disfarces e máscaras do que imaginam ser o outro, mas o outro mesmo acha tudo isso muito estranho, ele caricaturado não é ele de verdade, não tem essência nem verdade.&lt;br /&gt;Abri os olhos e as coisas estavam todas de cabeça para baixo, de cabeça para baixo mesmo, nada de mesas no teto nem luminárias no chão, tudo estava onde deveria estar, menos meu olhar. Eu olhava para cima e via meu corpo sentado na cadeira, via a ponta do meu nariz, minhas mãos; olhava para baixo e via uns tufos de cabelo. Muito esquisito, como se meus olhos tivessem girado cento e oitenta graus em suas órbitas.&lt;br /&gt;Levantei e tentei pegar meus óculos, o desespero crescia, a mão que eu queria usar não se moveu e a outra mão fez um gesto espelhado em relação ao que meu cérebro comandava. Eu tinha todos os movimentos, mas tudo rebatido como num espelho.&lt;br /&gt;Procurei alcançar minha boca com a mão esquerda, foi preciso olhar para cima e querer mexer a mão direita para dar certo.&lt;br /&gt;Quando tentei andar foi ainda pior, eu ia em frente com a sensação de andar para trás, não conseguia de forma alguma desviar dos móveis e terminei encostado na parede para não cair. Fui me arrastando pelas laterais da sala bem devagar, tudo de cabeça para baixo por ali, consegui ir até a minha cadeira e deixei-me cair (ou flutuar?) sobre ela, tornei a olhar ao redor, puro disparate. Devo estar em algum mundo paralelo, ou em uma consciência paralela.&lt;br /&gt;O zumbido ainda estava ali, fora isso eram só umas inusitadas imagens de capas de chuva que vinham à mente, perturbadoras e repetitivas. Como eu me senti mal, ridículo, aquela tarde. O pessoal  do escritório já deve estar comentando, e o pior é que não consigo vê-los, olho ao redor e vejo as máquinas, quadros de aviso, mas nada de pessoas, é como se eu estivesse sozinho por aqui. Mas sei que estão aqui, ouço seus ruídos, percebo que o zumbido nada mais é que suas vozes misturadas.&lt;br /&gt;Tornei a ficar de pé, inquieto, desta vez fui até a janela. Pensei: se pulasse dali, de certa forma cairia para cima, isto seria algo bem próximo de voar. Fechei os olhos para imaginar.&lt;br /&gt;O telefone tocou, era a secretária dizendo que eu estava muito esquisito hoje. Era um bom sinal ouvir a voz dela, as vozes pouco a pouco foram ficando mais claras, separadas, identificáveis.&lt;br /&gt;Encarei a tela do computador e estava tudo em ordem, as planilhas onde deveriam estar. Alívio. Olhando para baixo vi pernas, joelhos, sapatos, cada coisa em seu lugar. A vertigem passara completamente, um zumbido fraco persistia.&lt;br /&gt;Joguei no chão todos os papéis que estavam sobre a mesa, coloquei o teclado de lado, cochilei exausto.&lt;br /&gt;Acordei vendo as coisas espelhadas novamente, inacreditável, quis gritar. Fechei e abri os olhos: tudo normal. Fechei-abri muitas vezes seguidas, a cada vez acontecia a inversão, já não era possível distinguir qual dos dois estados era real, nem qual a mão atenderia.&lt;br /&gt;O mundo girava dentro de mim.Então tive certeza de que precisava tirar férias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-2044171588622049864?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/2044171588622049864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=2044171588622049864' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2044171588622049864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/2044171588622049864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2007/12/coisas-que-acontecem-quando-no-tem_6175.html' title='Coisas que Acontecem quando não tem ninguém olhando - IV'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-6119943413490534801</id><published>2007-12-23T04:12:00.002-02:00</published><updated>2007-12-23T04:13:51.930-02:00</updated><title type='text'>Olhar Pesado, Frio</title><content type='html'>Ela estava muito apertada para ir ao banheiro, mas não podia ir.&lt;br /&gt;Todos olhavam para ela com olhares pesados, ameaçadores, significando que não podia pensar em sair dali.&lt;br /&gt;Mas a vontade era muito forte, irresistível, e ela não conseguia enfrentar os olhares, não levantava um milímetro da cadeira.&lt;br /&gt;- Sabemos o que sente (diziam as vozes dos olhos pesados), mas não podemos fazer nada por você. Não nos incomode.&lt;br /&gt;E ela sentia a vontade passar a ser dor e a dor passar a ser desespero.