Um blog de textos escritos de madrugada, ou mesmo pensados durante a noite, de coisas que provavelmente não aconteceram e outras idéias que andam pela cabeça.
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AutoExploração com gosto de tédio, sem nada a dizer.
Avião de aspecto surrado, como uma mala gasta de tantas viagens. Cheiro de revestimentos antigos, couros vencidos, plásticos queimados, amarelados e pegajosos, como uma volta ao passado nos meus primeiros vôos. - O avião tem menos de 30 anos. O senhor aí, está preparado para abrir a saída de emergência, se for preciso? A porta pesa dezessete quilos. Leia as instruções por favor. E o senhor, está preparado? O pessoal de bordo é parte jovial e alegre, parte velhaco e surrado como a nave, uns em seu primeiro emprego, outros em final de carreira. O espaço é razoável, cabem as pernas dobradas sem esbarrar os joelhos na poltrona da frente, mas estranhamente os lugares pulam do a-b-c para o j-k-l. A limpeza é suspeita, tudo tem aspecto muito gasto, alguns pontos ao redor com vestígios de molho de tomate, que não é servido a bordo, partes com pinturas sobrepostas, partes desgastadas. Os elementos comuns: as pessoas. Essas, ainda mais comuns, populares, praticamente rodoviárias. Exceto pela men...
Luciano enxergava cada vez menos, as manhãs iam ficando cada vez mais turvas e sombrias. Tropeçava, esbarrava, caía.
Precisava de óculos novos, com certeza.
Os óculos eram sua mais frequente despesa, quase todos os meses precisava trocar as lentes. Elas iam gradativamente perdendo sua eficácia e era preciso substituir antes que não conseguisse ir até a loja. Sem óculos não enxergava nada, sua própria mão virava um borrão alaranjado.
Na ótica perto de casa era recebido como o melhor cliente, ganhava café e biscoitinhos, ouvia as fofocas do bairro, a todos conhecia pelo nome. Vantagens da idade, todos tratam bem os velhinhos – pensava.
Nem era questão de grau, as lentes iam simplesmente ficando sujas. E ele não tinha como limpar, a sujeira não via, apenas sentia.
Na ótica lavavam os óculos enquanto ele comia os biscoitinhos e cobravam por lentes novas (isso ele acabou sabendo por um ex-funcionário, mas tudo bem: no final saía enxergando, e com o papo em dia).
Um dia a óti...
- O elevador de macas quebrou. E agora, como faço para descer este sujeito? - Ele está muito mal? Nós dois podemos levantá-lo para descermos no elevador comum. - Não dá, o cara é pesado demais. Olha só a pança. E o tamanho. Esses caras inertes pesam o dobro do que pesam quando estão acordados. - Podemos amarrar na maca e colocá-la em pé dentro do elevador, lá embaixo nós deitamos de novo. - Não dá, não cabe. Podemos também descer pela escada de emergência. Vai na frente escorando que eu vou atrás segurando. Agora foi! São só dois andares. - Porra, está muito pesado, não agüento mais escorar o sujeito. Vou sair da frente, vira para a parede que pára de descer. (tump!) Caralho! Ele rolou para o chão. Quer saber? Vamos deixar aí. Senão a gente vai se dar mal. Foi o pessoal da UTI que pediu para descê-lo. Acho que foi aquele médico novinho. Não posso deixar o paciente aqui, senão vai pegar para mim. Peraí, vou chamar uns caras para ajudar.. (voltando com 3 pessoas da equipe de faxina) É es...
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