&lt;br /&gt;- Nem pense.&lt;br /&gt;Prendia a respiração, cruzava as pernas, roía as unhas, lacrimejava.&lt;br /&gt;O frio que emanava dos olhares só piorava sua situação, então com um tremor sentiu a explosão dentro de suas calças e agora estava toda molhada e cheirava mal, suas roupas destruídas.&lt;br /&gt;- Vergonha!&lt;br /&gt;Olhou nos olhos pesados e frios:&lt;br /&gt;- Quero minha mãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava faminta, e cercada por bandejas de delícias, mas não podia comer.&lt;br /&gt;Todos olhavam para ela com olhares pesados, ameaçadores, dizendo que não podia pensar em tocar na comida.&lt;br /&gt;Mas a vontade era muito forte, incontrolável, e ela não conseguia enfrentar os olhares, não movia a mão um milímetro sequer.&lt;br /&gt;- Sabemos o que quer (diziam os olhares), mas não podemos ajudar você. Não nos perturbe.&lt;br /&gt;E ela sentia a vontade passar a ser dor, e a dor passar a ser agonia.&lt;br /&gt;- Beba água.&lt;br /&gt;Enchia copo após copo, pensava em outras coisas, mordia a mão.&lt;br /&gt;O peso da culpa que os olhos traziam piorava a situação. Sentiu um espasmo interno e todos ouviram o ruído de sua barriga roncando, e agora estava lambuzada e estufada, o regime desperdiçado.&lt;br /&gt;- Indisciplinada!&lt;br /&gt;Olhou nos olhos pesados e frios:&lt;br /&gt;- Ah! Começo novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava deprimida, cercada por garrafas de bebidas cintilantes, mas não podia beber.&lt;br /&gt;Todos olhavam para ela com olhares pesados, ameaçadores, condenando os vícios que ela tinha.&lt;br /&gt;Mas a vontade era muito forte, incompreensível, e ela não conseguia enfrentar os olhares, mas não largava o copo um segundo sequer.&lt;br /&gt; - Sabemos o que quer (dizia o peso do julgamento), mas não podemos ajudar você. Não nos enfrente.&lt;br /&gt;E ela sentia o desejo passar a ser dor e a dor passar a ser convulsão.&lt;br /&gt;- Coma alguma coisa.&lt;br /&gt;Comia isso e aquilo, conversava com as pessoas, cheirava os gargalos.&lt;br /&gt;A frieza acusadora que os olhos lançavam só piorava a situação, então com uma resolução inabalável sentiu um vazio interno e uma sede incrível, e agora estava bêbada e desmoralizada.&lt;br /&gt;- Traste!&lt;br /&gt;Olhou pela última vez nos olhos pesados e frios:&lt;br /&gt;- Ah! Foda-se.&lt;br /&gt;E tomou um frasco de tranqüilizantes em seguida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-6119943413490534801?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/6119943413490534801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=6119943413490534801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6119943413490534801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/6119943413490534801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2007/12/olhar-pesado-frio.html' title='Olhar Pesado, Frio'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-5247235782463437674</id><published>2007-12-23T04:10:00.002-02:00</published><updated>2007-12-23T04:11:17.524-02:00</updated><title type='text'>Uma Visita</title><content type='html'>Era um prédio desses que parecem castelos, com uma imensa fachada de tijolos de onde espiam três andares de grandes janelas de cristal.&lt;br /&gt;O prédio fica dentro de um amplo parque com jardins de flores e intermináveis gramados de um verde claro molhado pelas gotas de sereno.&lt;br /&gt;é primavera, e raios de sol matinais se infiltram entre as folhas das árvores traçando no ar zonas triangulares de luz onde flutuam poeirinhas douradas em redemoinhos imaginados.&lt;br /&gt;Lá no portão, uma placa de bronze com o nome do haspital, fica certamente em algum lugar da inglaterra. Um médico muito distinto, de bigodes pontudos e bem cuidados, calvo e marcial aguardava junto à porta de entrada. Com muita polidez, sou levado a conhecer as instalações, como se fosse algum inspetor, mas sinto que é assim porque visitas aqui não são muito comuns.&lt;br /&gt;As enfermeiras têm um estranho ar de pin-ups, que bem combina com o jeito antigo e formal dos médicos e internos.&lt;br /&gt;Atravessamos o pátio interno, com o sempre presente chafariz e bancos ao redor, e passamos por uma dupla porta envidraçada, que separava o corredor de trás do jardim dos fundos.&lt;br /&gt;Este era o jardim onde os internos podiam ficar, e foi lá que encontrei meu avô. Ele estava surpreendentemente bem, feliz e espirituoso como sempre. Fez umas brincadeiras, deu uns conselhos que nem lembro mais porque não conseguia prestar atenção ao que dizia. Levantou o pijama de flanela para mostrar a barriga, estava curado, disse, e não sentia mais dor. Conversamos mais um pouco sobre coisas triviais, ele ficou cansado e fomos juntos até seuy quarto.&lt;br /&gt;deixei-o deitado, sob confortável coberta branquinha, nos despedimos com uma troca de olhares e fui seguindo corredores encerados e paredes impecáveis até a saída.&lt;br /&gt;De repente, uma vontade incontrolável de voltar e dizer mais uma porçao de coisas importantes. Virei e comecei a andar acelerado e então vi que as paredes estavam arruinadas, manchadas de mofo e fuligem, o piso se abrira, várias tábuas estavam rachadas e caídas, o forro desabara, eu estava em um local completamente destruído e abandonado.&lt;br /&gt;Mesmo assim, fui entre os escombros correndo para a ala onde há instantes tinha deixado meu avô, mas o panorama ali era ainda mais assustador, como em um pesadelo tudo havia desaparecido, restavam tocos calcinados, muitas cinzas e ruínas, pelo chão tijolos queimados se empilhavam em meio a um mato descuidado, aqui e ali vestígios enferrujados de janelas.&lt;br /&gt;Fechei os olhos e desejei estar em casa.No dia seguinte busquei na internet o nome do hospital e descobri que exisitira do início do século XVIII até outubro de 1944, quando fora bombardeado pelos alemães. O diretor, um reconhecido rosto calvo e de bigodes, era considerado um herói nacional por ter pessoalmente removido muitos internos do prédio em chamas, onde encontrara a própria morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-5247235782463437674?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/5247235782463437674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=5247235782463437674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5247235782463437674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/5247235782463437674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2007/12/uma-visita.html' title='Uma Visita'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8153403340394375713.post-3937902051045812387</id><published>2007-12-23T04:09:00.000-02:00</published><updated>2007-12-23T04:10:03.707-02:00</updated><title type='text'>Domingo no Parque</title><content type='html'>Curitiba. Parque Barigui.&lt;br /&gt;Escolho para uma sombra ali próximo ao lago, sobre a grama verdinha, há por ali uns gansos disputando pedaços de pão que um garotinho joga, joga um e come um, os gansos quase atacando para pegar logo o pão inteiro.&lt;br /&gt;Faz um calor danado, 39 graus, algo incomum aqui, fico me sentindo um desses europeus jogados pelos parques alemães, tirei mesmo a camiseta para aliviar. Minha pele é de uma cor branco-rosada, se deixo a camiseta fico também com aquele bronzeado-pescador, nos braços e pescoço, com o peito e barriga brancos.&lt;br /&gt;Trouxe um violão, toco baixinho umas músicas do Cartola, umas coisas antigas que ando escutando agora que estou estudando música. Tristezas felizes.&lt;br /&gt;Há uma lenda aqui do parque, que nesses lagos mora um jacaré, o jacaré do Parque Barigui, que de vez em quando desaparecem umas crianças, teriam sido comidas pelo jacaré. Um pai certa vez relatou ter visto o filho sendo devorado, não ficou nenhum vestígio de luta porque o menino estava muito na beira do lago, escorregara e caíra nas águas, e depois fora puxado para o fundo e engolido inteiro, sem sequer ter tido seu sangue misturado às águas amarronzadas. Sensacionalismo. Filho hipotético? Afogamento? Delírio?&lt;br /&gt;Como o monstro do Loch Ness&lt;br /&gt;Ali perto há o museu de carros antigos, tem hoje um fusquinha na vitrine, lembra tanto o seu 75! O rádio de ondas curtas  pegava rádios da Inglaterra, de algum país árabe, da França, mas só quando o motor estava desligado. E o barulhinho tactactactac do motor, o cheiro de fusca, lembranças sensoriais. O cheiro de algumas árvores traz também essas lembranças sensoriais, lembro do pátio da escola, da casa de praia, de um primeiro beijo.&lt;br /&gt;Acabou o pão do menino, vejo seus pais tentando convencê-lo a dar uma volta, antes que os gansos ataquem, ele agora brinca de colher galhos secos. Jacarés comem gansos? A prefeitura pode abastecer o parque com muitos gansos para evitar que as crianças sejam atacadas, ou o jacaré pode ter ido para lá pela alta disponibilidade de gansos. Ou há tantos que os jacarés talvez não gostem de comê-os, ou talvez nem existam mesmo ali.&lt;br /&gt;Agora meu violão toca uns rocks clássicos. E o domingo vai avançando preguiçosamente. O sol até ficou mais ameno, a previsão para hoje é chuva à tarde, quem sabe frio à noite, clima curitibano.&lt;br /&gt;Uma estranha visão: andando aqui perto um bicho grande, uma capivara. Soltou umas bolinhas de cocô, umas meninas fotografando a capivara enquanto fazia suas necessidades, e ignorava as meninas. De repente, surge um bando de pessoas, muitas pessoas fotografando a capivara, o bicho deve ter se irritado, deitou virado para o lago. Pelo menos aqui não tem jaula, devia pensar.&lt;br /&gt;Há muitos pássaros nas árvores e no gramado mesmo, quero-queros escondem ninhos ali, soltam gritos agudos para avisar. Os sabiás carregam pedaços de palha e grama e gravetos e insetos. No céu vejo também umas pipas, bem coloridas e grandes, formatos inusitados e diferentes das pipas suburbanas lá do Rio.&lt;br /&gt;Do outro lado do lago pedalinhos flutuam e dançam sem pensar em jacarés, e mais atrás há um parque de diversões daqueles bem fuleiros, mas daqui posso ouvir gritinhos das crianças felizes nos carrinhos e naves giratórias.&lt;br /&gt;Mais atrás um paredão de prédios, todos novos, onde antes havia apenas casas de madeira, dessas de colonos poloneses e italianos, de tábuas coloriadas e portas e janelas de outra cor. Mesmo assim, é bem longe e não perturba a tranqüilidade de estar aqui.&lt;br /&gt;As casinhas de madeira vão ficando cada vez mais raras e mais afastadas do centro. Moro em uma delas, provisoriamente, por uns dias apenas, amarela e vermelha.&lt;br /&gt;Almocei pesado, fui a um restaurante que serve costelas aqui perto, uma delícia. Comi várias rodadas, uma espécie de rodízio de costela apenas, que é muito apreciada por aqui. Provei uns feijões, cebola, farofa, mas ataquei mesmo as carnes.&lt;br /&gt;Quebrando toda aquela tranqüilidade, passam aqui atrás umas pessoas frenéticas. Seguem a ciclovia correndo, patinando, pedalando, andando, indo e voltando, parecem passar por aqui sem sequer olhar ao redor, ignoram árvores, gansos e capivaras.&lt;br /&gt;Toco umas melodias inventadas, meio dedilhando sem destino, uns pensamentos que andavam tão distantes que fizeram as músicas em pano de fundo.&lt;br /&gt;Coloco o violão de lado para ler um pouquinho, adoro ler coisas escritas em papel de verdade, aos domingos tento ser o mais analógico possível, unplugged. Estivesse no escritório ficaria lendo e-mails, mandando mensagens pelo celular. Preciso fugir às vezes.&lt;br /&gt;Leio uns contos fantásticos sobre loucura, a cada história vou lembrando de pessoas e situações loucas que aconteceram. Quem é realmente, essencialmente normal, que não oculte lá no fundo suas perturbações?&lt;br /&gt;Acabei cochilando, acordo feliz e já está anoitecendo, bem mais fresquinho. Melhor vestir a camiseta. Vou caminhando pela grama, hora de tomar uma cerveja no bar do parque.&lt;br /&gt;Ando na penumbra, desviando dos ninhos e dos galhos caídos. Vejo no meu caminho a silhueta da capivara, como ficou tanto assim naquele mesmo lugar? Mais de perto percebo que ela não está só, algo se mexe logo atrás, vejo a sombra escura de uma cabeça comprida aparecendo sobre o flanco do animal, e da penumbra me observam agora dois olhos amarelados, parecem famintos e furiosos.&lt;br /&gt;Resolvo deixar a cerveja para outro dia. Não quero decobrir que Nessie existe de verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8153403340394375713-3937902051045812387?l=textosnoturnos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/feeds/3937902051045812387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8153403340394375713&amp;postID=3937902051045812387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3937902051045812387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8153403340394375713/posts/default/3937902051045812387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://textosnoturnos.blogspot.com/2007/12/domingo-no-parque.html' title='Domingo no Parque'/><author><name>André Beltrão</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06154907335365761583</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
